sábado, 24 de setembro de 2011

O mais subestimado dos grandes treinadores da Europa


Bastian Schweinsteiger era um meia-externo interessante, mas aparentemente estagnado na carreira com o Bayern de Munique. Passava longe de ser o que é hoje: um dos três - quiçá o melhor - volantes do mundo. De forma equivocada, sua incrível transição da beirada à faixa central do meio-campo costuma ser atribuída a Louis van Gaal, mas é um treinador menos badalado, e em grande fase, o responsável. Jupp Heynckes, com 66 anos e em sua terceira passagem no comando dos bávaros, tem essas e muitas outras grandes histórias a contar.

"Achava que o talento do Schweinsteiger era desperdiçado pelo lado do campo e o coloquei como volante, mas ele se descobriu na posição com sua própria qualidade. Hoje se encontra no mesmo patamar de Xavi, Iniesta e Busquets, todos de classe mundial", conta Heynckes, que passou rapidamente para apagar o incêndio aberto por Klinsmann em 2009 e preparou o terreno para Louis van Gaal, com Schweinsteiger na faixa central e exigindo protagonismo, levar o Bayern de volta à decisão da Liga dos Campeões.

Jupp também pode contar histórias de jogador, como a de terceiro maior artilheiro da história da Bundesliga, ou campeão da Eurocopa 72 e da Copa do Mundo de 74, ambas na reserva de Gerd Müller. Mas foi como treinador, bicampeão alemão em 89 e 90 pelo Bayern, que ele se afirmou internacionalmente. A começar pela Liga dos Campeões de 1998, que recolocou o Real Madrid no topo da Europa depois de 32 anos no inesquecível gol de Mijatovic contra a Juventus.

Heynckes, que também teve seus momentos de baixa na carreira, está com tudo. A passagem de dois anos não deu um sonhado título grande ao Bayer Leverkusen, mas os fez fortes novamente a ponto de retornar à Liga dos Campeões com o vice-campeonato nacional de 2010-11. Jupp conseguiu levar ao Leverkusen o então promessa Tony Kroos, e fez dele o grande nome da Bundesliga 2009/10. Vidal, Renato Augusto, Derdiyok e Kiessling se tornaram jogadores de relevo sob seu comando. "É o melhor com quem já trabalhei", contou Renato a este blogueiro em recente entrevista.

Substituir a Louis van Gaal era questão de justiça para Jupp Heynckes, que já acumula oito vitórias consecutivas no Bayern de Munique, sendo cinco pela Bundesliga. Este sábado apresenta um desafio e uma ocasião especial, que é o reencontro com o Bayer Leverkusen que tenta se ajustar com Robin Dutt, ex-Freiburg.

O treinador não conseguiu Vidal e Alex Costa para montar o time de seus sonhos, mas com Neuer, Rafinha e Boateng, já aumentou o poder de fogo do elenco vice-campeão europeu há dois anos. O jovem centroavante Nils Petersen, 22 anos e ex-Cottbus, vai se mostrando uma aposta eficaz.

Jupp Heynckes não é badalado como Jürgen Klopp ou Joachim Löw, mas não se surpreenda se ele conseguir um feito incrível em maio de 2012: vencer a Liga dos Campeões, cuja final será em Munique. Experiência, qualidade e material humano parecem não faltar. "Temos que chegar todos os anos às semifinais", exige.


Agradecimentos: Roberto Piantino

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