segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Melhores da Série B

Para se dedicar exclusivamente ao conteúdo especial para a Série A, o Papo de Craque apresenta sua seleção da Série B, de onde, é sempre bom lembrar, subiram o Coritiba, o Ipatinga, a Portuguesa e o Vitória. E caíram, ainda, o Ituano, o Remo, o Santa Cruz e o Paulista.

Nesta segunda-feira, este blog apresenta um fechamento todo especial do Campeonato Brasileiro da primeira divisão. Não perca!

Por ora, a seleção da Série B:

Fred (Ipatinga)
Seguro, supriu bem o espaço antes bem ocupado por Rodrigo Posso. Muito bom torneio.

Apodi (Vitória)
Eleito revelação do torneio, o sagaz e insinuante lateral do rubro-negro baiano é presença certa.

Henrique (Coritiba)
Jovem, maduro e completo. O beque do Coxa cresceu e jogou muito ao lado de Anderson Lima.

Bruno Rodrigo (Portuguesa)
Elogiado por Muricy, o discreto zagueiro luso fez um torneio regular e pautado pela eficiência.

Leonardo (Portuguesa)
Realidade há dois anos, o canhotinho Léo foi novamente muito bem, como em 2005. Tem futuro.

Túlio (Coritiba)
Com muita qualidade técnica, física e ainda versátil, merece a indicação. Jogador interessante.

Bida (Vitória)
O meia do Vitória, de muita cadência e jogo inteligente, entra pela segurança em campo.

Gérson Magrão (Ipatinga)
O dez ipatinguense superou a passagem pela Gávea. Foi o maior nome do clube do Vale do Aço.

Keirrison (Coritiba)
Ora como homem enfiado, ora fazendo o pêndulo. O 'Pato do Couto' foi soberbo na Série B.

Diogo (Portuguesa)
Maior do torneio. Atacante eficiente em todos os fundamentos e com potencial para crescer.

Alessandro (Ipatinga)
Artilheiro, decidiu, assim como Gérson, vários e vários jogos. Recuperou a carreira.

domingo, 2 de dezembro de 2007

As bolinhas já rolaram..


Escolher o principal destaque para a próxima Eurocopa é uma tarefa difícil. Grupo da morte (como sempre), sorteio parecido com 2004 e rivalidades à prova: o cenário decidido pelas bolinhas, neste domingo, ressaltou o clima de dramaticidade que deve marcar a Euro. Aliás, que já ocorreu nas próprias Eliminatórias, com a classificação da Itália e as eliminações marcantes de escoceses e ingleses.

A campeã Grécia, situada no grupo D, terá dois dos três adversários que teve em 2004, quando comeu pelas beiradas, matou França e República Tcheca e surpreendeu Portugal na finalíssima. Ao invés dos lusos, a quem venceu já na estréia, a seleção de Otto Rehhagel defrontará a Suécia, de marcante participação também em 2004. Rússia e a Espanha, vivendo mais uma vez um grande momento, completam a disputa que será nas austríacas Innsbruck e Salzburg.

Pelo grupo C, jogado nas suíças Berna e Zurique, a Holanda provou, mais uma vez, que não tem mesmo muita sorte. O time de Van Basten, após tentar entregar o último jogo contra País de Gales para fugir de um eventual grupo da morte no sorteio, terá as duas finalistas da última Copa do Mundo pela frente. Itália e França, que já se defrontaram durante as Eliminatórias, colocam a Orange novamente em uma chave dura, como já foi em 2006 na Alemanha. A Romênia, vivendo um momento que não passava desde 1994, completa a briga por apenas duas vagas. Detalhe: a seleção de Victor Piturca deixou os holandeses pra trás na fase classificatória.

Na chave B, a tendência é que a Alemanha nade de braçadas como na Copa do Mundo. Com outro sorteio favorável, o Nationalmannschaft poderá provar que é, no momento, o principal selecionado na Europa. Em Viena e Klagenfurt, a Áustria contará com a torcida local, para tentar a façanha da classificação: o time austríaco é fraquíssimo. Além deles, Croácia - em alta com um time rejuvenescido, e Polônia, com uma fase classificatória segura, tentarão impedir os alemães de somarem nove pontos.

Fechando a sorte nas bolinhas, foi sorteado o grupo A, sediado por Basiléia e Genebra, onde os tchecos defrontam os anfitriões na abertura da Euro. República Tcheca e Portugal, semifinalistas em 2004, têm leve favoritismo, mas terão que enfrentar a co-anfitriã Suíça, em momento razoável. Estes, porém, devem fazer um jogo trepidante contra a Turquia, contra quem protagonizaram uma briga ferrenha na repescagem das Eliminatórias para a Copa. À época, os suíços levaram a melhor e foram pra Alemanha.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Evolução ameaçada


Associar a Venezuela como a pior seleção sul-americana, sempre, foi algo natural e justificável. Ao mesmo tempo, se ouvia falar que o país – e é verdade – nunca deu muita atenção para o futebol, dada a paixão maior pelo beisebol. Nos últimos anos, porém, Richard Paéz esteve à frente de um processo que, nos últimos meses, vem consolidando a Vinotinto como uma nação de médio porte no cenário das Eliminatórias.

Os venezuelanos em geral, porém, não se deram conta de que nenhum país, do dia pra noite, se torna forte, ou mesmo médio, no futebol. Richard Paéz, com mais de seis anos no banco da Vinotinto, deixou o cargo em virtude da pressão que tinha ao seu redor. Uma decisão que pode incidir e comprometer diretamente o desenvolvimento da seleção.

Se enquadrar e definir reais e possíveis pretensões, quase nunca, é algo usual no esporte bretão. Seja no Brasil, seja na Venezuela. Imaginar que - em virtude da evolução em que estão inseridos - os venezuelanos poderiam vencer qualquer adversário com facilidade, não é algo nada real. O pedido de demissão de Paéz, dias após a disputada partida contra a Bolívia (vencida por 5-3), surgiu justamente em virtude desse pensamento fora de propósito.

Com nítidos problemas defensivos, a Venezuela sofreu ao tentar parar a inspirada jornada do cruzeirense/boliviano Marcelo Moreno. Mesmo após sair perdendo por 1-0, virar para 2-1, e sofrer a virada de 3-2, a Vinotinto teve força suficiente para impor novo revés, saindo de campo com um largo 5-3 e três pontos que lhe deram, ao fim da rodada, o quinto posto nas Eliminatórias. O resultado, que poderia satisfazer qualquer das nações continentais, pareceu insuficiente para os torcedores em San Cristóbal, conhecidos como os mais fanáticos do país.

O furor trazido pela Copa América, a campanha do Caracas na última Libertadores e a vitória na abertura das Eliminatórias, somadas, provocaram um pensamento fora de propósito. Hoje, a realidade venezuelana é brigar no meio da tabela. E a Vinotinto, até aqui, fazia um trabalho bastante acima das expectativas.

Rey e Cichero são zagueiros razoáveis, embora joguem sempre desprotegidos e tenham, atrás, algum goleiro inseguro. Rojas é um volante de boa técnica e também versátil – hoje, indispensável. Arango parece carregar bem a responsabilidade de ser o dono do time, enquanto Maldonado, em alta no México, pode oferecer gols e velocidade. Guerra, em crescimento, completa a lista de valores, responsáveis pela boa fase.

Hoje, a discussão em território venezuelano, naturalmente, é sobre quem será responsável por dar seqüência ao ótimo trabalho de Richard Paéz. Um nome estrangeiro pode ser considerado, talvez amparado pelo sucesso na escolha de Marcelo Bielsa no Chile. Em virtude da pressão que certamente terá, o novo comandante poderia ser um treinador renomado, caso fosse possível atraí-lo. Segurar bem a expectativa por muitas vitórias será, em tese, mais difícil para um ‘local’.

Nessa linha, o nome de Noel ‘Chita” Sanvicente surge como o principal favorito. Responsável, com o Caracas, pela eliminação do River Plate na Libertadores-07, o treinador seria a escolha mais natural. Carlos Maldonado, do Deportivo Táchira, desponta como a segunda alternativa. A terceira opção é César Farias, do Deportivo Anzoátegui.

Escolha quem escolher, a Federação Venezuela precisará dar respaldo incondicional ao novo treinador. Por sua vez, os torcedores deverão entender o processo pelo qual atravessa o futebol do país, saindo de barbada para um time competitivo. E só. Um time que bateu Equador e Bolívia, resistiu bravamente – fora de casa – diante da Colômbia e fez um jogo digno contra a Argentina. Que tinha muitos méritos de Richard Paéz, mas agora precisa de um novo norte. E tem sua evolução ameaçada.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Futebol brasileiro

A coluna desta semana, na Trivela, trata sobre a briga corintiana pela permanência na Série A.

Hoje, no Pacaembu e no Mineirão, o destino de Goiás e Corinthians será selado.

"É pura sorte"

Santos e Paraná Clube, Vila Capanema, último domingo: aos 27 minutos do segundo tempo, 2-0 de vantagem para os anfitriões. Dez minutos depois, virada santista e os paranistas, assim, praticamente na Série B. Os três pontos que o time de Vanderlei Luxemburgo trouxe na bagagem, mediante uma ótima virada, deram mais uma força, também, para a permanência corintiana na primeira divisão.

A vitória que garantiu o Santos na Libertadores-08, de quebra, diminuiu o ímpeto do Grêmio - adversário corintiano na última rodada - na briga por um espaço no G-4. Coube ainda ao Flamengo, com outra vitória no Maracanã, reduzir ainda mais as chances gremistas, apenas ainda não sepultadas graças aos resultados ruins novamente colhidos por Cruzeiro e Palmeiras. Enfrentar os gaúchos desanimados, no próximo domingo, naturalmente é a vontade que paira sobre o Parque São Jorge.

Mesmo com esse espírito forte, o Corinthians precisará somar pontos diante do já desanimado Vasco da Gama. Outro tropeço dentro de seus domínios, caso ocorra, pode decretar o rebaixamento corintiano na última rodada e a nada confortável situação de depender de outras equipes para não cair. Respirando fora da zona da degola, o time de Nelsinho vai ilustrando uma situação enganosa, em que parece estar em ascensão, mas venceu apenas um de seus últimos cinco jogos.

Para o decisivo duelo contra o Vasco, a equipe corintiana precisará mudar de cara mais uma vez. Será outra missão no complicado trabalho de Nelsinho à frente de um clube sem qualquer identidade. Ao longo do ano, 58 jogadores diferentes atuaram com a camisa do Corinthians, com direito a nomes longínquos como Amoroso, Paulo Almeida, Jaílson, Daniel Grando e Fágner. Para se ter uma idéia, o São Paulo, também durante 2007, só teve 37 jogadores oportunizados, mesmo fazendo nove jogos a mais.

A principal dificuldade, porém, será superar a ausência de Finazzi nos dois últimos jogos. Referência ofensiva e liderança moral, o centroavante anotou cinco dos sete gols feito pelo Corinthians nos últimos jogos, mas foi suspenso pelo STJD – o mesmo que abriu os portões do Maracanã, mas fechou os do Machadão e não teve tempo de julgar o efeito suspensivo de Valdívia.

Pênalti defendido próximo do fim, gols nos últimos minutos e resultados improváveis conspirando a favor: tudo parece ajudar o Corinthians, que também precisa se ajudar. Caso contrário, terminará com naturalidade um ano em que teve quatro treinadores, três presidentes, escândalos na Polícia Federal, CPI engavetada, pedofilia na base, desvio de verbas no time B e ainda quase 10 milhões de euros pagos a um jogador que nem estava mais no clube. Ou seja, na segunda divisão. Até aqui, os tais deuses do futebol têm colaborado.

Brilho garantido


Pequenos detalhes impedem a confirmação da terceira passagem de Juan Román Riquelme por La Bombonera. Afastado do elenco principal no Villarreal, o maior ídolo boquense das últimas décadas, será garantia de brilho na Libertadores-08. Voltando ao futebol sul-americano, Riquelme, que fará 30 anos em junho do próximo ano, praticamente encerra, dessa maneira, as chances de estabelecer seu futebol extra-classe no Velho Continente.

A verdade é que Riquelme, acima de tudo, pouco parece se preocupar com isso. Temperamental às avessas, Román precisa de espaço para brilhar, algo que ninguém, além do Boca, se dispôs a oferecer. Atlético de Madrid, Tottenham e Internazionale, três dos citados em especulações envolvendo o jogador, não foram capazes de disponibilizar um projeto sedutor para o meia que ganhou três Libertadores com a camisa azul y oro.

Nem mesmo o clube da capital espanhola, onde o argentino teria tudo para brilhar, fez muita força para abdicar de um de seus estrangeiros no elenco, abrindo assim espaço para a inscrição de Riquelme. O camisa 10 mais romântico desde Zidane, à sua maneira, vive de brilhar então nos gramados sul-americanos.

Em El Madrigal, a reputação de Riquelme foi esgotada com a categórica depressão pós-Copa que teve. Responsabilizado pela eliminação, acabou largando o Villarreal, na difícil situação do Submarino Amarelo na temporada passada. Hoje, em alta com um time jovem e nitidamente pronto para as primeiras posições, Manuel Pellegrini não tinha mesmo motivos - por mais que a imprensa brasileira simplesmente o agrida gratuitamente - para mudar a estrutura que tem dado certo.

Em solo argentino - especialmente, claro, no Boca Juniors, Riquelme será novamente o dono da cena. Com um meio-campo jogando para ele armar e conseqüentemente brilhar, Román tem tudo para manter, em 2008, a atmosfera de bicho papão que vêm tendo os xeneizes. Os brasucas que se preparem: O Boca vem aí.

O gol da semana - Renato Augusto

Renato Augusto viveu na pele a sina de ser alçado ainda cru aos profissionais. Nitidamente, o meia-atacante flamenguista se trata de um jogador privilegiado fisicamente, dono de um biotipo pouco comum aos jogadores de sua técnica.

Parece claro que o carioca, dada a precocidade de seu futebol, tem carência em alguns fundamentos, em especial a sempre criticada finalização. No gol da semana, Renato Augusto consegue controlar a bola e, de dentro da grande área, põe na gaveta do gol defendido por Viáfara.

Oportunizado por Joel Santana, o meia tem mostrado, novamente, o bom futebol do primeiro semestre. Tenham paciência com Renato Augusto!



segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O jeito Juventus de ser


Veteranos que juram ter visto o gol mais bonito da história de Pelé, na casa do Juventus. Jovens que, inexplicavemente, se juntam atrás de um dos gols e pulam e cantam durante os noventa minutos. É basicamente essa mistura que compõe a torcida juventina e que faz um jogo na Rua Javari ser um espetáculo à parte.

O cenário para a final da Copa FPF era uma Javari que há muito não se via tão repleta. Quase três mil torcedores se dirigiram ao bairro da Mooca, onde seria possível ver o Juventus, possivelmente, colocar a faixa de campeão no peito. Salvo conquistas nas segundas divisões paulista e brasileira, este poderia ser o principal título na história do Moleque Travesso, cujas maiores glórias, ao longo das últimas décadas, foram atrapalhar a vida do Corinthians.

A partida final, posterior ao jogo em Lins vencido pelo Juventus por 2-1, era cercada por boatos. Segundo os tais, alguma das equipes poderia entregar o jogo, já que o vice-campeão tinha direito a jogar a Série C de 2008, enquanto o campeão ficava com a vaga para a Copa do Brasil. O ritmo insandecido e imprevisível visto em campo pulverizou qualquer boataria.

Diante do Linense, a maior qualidade dos anfitriões se sobressaía. O Juventus pressionava e, além do primeiro gol, perdeu um pênalti com Johnny e ainda teve várias chances de marcar mais. Inexplicavemente, o time de Lins conseguiu o empate e, na segunda etapa, se agigantou. Propondo uma situação mais arrojada, foi pra cima do Moleque Travesso e fez os dois gols que precisava para ficar com o título. O terceiro, aliás, em penalidade aos 47 minutos do segundo tempo.

Nesse momento, a decepção juventina era latente. Dentro de casa e apoiado por toda a torcida, o Juventus também tinha mais camisa, experiência e jogadores vocacionados. Todos esses fatores pesaram quando, dois minutos depois, aos 49, João Paulo fez um gol choradíssimo, oriundo de um daqueles bate-rebates em grandes áreas. Foi o gol do título, mas que também pode ser chamado de imponderável ou qualquer coisa do gênero.

A casa italiana da Mooca, neste último domingo, viu um dramalhão futebolístico capaz de rivalizar com qualquer grande peleja da Squadra Azzurra. Seus torcedores caricatos, capazes por exemplo de um faixa com a imagem do mexicano Seu Madruga, fizeram da Javari, mais uma vez, um palco todo particular no mundo da bola. Um palco onde se vendem doces particulares, se vê o jogo sob uma arquibancada coberta e, ainda, não há iluminação artificial. É o jeito Juventus de ser.


Hostilidade comum aos goleiros adversários na Javari