sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Milan e Inter, quem confia?



O Milan de Leonardo não deixou de ser um time brilhante, capaz de chegar a três finais de Liga dos Campeões em um intervalo de quatro anos, como fez com Carlo Ancelotti. Deixou é de ser regular: ao mesmo tempo que bate o Real Madrid no Santiago Bernabéu, sofre dentro de casa contra um esforçado Olympique ou mesmo um também esforçado Cagliari.

Não é correto exigir mais do novo Milan, que perdeu demais e não repôs em nada. Depender dos gols de Borriello ou da genialidade de Ronaldinho Gaúcho não significa ser constante e a equipe ainda sente o amargo do mercado, quando não investiu para trazer Luís Fabiano ou Dzeko, e ficou com Huntelaar.

Em Appiano Gentile, o tão competente José Mourinho não é capaz de fazer a Internazionale se sentir confiante para os jogos internacionais. A equipe que empilha vitórias na Serie A há pelo menos três temporadas não tem personalidade nenhuma para enfrentar os rivais: o jogo final contra o Rubin Kazan é vencer ou vencer, como em Kiev há duas rodadas. É verdade que o problema parece psicológico, mas há tempo para mudar tudo tão rapidamente e brigar pelo título? Difícil.

Nesse cenário, melhor para a Fiorentina, o grande italiano desta LC, com 12 pontos em cinco jogos no grupo do Liverpool e do Lyon. Um palpite? Mais uma temporada sem um clube da Bota entre os quatro da Europa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

LDU, a gente já sabia


Até enfrentar o Fluminense, a LDU tinha 13 vitórias, seis empates e só uma derrota em suas últimas 20 partidas jogadas em Quito. O revés, diga-se, foi contra o Sport, no fechamento da recente Libertadores, quando já estava eliminada. Lá, também, enfiou 7 nos uruguaios do River Plate há uma semana. É uma máquina o time que encerrou a invencibilidade do Fluminense e deve conquistar seu terceiro título continental em um ano.

Impressiona, na LDU Quito, é a política de trabalho que não se altera. Garimpando bons nomes baratos pelo continente (como foram Guerrón, Manso e Bieler – este ainda no time), revelando jovens (como o goleiro Domínguez), exercendo seu poder econômico e enfraquecendo os rivais do país (como ao tirar Miller Bolaños do Barcelona) e principalmente resgatando quem tem história no clube: Ulisses de La Cruz, Reasco e Edison Mendez são os nomes mais recentes dessa política. Jogadores que passam, fazem história, vão para o exterior e retornam.

Esse processo também inclui a caça aos bons técnicos do continente. Passaram com sucesso por lá Manuel Pellegrini, agora no Real Madrid, Edgardo Bauza, campeão da Libertadores, e Jorge Fossatti, ex-seleção uruguaia, e agora de volta para o time virtual vencedor da Sul-Americana.

O sistema tático não é engessado durante os anos, mas a forma de jogar é sempre a mesma: muita velocidade, aproveitamento total dos flancos do campo e força física, com intensidade durante os 90 minutos num estádio hostil e com uma torcida vibrante. Mesmo perdendo toda a base campeã da Libertadores, segue fortíssimo e quase impossível de parar.

Que o diga o Fluminense, sufocado e depenado em Quito.

Matéria: Flu se aproxima das piores derrotas em finais sul-americanas

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

5 motivos extracampo na recuperação do Flu


Incrível como o lanterna do Campeonato Brasileiro reagiu e, hoje, pode se dizer, está muito perto de escapar do rebaixamento. A organização de Cuca, o bom momento de Conca, a sede goleadora de Fred, os desempenhos dos meninos Digão, Dalton, Alan e Maicon são alguns dos motivos, somados à disposição, que devem fazer o 2009 terminar bonito nas Laranjeiras.

Mas há, também, pelo menos cinco razões extracampo. Confira:

- Salários sendo pagos. O Fluminense que atrasava, agora, tem pagado o mais em dia possível. Não são mais apenas os jogadores da Unimed que recebem corretamente, o que serviu para motivar todos. No entanto, o Flu recorreu a empréstimos bancários e, pior, entregou suas promessas por quantias miseráveis (Maicon e Alan para a Traffic, Wellington Silva para o Arsenal).

- Reestruturação do departamento de futebol. Saíram Tote Menezes, Gustavo Mendes e Alexandre Faria, que não falavam a mesma língua. Vieram outros dirigentes, inclusive Branco, e tudo mudou da água para o vinho.

- Adeus aos afastados. Luiz Alberto, Wellington Monteiro, Fabinho e Paulo César. Nenhum deles têm mais espaço sequer no banco de reservas do Fluminense, que melhorou o ambiente, sobretudo sem a presença do antigo capitão.

- A torcida em peso. A massa tricolor abraçou a recuperação da equipe, que levou, por exemplo, 65 mil torcedores contra o Palmeiras. Já é o quinto melhor do Brasileiro em média de público, apesar da campanha péssima como um todo.

- O silêncio de Horcades. Pressionado pela chance de impeachment, o presidente do Fluminense tem evitado a imprensa em alguns momentos, o que é sempre positivo quando se trata de Roberto Horcades e seus dois neurônios. Nas últimas semanas, não houve nenhuma crise nas Laranjeiras.

San-são no espelho


Oscar ou Neymar? Cotia ou Meninos da Vila? A tradição são-paulina ou o poder do Sonda?

Em um artigo especial, no Olheiros, falo por quais motivos São Paulo e Santos têm tanta força na base mas pensam tão diferente. Clique aqui e confira:

E, ainda, uma coluna sobre a base do Paraná Clube, que pretendia ganhar muito e ficou a ver navios. Clique aqui e confira:

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O Brasileiro com mais gols dos últimos anos


O Campeonato Brasileiro deste ano deve ter o maior número de gols marcados desde que sua disputa ficou restrita a 20 clubes, em 2006. No sábado, Aílton marcou o milésimo, para o Náutico, na vitória de 3 a 2 sobre o Corinthians. Ao fim da 36ª rodada, já são 1022 marcados e o melhor número foi de 07, com 1047 gols. A questão é: os ataques melhoraram ou as defesas estão piores?

2006: após 36 rodadas – 970 gols / ao final – 1030
2007: após 36 rodadas – 987 gols / ao final - 1047
2008: após 36 rodadas – 975 gols / ao final – 1034
2009: após 36 rodadas – 1022 gols! / ao final - ?

Veja, ainda, um raio-x dos gols do Brasileiro 2009:

Time da casa fez 625 gols x Time visitante fez 397 gols
Gols no primeiro turno: 556 x Gols no segundo turno: 466

Gols de cabeça: 205
Gols de direita: 537
Gols de esquerda: 257
Gols de mão: 1 (André Lima, contra o Corinthians)
Gols de peito: 4
Gols contra: 18

Gols fora da área: 143
Gols na grande área: 656
Gols na pequena área: 205
Gols contra: 18

Gols de falta: 48
Gols de pênalti: 87

A disputa pelo poder no Santos


Marcelo Teixeira confirmou candidatura à presidência do Santos e, nos próximos dias, os bastidores da Vila Belmiro devem ficar agitados. Em condições bastante desfavoráveis, o mesmo opositor Luiz Alvaro ameaçou o trono de Teixeira em 2003 em uma eleição apertada. A volta do sociólogo à disputa, em momento de grande pressão, torna o quadro bastante instável em torno da reeleição de Teixeira no próximo dia 05 de dezembro.

O pleito no Santos terá a participação nova de vários conselheiros, diz-se, insatisfeitos com a administração de Marcelo Teixeira, que faz o time brigar nas últimas posições pelo segundo Campeonato Brasileiro consecutivo, apesar de o investimento não ter sido discreto. Na última Série A, por exemplo, a folha salarial santista era de R$ 2 milhões mensais, atrás apenas do Inter, e a equipe ficou em 15º, fora até da Sul-Americana. Em 2009, o quadro é idêntico.

A oposição, que tem pouca penetração na mídia e fala fino, se mostra bem articulada para ter bons investidores em 2010, mas a verdade é que não costurou nenhum reforço em caso de vitória. Vanderlei Luxemburgo só fala em projeto e Marcelo Teixeira também sinaliza com um novo planejamento, mas a verdade é que a falta do tal planejamento já aproximou Roberto Carlos do Corinthians.

Apesar dos projetos apenas no papel, de situação e oposição, há grande receio para o próximo pleito na cúpula de Marcelo Teixeira. Membros da atual direção estão preocupados com tudo que se circula pela imprensa e possa prejudicar - até o parceiro Sonda, nos corredores, trabalha pela manutenção do atual presidente. Certo é que será a eleição mais acirrada da década.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A nova reforma de Muricy


Contra o Grêmio, nesta quarta-feira, o Palmeiras tem sua última chance. Não há espaço para qualquer deslize e, mesmo nove pontos, dificilmente, trazem o título brasileiro para o Palestra Itália. Muricy Ramalho sabe disso e possivelmente deixe o conservadorismo de lado, fazendo nova reforma do time que liderou o torneio por 19 rodadas.

A expectativa, além da volta de Pierre, é pela troca de um zagueiro ou volante por Deyvid Sacconi, que entrou bem contra o Sport. Parece tarde demais a tentativa de tornar o Palmeiras um time envolvente, como era com Jorginho, e deixou de ser com Muricy. O técnico reclama a ausência de Cleiton Xavier, mas o fato é que, mesmo antes da derrota contra o Santo André, a equipe jogava mal e acumulava resultados ruins - ou mesmo ganhava sem jogar bem.

Havia, sim, opções para tentar fazer o time andar mais antes. Faltou dar confiança e ritmo a Marquinhos, uma chance real para Deyvid, quem sabe recuperar Willians ou Lenny, e até mesmo experimentar um 4-2-3-1 que ele chegou a anunciar, e poderia ter Armero na meia, mas nunca aconteceu. Cruzando bolas na área, sumiu de vez a chance de fazer Vagner Love desequilibrar.

Hoje, o Palmeiras de Muricy é o espelho do São Paulo que caiu contra o Cruzeiro, na Libertadores. Um rascunho de time, que deve se dar por satisfeito se terminar o Brasileiro em terceiro ou mesmo quarto lugar.