sábado, 29 de setembro de 2012

Raça, Love e paixão*



Os jogos remarcados marcaram aquele Campeonato Brasileiro 2007. Entre agosto e setembro, o Flamengo teve de jogar 15 vezes e iniciou uma impressionante arrancada que começou próxima da zona do rebaixamento e terminou com a vaga na Copa Libertadores. Com grandes defesas de Bruno (pois é), a liderança de Fábio Luciano, os apoios de Léo Moura e Juan, os gols de Souza e a bola redonda de Ibson. O comando salvador de Joel Santana. Com o Maracanã, aliado de todas as horas. Com o marcante "raça, amor e paixão, oh meu Mengo". 

A noite da última quarta-feira fez lembrar 2007 no Rio de Janeiro. Era o Engenhão, mas o canto que surgiu há cinco anos ainda estava ali em jogo remarcado. Dorival Júnior, a exemplo de Joel, teve um início difícil mas parece ter achado a mão. Contra um Atlético-MG que quase sempre traz boas vibrações, o Flamengo se fortaleceu, marcou de maneira impressionante e jogou de forma coletiva, ainda que nem tão organizada. Com a fibra e a concentração dos gringos Cáceres e González, a presença de espírito de Liedson, Léo Moura na meia esquerda, o corredor Wellington Silva e até um novo Cléber Santana depois de nove meses redentores com o Avaí. 

Mas nada comparável a Vagner Love. Intenso, solidário, desta vez preciso e, principalmente, decisivo. Homem de 23 gols na temporada, de 25 jogos em 26 rodadas do Brasileiro e que joga pelo time, por ele e pela torcida. Que viveu, com a Seleção no Maracanã, nas Eliminatórias, momentos difíceis. Mas que, apesar do passado na base do Vasco, nasceu para vestir rubro-negro e ainda tem muito a dar pelos rubro-negros. 

A reação parece ter chegado tarde demais, mas o flamenguista tem o direito de sonhar como sonhou e realizou em 2007. A 10 pontos da quarta posição e com 12 rodadas por fazer, jogar a Libertadores 2013 parece algo muito distante. Mas é um Brasileiro que parece ter apenas três equipes, com Fluminense, Atlético-MG e Grêmio. Quem sabe o Fla, da raça, da paixão e de Love, seja o quarto. A vaga está aberta.

Foto: Alexandre Loureiro - Vipcomm

Publicado no Blag do Mauro Beting

Do Olheiros: Santos e a forçada de barra com Gabigol


Entrevistas, fotógrafo e multa rescisória superior a R$ 100 milhões apenas para chamar a atenção. Tudo isso para que Gabriel Barbosa, o Gabigol, assinasse o primeiro contrato profissional, aos 16 anos, na tarde desta terça-feira. Nem mesmo funcionários importantes da base do Santos, e que convivem diariamente com Gabriel há anos, concordam com a atitude da direção santista. 

Como em outros momentos, o Santos tenta pautar parte da mídia diante de uma fase bastante ruim do ponto de vista administrativo. O elenco profissional se desfez como cabana na areia desde a queda na Copa Libertadores, o time sequer atinge o top 10 do Campeonato Brasileiro e o caríssimo Muricy Ramalho tem duas vitórias sem Neymar na competição. E ainda tinha o caso Ganso...

Com ações que vão de encontro à ética, a direção santista tentou até onde pôde e conseguiu transferir a Paulo Henrique Ganso todo o ônus da transferência para o São Paulo. A obsessão de transmitir à torcida que Ganso desejava sair só foi completada quando ele próprio, contra a parede, pediu para deixar a Vila Belmiro na última quinta. E aí surge Gabigol. 

Diante de investida fortíssima do São Paulo para também contratá-lo, o Santos contrariou até uma própria política para manter Gabriel Barbosa, que agora tem 40% de seus direitos econômicos. Há não muito tempo, vale lembrar, a direção santista publicou matérias em que se vangloriava de ter 70 ou 80% dos direitos de todos os jogadores da base. De Gabigol, tem 60%. 

O diagnóstico interno, de quem convive com Gabriel no dia a dia, também é de que o jogador foi superestimado – ou mesmo usado como remédio contra a crise - pela diretoria. As informações dão conta de um possível ótimo jogador, quem sabe grande. Mas nada que justifique tanta badalação por conta da assinatura de um contrato. Nada a ponto de ser a “next big thing” do futebol brasileiro. 

Mesmo após ser a principal figura no título da Copa Brasil Sub-15 no início do último ano, Gabriel Barbosa foi deixado de lado e teve pouco espaço nas convocações de Marquinhos Santos para a seleção brasileira. Não foi ao Sul-Americano da categoria e, na transição infantil-juvenil, na Vila Belmiro, teve muitas dificuldades. Chegou a sentar no banco de reservas. 

O diagnóstico da comissão técnica santista, que também havia trabalhado com ele na categoria sub-15, era de que Gabriel não teria grandes chances de virar um jogador de ponta caso continuasse a jogar como meia. A falta de uma leitura de jogo qualificada e capacidade de organização foram razões para que Gabigol virasse atacante em 2012. Com força física e grande poder de definição, ele é internamente comparado a Hulk, e não a Neymar. Subiu de produção novamente. 

O caso de Gabriel remete a outros em que a direção santista tenta proclamar seus talentos da base, que não são poucos, como se eles fossem colhidos em árvores plantadas na Rua Princesa Isabel, bem diante da Vila Belmiro. O mesmo Santos, vale lembrar, que perdeu dois titulares importantes de sua geração /96 – um deles para o São Paulo - e ainda dispensou o terceiro por grandes suspeitas sobre sua documentação.


Foto: Bruno Giufrida - Santos FC

sábado, 22 de setembro de 2012

Ganso é 8


Meu pai é do tempo que camisa 8 é uma coisa e o 10 é outra. E isso me ensinou cedo. Entender que são funções que se completam exige uma volta no tempo, ao 4-2-4. Um volante, um armador (número 8), dois pontas, um ponta de lança (número 10) e um centroavante. É diferente como Didi e Pelé, como Dudu e Ademir da Guia. Em fase de transformações profundas, Paulo Henrique Ganso tentará se redescobrir no Morumbi com um número diferente às costas.

Definido como camisa 8, buscará o futebol que as lesões, as desavenças e as teimosias dele levaram na Vila Belmiro. Com as presenças de Jadson, Lucas e Luís Fabiano como elementos praticamente indispensáveis, Ganso deve mesmo, e cada vez mais, ser mais 8 que 10. É assim que ele gosta, inclusive.

Muricy Ramalho, em uma de suas frases feitas, dizia querer Ganso sempre na área, para finalizar e definir. Como camisa 10. Ganso prefere armar o jogo mais distante, encontrar o passe perfeito na intermediária ofensiva e, assim, também não ter de retornar tanto para fechar os espaços. Ganso prefere ser o 8.

No Morumbi, o melhor passador do futebol brasileiro tentará fazer passar também as incertezas que ele próprio deixou surgir desde sua fatídica lesão no Estádio Olímpico naquele fim de agosto, há dois anos. A transferência de R$ 23 milhões só aconteceu porque Ganso, enfim, se posicionou. Disse não à tardia boa oferta do Santos. Disse não ao Grêmio. Disse sim ao São Paulo. Disse “quero partir” aos santistas. Resta dizer “quero ser novamente um craque”. Um craque de camisa 8 e de futebol nota 10 que meu pai e toda sua geração sentem saudades.

* Publicado no blog do Mauro Beting

Crédito da foto: site oficial do São Paulo

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Do Olheiros: São Paulo contrata em atacado

Deu a louca em Cotia
Insatisfeito com times sub-20 e sub-17, São Paulo contrata mais de 10 reforços para a base

Até bem pouco tempo, o São Paulo se dizia um clube de exceção à regra que domina as divisões de base do Brasil: “enquanto os outros contratam aos 16, 17 e até 18 anos, nós formamos desde os 14”, afirmava a direção de Cotia, orgulhosa de sua formação e de seu processo de captação com escolinhas conveniadas pelo país. Nos últimos dias, depois de capitalizar o terceiro fracasso em grandes competições no ano, o clube radicalizou.

Segundo contabilidade do Olheiros em monitoramento do BID, na CBF, são 14 reforços confirmados de jogadores que chegam com idade para a próxima Copinha. Os mais badalados atuam no meio-campo: Robertinho, volante /96 ex-Vitória e que deixou o Santos recentemente, e Lucas Evangelista (foto), um dos três provenientes do Desportivo Brasil. Até a categoria sub-15, Lucas jogava pelo próprio São Paulo.

Há razões bastante claras para a investida voraz dos são-paulinos ao mercado da base: com João Schmidt, Rodrigo Caio, Lucas Farias, Luiz Eduardo, Henrique Miranda e Ademílson entre os profissionais, além da negociação de Lucas Piazon com o Chelsea, pouco restou de qualidade às gerações /93, /94 e /95. “Quem tem potencial, não está comprometido. Quem está comprometido, não tem qualidade”, disse à coluna uma das lideranças em Cotia.

Ciente das fraquezas, René Simões destacou quatro observadores para fazer uma varredura na última Taça BH. Vários dos nomes contratados provêm desse monitoramento: Victor Juffo e Tiago Moura, da linha ofensiva do Rio Branco-ES, foram responsáveis pelo maior vexame são-paulino, batido por 2 a 0 diante da equipe capixaba. Do Guarani também chegam a Cotia o volante Eduardo e o atacante Adelino, que pegaram os são-paulinos em Minas. Adelino, aliás, era desejo antigo do São Paulo e assinou o vínculo mais longo, até 2017.

Na sequência de Fábio Lima, que pertencia ao Icasa e veio para os juniores via Atlético-GO em julho, a direção de Cotia ainda buscou o meia e lateral Bismarck. Da Bahia, chegam Joelton, meia que também já atuou no Cruzeiro, e Gustavo Nunes, goleiro. Do rival Palmeiras, o zagueiro Guilherme Almeida, titular na última Copa São Paulo. O arrastão são-paulino ainda contou com a formalização de parceria com a Traffic.

Do Desportivo Brasil chegam o zagueiro Diego Carlos e o lateral e volante Daniel Chula, que também participaram da última Copa São Paulo. E ainda retorna Lucas Evangelista, o negócio mais badalado: meio-campista de grande técnica, joga de armador ou volante, fez estágio no Manchester United e tem uma perna esquerda rara. Seu contrato é de dois anos e tem potencial de seleção brasileira.

Caçula da lista, o /96 Robertinho chegou do Santos há poucos dias depois de se recusar a assinar o contrato profissional. Foi mais um jogador do time campeão brasileiro sub-15 a partir da Vila Belmiro – Gabriel Barbosa, o Gabigol, ainda não fechou o acordo. Volante técnico, mas com fama de pouco competitivo, Robertinho será submetido ao processo de formação do São Paulo para não ser um novo Casemiro.

As contratações em atacado, com mais de um time de reforços, deixam uma mensagem a nomes como Allan, Arthur, Mirrai e outros que devem perder espaço, mas também alimenta a competição que tanto falta em Cotia. Servem, ainda, como a assinatura de um atestado de incompetência após eliminações vexatórias na Copa São Paulo, na Taça BH e no Paulista Sub-17, todas em 2012. O São Paulo jogou a toalha: só formar não é o bastante.

Firulas

#1
Relação completa, com ano de nascimento. Contribuição do colega Jonatan Androwiki

Daniel Chula – volante e lateral-direito – ex-Desportivo Brasil – 1993
Lucas Evangelista – volante e meia – ex-Desportivo Brasil – 1995
Diego Carlos – zagueiro – ex-Desportivo Brasil – 1993
Adelino – atacante – ex-Guarani – 1994
Eduardo – volante – ex-Guarani – 1995
Guilherme Almeida – zagueiro – ex-Palmeiras – 1993
Bismarck – meio-campo – ex-Icasa – 1993
Gustavo Nunes – goleiro – ex-Bahia – 1994
Joelton – meia – ex-Bahia – 1993
Andinho – atacante – ex-Villa Nova-MG – 1994
Victor Juffo – meia – ex-Rio Branco-ES – 1993
Tiago Moura – atacante – ex-Rio Branco-ES – 1993
Uira de Oliveira – zagueiro – ex-Madureira – 1993
Robertinho – volante – ex-Santos – 1996

#2
Mais uma semana se passou e a CBF segue sem se posicionar para os cargos vagos após as saídas de Ney Franco e Marquinhos Santos. Faltam menos de quatro meses para o Sul-Americano Sub-20 e há grande preocupação pela falta de um comando na categoria. O principal motivo para o temor é a falta de jogadores decisivos depois da leva com Neymar, Oscar e Lucas. O trabalho de um treinador será fundamental na caça ao tetracampeonato continental.

A camisa 9 persegue Luís Fabiano


Com 21 gols, Luís Fabiano foi o artilheiro da era Dunga à frente da Seleção. Fez uma ótima Copa do Mundo na África do Sul, mas nunca mais voltou a vestir a camisa amarelinha. Nesta quarta-feira, contra a Argentina, tem a primeira chance com Mano Menezes. Se a chance para ele é grande, maior ainda é para Mano: encontrar um camisa 9 experiente, confiável e que aumente a faixa etária do ataque.

É verdade que Leandro Damião foi o artilheiro da Olimpíada e tem números importantes, mas a questão que parece perseguir Mano é: será possível ganhar a Copa do Mundo com apenas garotos como Neymar, Lucas, Oscar e Damião, todos abaixo dos 23 anos? O fato é inédito na história dos campeões mundialistas e, ao aumentar o espaço para Hulk no time, o treinador também parece se dar conta disso. Luís Fabiano é o 15º atacante chamado por Mano.

Ele reestreia contra um adversário que traz boas lembranças: foi contra os argentinos, em setembro de 2009, que Luís marcou seus dois gols contra o maior rival brasileiro e venceu por 3 a 1, em Rosário. O Fabuloso oferece seu espírito brigador, profundidade ao ataque, exímio poder de finalização e até uma dose de malandragem que falta a todos seus concorrentes. Jogará com Jadson e Lucas, que lhe deram respectivamente sete e três assistências para os gols com o São Paulo no ano.


As maiores interrogações são sobre suas condições físicas, afinal terá 33 anos na Copa do Mundo de 2014 e, só nesta temporada, perdeu 21 jogos por conta de lesões. Quando está em campo, é letal: fez 25 gols em 31 jogos neste ano – só perde para o santista Neymar e Souza, do Bahia. No Brasileirão, a cada quatro finalizações, faz um gol. Pode ganhar a 9 da Seleção a partir desta noite.


* Publicado no blog do Mauro Beting

Foto: Vipcomm

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Os cinco coroas da Liga dos Campeões*




Manchester City
Roberto Mancini tem time já bastante maduro um elenco ainda mais qualificado à disposição. Chegaram os brigadores Rodwell e Javi Garcia, e se foi o briguento De Jong. Maicon e o sérvio Nastasic chegaram do futebol italiano para dar mais boas opções defensivas ao treinador que também é italiano e tenta fazer o City chegar ao mata-mata. Se deram vexame na última temporada quando jogaram fora da Inglaterra, os Citizens voltam a um grupo duríssimo pela segunda edição seguida e dividem chave com Real Madrid, Borussia Dortmund e Ajax.

Juventus
A campeã nacional invicta entra muito mais por uma cota que quase sempre deve ser ofertada aos italianos do que pela força dos clubes de seu país nesse momento. Pela primeira vez com apenas três vagas na Liga dos Campeões, que viraram duas após o vexame de Maicosuel e da Udinese, a Itália sabe que só pode apostar fichas na Juventus. As referências, Pirlo e Buffon, novamente terão seus fôlegos testados, mas contam com o vigor de Marchisio-Vidal no meio e da boa zaga a três com Bonucci-Barzagli-Chiellini. Antonio Conte, suspenso, pode receber Fernando Llorente em janeiro.

Bayern de Munique
Apesar da traumática derrota para o Chelsea em maio, o Bayern não fez destruições em cima de sua tragédia. Pelo contrário, só agregou: reforços como Shaqiri, Dante, Pizarro, Mandzukic e especialmente Javi Martínez, o zagueiro-volante de 40 milhões de euros, se somam ao talentoso elenco de Jupp Heynckes, que também tem voto de confiança. A cobrança será forte e os bávaros têm capacidade para voltar à decisão, mas esperam que o coração do time, Bastian Schweinsteiger, deixe os problemas físicos para trás. Schwein é o jogador que transforma o time, que a 100% pode dar a Europa ao Bayern.

Barcelona
A ordem azul-grená é não mexer no que dá certo, apesar dos títulos perdidos na última temporada – ainda assim, vieram a Supercopa da Espanha, a Supercopa da Europa, o Mundial de Clubes e a Copa do Rei. Tito Vilanova chega para manter o que ajudou Pep Guardiola a fazer nos últimos quatro anos e os reforços de Song e Jordi Alba são convenientes a um clube com problemas financeiros. Com oito gols após seis jogos na temporada, Lionel Messi já dá demonstrações de que pouca coisa mudou, a não ser o fato de que Iniesta foi eleito o melhor da Europa. O grande e velho Barça vai novamente brigar nas cabeças.

Manchester United

A mensagem do Manchester City foi clara: a exigência aumentou na Inglaterra. Por isso, e com vexame na última edição da Liga dos Campeões, o United gastou de verdade para tentar vencer por méritos e não só pela fantástica competitividade e cultura de vitória que tem sobre os adversários internos. Kagawa e principalmente Van Persie são os acréscimos de mercado e ótimo Cleverley também volta de lesão. É claro que Ryan Giggs, Paul Scholes, Wayne Rooney e Alex Ferguson asseguram o mesmo Manchester de quase sempre. Duro de ser batido e que não precisa encantar para ganhar. Com facilidades no Grupo H com Galatasaray, Cluj da Romênia e Braga.

* Originalmente publicado no Blag do Mauro Beting

Imagem: Football Wallpapers.com

O legado de Liedson para os gols corintianos no clássico



Juninho e João Vítor foram profundamente infelizes, como já têm sido. Mas há méritos quase imperceptíveis nos dois gols corintianos que deixam o Palmeiras a oito pontos de distância para a fuga do rebaixamento. Eles passam pelo pé direito de Romarinho e pela cabeçada de Paulinho, além das incríveis oito defesas de Cássio. Mas passam também por Liedson. 

No Paulista de 2011, se formava o embrião do trabalho que efetivamente pode ser atribuído a Tite - não a perda do título em 2010, tampouco a queda para o Tolima. A comissão técnica dispunha Jorge Henrique, Morais e Dentinho no 4-2-3-1, mas quem trazia a principal célula para o DNA do novo Corinthians era Liedson, recém-chegado de Portugal. 

No ápice da forma técnica, mental e principalmente física, ele desarmava de maneira dedicada. As bolas roubadas à frente, percebeu a comissão corintiana, invariavelmente viravam gols ou lances de perigo. Vídeos foram compilados para dar sustentação à tese. A final da Liga dos Campeões entre Barcelona e Manchester United, em maio, virou vídeo motivacional para os jogadores. Se Lionel Messi combatia tanto, porque Dentinho, Morais ou Emerson Sheik iriam ficar com as mãos na cintura?

No Brasileiro de 2011, apesar do declínio na reta final, Liedson terminou com média de quase dois desarmes por jogo, índice de volante. Virou exemplo para todos, o que Tite atestou quando perguntou ao grupo quem era o jogador mais admirado, e o Velho, como ele era chamado pelos colegas, venceu com facilidade. O time onde todos marcam se consolidou como o que mais roubou bolas no título nacional, junto do rival Palmeiras. 

No clássico de domingo, o primeiro gol surge de bola que Martínez disputa insistentemente com Maurício Ramos e Romarinho leva de Juninho para marcar. O segundo gol começa com desarme de Danilo, bola com Romarinho, cruzamento de Douglas e gol de Paulinho. Na região ofensiva (ver diagrama abaixo), o Corinthians roubou cinco bolas, mas o Palmeiras só duas. Na intermediária, onde Danilo desarma, mais 15 desarmes corintianos contra 12 palmeirenses. Já surgiu gol assim de Sheik contra o Fluminense, Boca Juniors e São Paulo. De Martínez contra o Santos, de Romarinho contra o Boca e por aí vai. 


A falta de objetivos no Brasileiro limita a participação corintiana, mas ainda assim o time dirigido por Tite só está atrás de cinco equipes que desarmaram mais. Nesse momento, o maior exemplo é Douglas, cuja obsessão pela marcação impressiona: ele toma a bola duas vezes por jogo, acima de qualquer outro jogador da linha de frente. Sinal de que ainda há um pouco de Liedson no Parque São Jorge.