segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Dérbi de Pandev


Foi uma semana longa de espera para o tira-teima entre Milan e Internazionale e a expectativa de que Ronaldinho Gaúcho deixasse os dois rivais empatados em pontos perdidos no Italiano. E ao rolar da bola, a partida do mês justificou a previsão de um belo duelo, com treinadores estrangeiros tornando o confronto mais aberto que nos tempos de Roberto Mancini e Carlo Ancelotti. Nesse cenário "lá e cá", ninguém brilhou mais que Pandev, o personagem da noite milanesa no San Siro.

Quis o destino que Goran Pandev deixasse Appiano Gentile em 2004 atrás das oportunidades que não teve com a camisa neroazzurra. Contratado como a grande alternativa ao posto de Eto`o, quase seis anos após sua saída, Pandev mostrou em campo todo o seu valor. É ele quem enfia a bola venenosa que fez Abate se confundir e presentear Diego Milito. No momento agudo do dérbi, é o macedônio que tira um coelho da cartola e mata Dida na cobrança da falta. Mas não foi só.

A prematura expulsão de Sneijder, por reclamação tola, ainda na primeira etapa, poderia ter provocado um grande vazio entre o meio e o ataque da Inter, mas havia Pandev em campo. O atacante foi a cola entre os dois setores, fazendo com que os contragolpes interistas sempre deixassem a defesa do Milan, desguarnecida por Nesta ausente, em estado de pânico. Essa circunstância foi decisiva para a atual tetracampeã ter o controle do jogo mesmo quando posicionada mais atrás.

Por mais que a vitória no dérbi aproxime a Inter de seu quinto título em sequência, o Milan merece elogios pela recuperação e mesmo pela atuação no clássico. Pesaram, principalmente, a falta de opções melhores para as laterais e o lugar de Nesta, além de um centroavante mais confiável e decisivo que o esforçado Borriello, mas o time seguirá sua toada de pressionar a líder. Uma condição que ainda é interista, principalmente, pelo que fez Pandev neste domingo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A imagem do jogador brasileiro


Robinho já diz a quem queira ouvir que vai retornar ao Brasil, ainda que o Manchester City, até a publicação deste post (15h30), não tenha se pronunciado oficialmente. É o grande trunfo do jogador na tentativa de manter a confiança que Dunga deposita nele, cuja titularidade é ameaçada pela boa fase de Nilmar e também pelo que tem feito Ronaldinho Gaúcho nos últimos tempos.

Se confirmada, a volta de Robinho ao futebol brasileiro é mais uma péssima imagem que os jogadores do país pentacampeão dão aos clubes europeus. Não à toa, tradicionalmente, os atletas que saem do Brasil têm preço de mercado abaixo aos argentinos, cuja adaptação à Europa ocorre de forma mais natural. Em quatro anos no Velho Continente, Robinho movimentou algo próximo de 100 milhões de dólares com suas duas transferências, mas raramente foi um jogador decisivo. Pior: taticamente, também nunca se mostrou disposto a seguir as instruções de seus técnicos.

Curiosamente, Alex Silva, retornando ao São Paulo, é outro dessa turma. O Hamburgo, há um ano e meio, gastou algo acima de 15 milhões de euros para levá-lo junto a Thiago Neves para a Europa. Nenhum dos dois nomes se mostrou útil ao elenco hamburguês. Alex fez bico quando ouviu que precisaria atuar como volante. Thiago reclamou do tratamento concedido por Martin Jol, seu treinador na época.

Por essas e outras, atletas como Sylvinho, companheiro de Robinho no City, devem ser vangloriados. O lateral, que acaba de fazer um golaço contra o Scunthorpe, já está na Europa há 12 temporadas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Excesso de contingente


O Grêmio faz um esforço financeiro bastante razoável para contar com o meia Douglas em seus quadros na temporada 2010. As tratativas entre os dois clubes estão 99% definidas e o ex-camisa 10 corintiano deve pôr os pés na Azenha. Se há casos em que um clube pode dar um tiro no pé com um movimento errado, este parece ser um deles.

O elenco gremista, a despeito da inesperada venda de Douglas Costa para a Ucrânia, é repleto de boas opções no setor de meio-campo. Mais que isso: tem vários jogadores com expectativas de titularidade, o que pode vir a ser um problema para o ainda inexperiente Silas em seu vestiário.

Souza tem um ego e uma língua difíceis de se domar. Hugo e Borges deixaram a tranquilidade do São Paulo, justamente, para poder jogar mais. Não será possível contentar todos os gostos, até porque Douglas, a ser oficialmente confirmado, certamente voltará ao Brasil afim de atuar como titular. Há ainda Leandro e William, por quem o Grêmio fez um esforço financeiro, entre outras opções secundárias. Mais prudente seria encontrar um jogador disposto a sentar no banco e a conquistar seu espaço em médio prazo.

Ao se referir a muitas opções nesse momento, também cabe citar o Corinthians, que parece ter tomado cuidados diferentes. Mais jovens como Dentinho e Defederico podem reclamar oportunidades em algum momento, mas o elenco como um todo parece ciente da ambição alta para a temporada, dos vários jogos a fazer e da rodagem na escalação. Além de tudo, Mano Menezes domina o vestiário e é respeitado pelas principais lideranças do elenco.

O Grêmio e Silas que se cerquem de cuidados.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Oscar inglês


Considerado a grande revelação do Manchester City nos últimos anos, Daniel Sturridge deixou a cidade mancuniana no último verão para se tornar jogador do Chelsea. A transferência aconteceu por conta do fim de contrato de Sturridge com os Citizens. Portanto, saiu de graça, certo? Não, errado!

Nesta semana, um comitê especializado determinou que o Chelsea precisará pagar 3,9 milhões de euros pelo jogador, hoje com 20 anos, em um montante que pode alcançar até 7 milhões de euros a depender do número de jogos de Sturridge e eventuais participações com a seleção inglesa.

A legislação do futebol britânico protege a sete chaves o direito do clube formador, que sempre precisa ser indenizado em uma transferência livre de um atleta sub-23, por mais que Sturridge tenha agido de forma legal de acordo com a Lei Bosman.

Uma lição interessante que poderia ser aplicado em terras brasileiras. O Santos, por exemplo, joga a Copa São Paulo com pelo menos sete titulares formados em outros clubes, muitos deles contratados por brechas contratuais com custos muito baixos. Algo impensável para a realidade inglesa, onde o clube formador recebe o que lhe é de direito.

O que esperar de VAGNER LOVE no FLAMENGO


O título "O que esperar de Vagner Love no Palmeiras" ainda estava memorizado no computador de onde o blogueiro envia este post. Pois é, Love mal passou pelo Parque Antártica e já respira os ares cariocas. Apresentado como grande reforço do Flamengo para a Copa Libertadores, o centroavante vai em busca dos gols que o torcedor brasileiro não vê ele fazer há um bom tempo.

Por mais que Love tenha jogado grande futebol pelo CSKA Moscou em 2008, para os brasileiros a imagem que se tem é a pior possível, unindo a trágica não-transferência para o Corinthians em 2005, o fiasco como centroavante de Dunga e agora a frustrante volta ao Palmeiras. Brilhar na Gávea é algo como a última chance de recuperar um prestígio apagado e esquecido no tempo.

Vagner Love, que ganhava algo perto de meio milhão por mês no Palmeiras, é um atacante de grande potencial, poucos duvidam. Resta saber se terá, no Flamengo, a concentração e a tranquilidade que lhe faltaram em 2009. Ótimo no corpo a corpo, rápido e intuitivo, precisa da confiança e da sequência que Andrade parece nele depositar.

Com Love, o Fla também deve ganhar um novo desenho tático. Agrada a possibilidade de um meio-campo em losango, com um volante preso e mais Willians e Kléberson suportando um Petkovic solto. Um time, do meio para a frente, fortíssimo, mas com um vestiário que sempre inspira grandes cuidados.

O que esperar de GIOVANNI no SANTOS


É difícil mensurar a representatividade de Giovanni para o Santos. No que foi o momento mais complicado da história santista, da esquecível política pés no chão, o torcedor do clube encontrou um ídolo de verdade, que só não ganhou um Campeonato Brasileiro quase sozinho por um condenado erro de arbitragem.

O jeito introspectivo de Giovanni, para os santistas, é melhor que qualquer marketing. No retorno à Vila Belmiro em 2005, após vários anos de Europa, o Messias reforçou os laços com o clube e com os torcedores, jogando um belo futebol na pior temporada santista entre 1999 e 2007. Sem brigar por títulos, o camisa 10 agradou novamente.

Trazer Giovanni de volta tem um peso grande em resgatar o orgulho do desacreditado torcedor santista em razão dos últimos dois anos. Qualquer erro do ídolo será perdoado, mas a tendência é que a parte física diga qual é o Messias que retorna para encerrar uma carreira então já encerrada. Mesmo no Mogi Mirim, ele ficou aquém, principalmente porque suportava pouco.

Tecnicamente não há dúvidas sobre Giovanni, tipo de jogador que agrega em qualquer ambiente. A aposta em utilizá-lo como falso centroavante é adequada e o desempenho dele no jogo treino contra o Paulista de Jundiaí mostra isso. No primeiro lance, ele sai da área e dá belo passe ao jovem Breitner. No segundo, enfiado, tira da cartola uma finalização perfeita, com um toque de classe que nem cinco camisas 9 do Brasil têm hoje.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Até onde vai a razão do São Paulo


É correto e normal atribuir ao São Paulo a razão nas disputas jurídicas com Oscar, Diogo e Lucas Piazon. O investimento realizado nos atletas é grande e a confiança depositada também. Além disso, todos os contratos, procurações e coisas do gênero foram assinados em circunstâncias legais. Nenhum dos jogadores recebeu ameaçadas para isso. É importante reconhecer, no entanto, alguns vacilos são-paulinos nas histórias.

Oscar certamente se cansou de aguardar uma oportunidade entre os profissionais, que já deveria efetivamente ter acontecido no último segundo semestre. Com o time em crise, ele entrou bem contra o Corinthians e deu passe de calcanhar para Richarlyson. Na pressão dos Aflitos contra o Náutico, também mostrou as qualidades que tem de sobra. Mesmo assim, nunca esteve nos planos efetivos, tanto que a direção apostou nos problemáticos Léo Lima e Carlinhos Paraíba, ambos meias como ele.

Oscar não estava disposto a aguardar as oportunidades que Aislan e Sérgio Mota, destaques de sua geração, até hoje esperam. Sérgio fez grande papel com o pobre Toledo no Campeonato Paranaense do ano passado, mas o São Paulo jamais mostrou ter um plano para ele, o jogador mais talentoso e inteligente entre os /89 e /90 de Cotia.

Diogo, com bem menos pompa que Oscar, estava ainda mais fadado ao obscuro. Lateral esquerdo como ele, Alex Cazumba, um ano mais velho, hoje se esconde no futebol dos Estados Unidos. Bruno Formigoni, capitão do time sub-15 e sub-17, também está emprestado para o Japão.

Qualquer jogador tem o direito de querer o melhor para seu futuro. As leis são inflexíveis, mas o mundo não. A Lei Pelé, todos sabem, deu ao atleta o instrumento de definir qualquer situação diante da Justiça.

Lucas Piazon, por sua vez, também tem lá seu fundo de razão. Deixou o Atlético-PR aos 14 para ser jogador do São Paulo, que em troca fez um contrato de gaveta para ser registrado assim que o jogador completasse os 16 anos pedidos pela Justiça. A prática, vale lembrar, é ilegal. Destaque absoluto na base tricolor em 2009, marcou 10 gols em 7 jogos do Sul-Americano Sub-15. Queria, com razão, um melhor contrato. O São Paulo lhe deu as costas. E tomou um troco.