terça-feira, 11 de março de 2008

A oportunidade para o Santos


Pode não parecer, mas a venda de Rodrigo Souto para o Lokomotiv Moscou apresentou uma possibilidade razoável no horizonte santista de 2008. Aparentemente, o Santos promete ter uma temporada bem abaixo do que se acostumou, longe da disputa de títulos, algo que caracteriza o clube desde 2002.

A saída de Rodrigo Souto, para o time, será bastante prejudicial. Após amadurecer no Figueirense, o carioca se tornou uma das referências no onze santista. Ao longo de 2007, só jogou menos que Fábio Costa, tendo atuado em 63 das 75 partidas da equipe na temporada. Rodrigo Tabata esteve em mais jogos, mas em boa parte deles saindo do banco.

Discreto, regular e eficiente, Rodrigo Souto emergia em 2008 como uma das poucas esperanças de qualidade no time de Emerson Leão. Após a saída de Maldonado, outra referência, Souto parecia o atleta ideal para o crescimento de Adriano. Hoje, teoricamente, o nome ideal para sua reposição seria Kléber, mas isso esbarra nos três atacantes que Leão tem utilizado. É muita exposição para uma defesa que tem Betão e Domingos.

Por outro lado, se reinvestidos, os quase 7 milhões de euros colhidos com o negócio poderiam resultar em um significativo aporte de qualidade para a segunda fase da Libertadores. É dinheiro suficiente para buscar dois ou três jogadores de alto nível para o padrão brasileiro. Entretanto, é quase nítido que Marcelo Teixeira dificilmente fará isso.

A árdua missão interista


Nesta terça-feira, a Internazionale entra em campo disposta a fazer um milagre. Após perder para o Liverpool por 2-0 em Anfield Road, há 21 dias, os neroazzurri precisarão atingir o que só o seu rival Milan, de quatro edições de mata-mata da Liga dos Campeões pra cá, conseguiu fazer: três gols na equipe de Rafa Benítez, como na final de 2004/05. Naquele dia, porém, a vitória foi dos Reds, nos pênaltis, na mítica decisão de Istambul. Dois gols a zero, claro, levariam a decisão para os pênaltis.

Entretanto, o Liverpool mostra uma consistência européia absolutamente impressionante. Mesmo quando em momentos ruins no âmbito nacional, os Reds crescem de modo absurdo quanto o assunto é torneio internacional. Justamente isso, curiosamente, vem faltando à Internazionale, eliminada por Valencia e Villarreal nas duas últimas edições da Liga dos Campeões.

Um dos grandes trunfos da equipe de Rafa Benítez é a solidez defensiva. Sem ser retranqueiros, os Reds têm ótimo retrospecto: em 17 jogos de mata-mata desde a edição 2004/05, foram só 12 gols sofridos. Se excluída a temporada 2005/06, quando caiu prematuramente diante do Benfica, os números ficam ainda mais assombrosos: nove gols sofridos em 15 duelos europeus. Reina e Carragher, especialmente, costumam crescer nessas partidas.

Por isso e muito mais, a tarefa da Internazionale parece quase impossível.


Texto sobre o centenário da Internazionale de Milão

sexta-feira, 7 de março de 2008

Colunas da semana

Na Trivela, um paralelo sobre as situações de Flamengo e São Paulo e uma análise do futebol contemporâneo no Brasil.

Clique aqui para ler

No Olheiros, os problemas da Lei Pelé e o assédio merengue ao jovem Coutinho, promessa sub-17 do Vasco.

Clique aqui para ler

quinta-feira, 6 de março de 2008

Folha versus Luxa

Que Vanderlei Luxemburgo e a Folha de São Paulo não se amam todo mundo já sabe. Em algumas oportunidades, o treinador já fez questão de explicitar sua insatisfação em razão da forma com que é sistematicamente abordado no jornal número um do país.

Ao longo de fevereiro, este blogueiro seguiu atentamente as manchetes e matérias da Folha de São Paulo. Em 29 dias do mês, Luxa foi citado no título de 13 diferentes reportagens, quase sempre com conotação negativa.

Em um mês em que o Palmeiras colheu resultados bastante irregulares, o jornal preferiu só focar os momentos ruins do treinador. É óbvio que Vanderlei Luxemburgo é um sujeito bastante polêmico e indiscutivelmente controverso e de relações nebulosas. Contudo, o jornalismo deve e precisa ser mais honesto.

Veja as matérias e tire suas próprias conclusões:

04/02
Palmeiras: Após bronca, Luxemburgo agora afaga os palmeirenses http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0402200807.htm

08/02
Luxemburgo perde a unanimidade

09/02
Luxemburgo fala em reabilitação, sem dizer quando http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0902200811.htm

10/02
Alex Mineiro faz 3 e alivia Luxemburgo http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1002200813.htm

11/02
Luxemburgo reclama de juiz e diz que dará pito em Valdivia http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1102200815.htm

14/02
Pontaria ruim faz Luxemburgo berrar em treino do Palmeiras http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1402200806.htm

22/02
Luxemburgo recebe seu oitavo

26/02
"Carnavalesco", Luxemburgo tumultua a Vila

26/02
Tapetão: "Não quero ser cobaia", diz treinador sobre versão de árbitro

26/02
Técnico perde ofensividade no Palmeiras http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2602200807.htm

27/02
Copa do Brasil desafia estrelato de Luxemburgo

28/02
Luxemburgo pode ficar 1 ano suspenso

29/02
Palmeiras: Luxemburgo esconde equipe para o clássico

quarta-feira, 5 de março de 2008

Os sete classificados da LC

Roma: Atuação impecável em pleno Bernabéu e a consolidação do ótimo trabalho do Spalletti. Tem alma e técnica para peitar qualquer um dos principais favoritos e mantém um italiano na briga.

Schalke: Resultado surpreendente, mas depende do sorteio para eventualmente pensar em semifinal.

Chelsea: Provavelmente, o time de Avram Grant terá uma possibilidade concreta de ter um grande jogo para provar se está pronto a ponto de vencer a Europa.

Arsenal: Foi superior nas duas partidas e deu claras mostras de que pode bater qualquer adversário. Vive um momento muito especial.

Barcelona: Curiosamente, o Barça está correndo por fora. Ou estava. Com o time que tem, em que vários jogadores de classe mundial podem definir, tem totais e reais condições de ir até a final.

Fenerbahçe: Fez por merecer a melhor campanha de sua história. Joga com muita determinação e tem feito dessa uma de suas maiores virtudes. Já era a hora dos Canários fazerem uma grande temporada européia e Alex e Deivid têm sido protagonistas.

domingo, 2 de março de 2008

Valdívia decidiu!


Há poucas semanas, este blog questionava a importância de Valdívia nos lances de fato importantes para o Palmeiras. Desde então, curiosamente, o chileno vem em grande e iluminada fase. Contra o Corinthians em clássico celebrado por surpreendentes 50 mil pessoas no Morumbi, se não foi constante, o Mago foi crucial nos momentos mais agudos. Especialmente, claro, no gol.

Essa é apenas uma das lições do clássico de maior rivalidade na capital paulista. Pelos lados verdes, Denílson foi uma boa mexida de Luxa, assim como o elétrico Kléber foi importante quando a zaga corintiana já tinha a língua de fora. Além dele, Henrique foi o ponto alto do sistema defensivo palmeirense, praticamente intocável diante da fragilidade do ataque corintiano. Léo Lima, disposto e "mais protegido", rendeu surpreendentemente bem e lutou bastante.

No Corinthians, ainda que possa se criticar o pouco arrojo de Mano, pouco dispunha de material humano, o alvinegro, para jogar lá na frente, pressionando o Palmeiras. Certamente aí um sinal do que fazer para a Série B. Chicão e especialmente William fizeram um ótimo jogo, assim como Júlio César colocou fim às dúvidas com outra atuação notável embaixo dos paus. Após três temporadas no marasmo, JC provou porque, na base, era o titular à frente de Marcelo.

Para o fraco desempenho ofensivo corintiano, talvez se possa criticar as baixas atuações de Lulinha e principalmente André Santos, assim como a recorrente subestimação ao futebol do menino Éverton Ribeiro. A derrota do time de Mano Menezes, contudo, não pode e não deve significar algo trágico. Talvez estivesse no script.

Além de Valdívia, vale reconhecer o bom olhar de Luxemburgo para o clássico. A escalação inicial foi irretocável e, as mexidas após o intervalo, cirúrgicas. Para a briga pelo G-4, tudo parece indefinido. Corinthians, Palmeiras e São Paulo podem chegar. Juntos, inclusive.

A importância de Seedorf


Clarence Seedorf foi tão ou mais importante que Kaká na última Liga dos Campeões. Especialmente nos jogos de volta diante de Bayern de Munique e Manchester United, o holandês, campeão do torneio por três clubes diferentes, foi notável, provando ser diferenciado nos gramados europeus. Na próxima terça-feira, a possível ausência de Seedorf é o maior problema para Carlo Ancelotti manter os rossoneri na briga por mais uma LC.

A presença de Seedorf como um jogador decisivo no último terço do campo foi o ponto crucial para que o Milan tivesse sucesso na transição do 4-3-1-2 antigo, com Crespo e Shevchenko, para o ainda utilizado 4-3-2-1, com o holandês ao lado de Kaká como meia-atacante. Obrigatoriamente, Ancelotti precisará imaginar uma estratégia diferente para vencer o fortíssimo Arsenal em San Siro e avançar para as quartas.

A não ser que confie no francês Gourcuff ou até no brasileiro Serginho, o que parece improvável, Ancelotti deve dar mais liberdade para Alexandre Pato, com a entrada de Inzaghi ou Gilardino, trombando entre os zagueiros ingleses. No Emirates Stadium, Pato foi naturalmente incapaz de ser impor, solitário e sem espaço entre a dura marcação de Gallas e Senderos.

Talvez, o desfalque de Seedorf seja bom para o brasileiro. Contudo, indubitavelmente, o melhor seria contar com o holandês, hors concours quando o assunto é Liga dos Campeões.