sábado, 24 de novembro de 2007

As ausências na lista do Brasileirão


Qualquer seleção que se faça, sempre, irá resultar em discórdia. A da CBF, todavia, apresentou algumas indicações gritantes. Naturalmente, também há gente que merecia ser lembrada. O principal absurdo, em tempo, foi o esquecimento total quanto ao Cruzeiro, de Charles.

Para ler as escolhas, veja o post abaixo.

No gol:

Os três relacionados, na visão deste blogueiro, foram os mais merecedores. Fábio e Bruno, porém, fazem campanhas bastante interessantes com Cruzeiro e Flamengo, respectivamente. Não tinham como ser incluídos, mas merecem lembranças.

Nas laterais:

A direita é onde reside a menor fartura de opções. Os eleitos, de modo geral, são os que melhor corresponderam. Vale, porém, lembrar de Sidny.

Do lado esquerdo, é imponderável o deslocamento de Jorge Wagner para o meio-campo. Se fossem usados os mesmos critérios de posicionamento, Joílson também não poderia concorrer entre os laterais. A ausência gritante, porém, é do alvirrubro Júlio César, um dos melhores do torneio. Naturalmente, se colocam dúvidas sobre a indicação de André Santos, que foi regular, mas não brilhou.

No miolo de zaga:

As segmentações das posições em campo, de certa forma, criam alguns problemas. Um deles aparece na indicação de Alex Silva, que em nenhum momento do torneio jogou como quarto-zagueiro. Além disso, nada a reparar. Entre as citações dignas, três nomes: Gustavo, do Palmeiras; Chicão, do Figueirense; Zelão, do Corinthians.

Na cabeça da área:

Escandalosamente gritantes as ausências de Charles e Ramires. Os dois cruzeirenses, com facilidade, estão entre os quatro melhores do Campeonato Brasileiro. A indicação de Maldonado, desta vez, passa pelo voto inconsciente, já que a temporada inteira do chileno é apagada.

Cabem as lembranças, ainda, para: Elicarlos, Arouca, Eduardo Costa, Leandro Guerreiro, Guiñazu, Diogo e Valencia.

Nas meias:

Justíssimas escolhas, embora Jorge Wagner, sob critérios mais aceitáveis, disputasse entre os laterais. Lembremos de: Caio, Conca, Wagner e Geraldo.

Na frente:

O campeonato de Aloísio, também, não foi tão bom assim. Não fossem as lesões, Borges teria lhe tomado a preferência de Muricy, provavelmente. Kléber Pereira, Souza e Roni, com tranqüilidade, seriam opções mais razoáveis.

Craque:

Valdívia é muito bom e encanta bastante gente. Porém, não fez nada sobrenatural para merecer tal indicação. Miranda, pouco notado, seria uma indicação mais pertinente e até mesmo Felipe, de repente, também pudesse entrar na briga.

Revelações:

Os conceitos que circundam esse termo são variáveis. Definir critérios, então, soam como obrigação. Felipe já tem alguns anos de estrada, assim como o são-paulino Hernanes. A única revelação legítima é Breno. Nessa briga, fatalmente, poderia aparecer Guilherme, jóia da Toca da Raposa.

Treinadores:

Indicações perfeitas.

Árbitros:

Todos os indicados, é dever dizer, tiveram falhas gritantes, como a de Paulo César de Oliveira em Fluminense e Grêmio. Sérgio da Silva Carvalho, quase unanimidade, tem pouco marketing e acabou injustamente de fora.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Melhores do Brasileirão

O prêmio entregue pela CBF, desde 2005, vai se tornando parte importante do Campeonato Brasileiro, ao contrário do fracassado "All Star Game", que não emplacou no segundo ano.

Nesta quinta-feira, a duas rodadas do fim, foram divulgados os finalistas após contabilizados os votos de jornalistas, treinadores, ex-jogadores e jogadores da seleção brasileira.

A entrega está prevista para o dia 3 de dezembro.

Os finalistas são:

Goleiro

Diego Cavalieri (Palmeiras)
Felipe (Corinthians)
Rogério Ceni (São Paulo)

Lateral-direito

Coelho (Atlético-MG)
Joílson (Botafogo)
Leonardo Moura (Flamengo)

Lateral-esquerdo

André Santos (Figueirense)
Juan (Flamengo)
Kléber (Santos)

Zagueiro pela direita

Breno (São Paulo)
Fábio Luciano (Flamengo)
Thiago Silva (Fluminense)

Zagueiro pela esquerda

Alex Silva (São Paulo)
Miranda (São Paulo)
Juninho (Botafogo)

Volante pela direita

Hernanes (São Paulo)
Maldonado (Santos)
Pierre (Palmeiras)

Volante pela esquerda

Martinez (Palmeiras)
Richarlyson (São Paulo)
Rodrigo Souto (Santos)

Meia-direita

Diego Souza (Grêmio)
Ibson (Flamengo)
Paulo Baier (Goiás)

Meia-esquerda

Jorge Wagner (São Paulo)
Thiago Neves (Fluminense)
Valdivia (Palmeiras)

Atacante

Acosta (Náutico)
Dagoberto (São Paulo)
Leandro Amaral (Vasco)

Centroavante

Aloísio (São Paulo)
Dodô (Botafogo)
Josiel (Paraná)

Craque

Acosta (Náutico)
Rogério Ceni (São Paulo)
Valdivia (Palmeiras)

Revelação

Breno (São Paulo)
Felipe (Corinthians)
Hernanes (São Paulo)

Treinador

Caio Júnior (Palmeiras)
Joel Santana (Flamengo)
Muricy Ramalho (São Paulo)

Árbitro

Héber Roberto Lopes (PR)
Leonardo Gaciba (RS)
Paulo César Oliveira (SP)

Futebol brasileiro

Como de costume, publico hoje a coluna de futebol brasileiro que vai ao ar, originalmente, às segundas-feiras na Trivela.

Para ler os textos suplementares, acesse o link.

"Auto-flagelamento palmeirense"

As extensões contratuais de Edmundo e Caio Júnior, os dois principais personagens palmeirenses ao longo do ano, estão em aberto. Em cada entrevista nas últimas semanas, no clube, a palavra Libertadores sistematicamente se repete. A presença dentro do G-4, ao Palmeiras, se tornou mais do que uma meta. É, claramente, o resultado de êxito ou fracasso no projeto iniciado pela nova diretoria no início do ano.

Delimitar as coisas dessa maneira, um ano após a briga pelo rebaixamento e, também, pelo pouco investimento realizado, não é algo justo, nem mesmo positivo. Nos últimos anos e no próprio Campeonato Brasileiro desta temporada, o Palmeiras funciona sempre melhor quando não está pressionado.

Sérgio, Thiago Gomes, Nen e Dininho; Amaral, Francis, Wendel e Michael; Valdívia e Marcinho; Enílton. Foi com este triste onze titular que, o Palmeiras, comandado por Jair Picerni, se despediu melancolicamente do Campeonato Brasileiro 2006, onde brigou diretamente contra o rebaixamento. Candinho, Tite e Emerson Leão, vale lembrar, passaram pelo mesmo Parque Antártica na temporada passada. É impossível não dizer que, um ano depois, o cenário alviverde é absolutamente oposto.

Antes em frangalhos, até mesmo politicamente, o Palmeiras tem uma direção que, embora peque em alguns momentos, é transparente e comprometida. Mesmo em situações delicadas, como com atrasos de Paulo Baier e Edmundo, a lisura interna ficou evidente. Nesse contexto, o ano bastante regular de Caio Júnior veio a colaborar.

Abrir mão do projeto do Paraná Clube, para o treinador palmeirense, se mostrou uma escolha acertada. Praticamente rebaixada na Série A, a equipe paranista assiste, de longe, ao elogiável trabalho de Caio Júnior no Parque Antártica. Por mais que às vezes não tenha o pulso correto em questões disciplinares e, junto com o time, hesite em alguns momentos, o treinador tem muitos méritos.

A positiva insistência com Pierre, apenas agora reconhecido como um bom jogador; a solidificação de Wendel como titular absoluto; a indicação e o bom uso de Makelele e Gustavo; o espaço concedido a Valdívia; a afirmação de Caio como imprescindível e, por último, a estabilização de Rodrigão, que mesmo reconhecidamente um jogador mediano, fez cinco dos últimos dez gols palmeirenses no Campeonato Brasileiro.

Como se vê, já existe um sucesso na recuperação do Palmeiras. Entre os primeiros colocados desde o turno passado, o time faz uma seqüência, de certa forma, regular e estável ao longo do Campeonato Brasileiro. Mesmo o trauma de perder jogos no Parque Antártica, nas últimas rodadas, parece sepultado.

Portanto, imaginar a vaga na Libertadores como uma obrigação - dada a grandeza palmeirense e a trajetória na competição – já é natural. Criar um ambiente em que isso esteja condicionado, além de desnecessário, pode não ser lá muito útil.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

7 perguntas para...


Dunga, treinador da seleção brasileira:

- Você diz que as outras seleções fazem o jogo da vida contra o Brasil. Porque o seu time não faz o mesmo contra as outras seleções?

- Porque, no seu time, os laterais e volantes são sempre tão presos?

- O seu perfil como jogador, de certa forma, se reflete como treinador?

- Você não acha que, para um iniciante, poderia assumir uma postura mais amistosa no contato com a imprensa e com os atletas?

- Quais as dificuldades em não ter formação, experiência, e assumir de cara o comando técnico da maior seleção do mundo?

- Você pensa em resgatar o esquema com três volantes da Copa América?

- Você tem observado Liédson, Amauri e Deivid, possíveis alternativas para o ataque?

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PS: A seção "7 perguntas para" estréia com Dunga e terá, esporadicamente, outras edições.

O gol da semana

O gol desta semana vem do Hampden Park. Christian Panucci, que ao longo da semana havia criticado o brasileiro Kaká, fez um quase milagre.

No apagar das luzes, cabeceou no fundo das redes de Craig Gordon, deixando a Squadra Azzurra - e também a França - dentro da próxima Eurocopa. De quebra, fez com que os escoces assistam aos jogos pela televisão.

Um golaço. Afinal, ainda que não tenha sido lindo, foi importantíssimo.




Agradecimentos: Braitner Moreira - Quattrotratti

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Papelão à moda Dunga


A convicção advinda da vitória sobre o Equador, embalada pelo oba oba global e pelo Maracanã lotado, como se esperava, durou muito pouco. Assim como na Copa América, em que venceu a Argentina e apagou um histórico de atuações ridículas, o Brasil fez, em Lima, outro jogo sem inspiração e colheu mais um resultado decepcionante.

A sexta partida seguida sem vitória em Eliminatórias, como se esperava, foi de muita correria e jogo físico, especialmente por parte dos peruanos. O Brasil, como contra a Colômbia, prendeu os volantes e laterais, minando, assim, a criação de situações ofensivas fora do script previsto. Ou seja, dependeu exclusivamente de seus homens de frente. Enquanto Gilberto Silva e Mineiro - dois jogadores em nítida má fase - tocavam a bola e esperavam o tempo passar, as presenças de Maicon e Gilberto pouco significavam para a equipe, ainda que Farfán e Mendoza representassem perigo.

Ronaldinho, cuja forma física foi motivo de celeuma da imprensa ao longo da semana, não teve a inspiração e a mobilidade que um jogo no Monumental de Lima normalmente pede. Imaginar Elano ou mesmo Diego, no time titular, seria uma opção mais natural. Mais uma vez, o time se mostrou dependente de Robinho, que não esteve bem, e de Kaká, novamente o melhor em campo com camisa amarela.

Outro ponto a se tocar, também, é a indiferença que parece cada dia mais nítida. Encarar as Eliminatórias como mera formalidade, mesmo que alguns times sejam frágeis, não é uma receita aceitável, tampouco adequada. Seleções fracas como Peru e Venezuela, ou mesmo melhores como Chile, Uruguai e Paraguai, têm jogado no limite físico e mental, patamar onde o time de Dunga precisa se equiparar.

Pode parecer uma perseguição simplista, mas todos os problemas desta seleção esbarram no trabalho de Dunga. Sempre lembrado por sua inexperiência na função, o treinador tem tido dificuldades, por exemplo, em ensaiar jogadas de bola aérea, ou mesmo, de incrementar alternativas táticas ao time. Para não falar de outros pormenores.

Sem identidade e também sem vontade, o Brasil de Dunga pode ser uma presa fácil para oponentes como Chile, Paraguai e Uruguai. A resposta inicial deve ser dada na próxima quarta, no Morumbi, no primeiro jogo duro da seleção brasileira nas Eliminatórias. Até aqui, acredite, só teve moleza. E, mesmo assim, os brasileiros fizeram apenas cinco pontos.

Uruguai 2 x 2 Chile

Jogo bastante interessante e de muito arrojo por parte das duas equipes. Pelo lado uruguaio, muitos méritos para o que jogaram Gargano, que precisa ser titular, e Luis Suárez, o melhor jogador da rodada. Forlán, jogando na função de Abreu, pode fazer dos celestes uma equipe ainda mais veloz e insinuante, característica que não pode ser desprezada, como na escalação para o duelo da rodada anterior, em Assunção.

O time de Marcelo Bielsa, outra vez, mostrou ser bastante interessante e totalmente diferente do que montava Nelson Acosta. Bastante pertinente a entrada de Villanueva, que alterou o panorama, mesmo deslocado para a ponta-esquerda. Faltou, porém, maior segurança defensiva para segurar o resultado. Este, aliás, construído a partir do faro de gol de Marcelo Salas, cuja recuperação é mérito de El Loco Bielsa.

Paraguai 5 x 1 Equador

Ver os paraguaios com um 4-3-3 ousado, convenhamos, não é nada comum. Pois em casa, diante dos tricolores equatorianos, Gerardo Martino confiou nas boas fases de Cabañas, Santa Cruz e Váldez, que justificaram a aposta. Barreto e Riveros, além do bom lateral Vera, também fizeram um jogo bem interessante. Cabe, ainda, abrir o olho para Néstor Ayala, que atuou cerca de dez minutos e deixou ótima impressão, com um gol e outra bela jogada.

Os equatorianos, como já vinha sendo, foram uma equipe com pouquíssima confiança, disposição e segurança defensiva. Benítez fez o que pôde lá na frente, mas isso foi quase nada, dada a fase ruim de Edison Méndez. Confirmada a saída de Luis Fernando Suárez, há de se esperar alguma reviravolta. Caso contrário, La Tri brigará pelas últimas posições, ao contrário do que se viu em 2002 e 2006.

Argentina 3 x 0 Bolívia

Diferentemente de Dunga, o experiente Alfio Basile vai criando interessantes alternâncias táticas para os albicelestes. Contra a inofensiva Bolívia, experimentou um arrojado 4-2-1-3, bastante viável, aliás. Com Tévez, Messi e Agüero, além de Crespo também convocado, o apelo pelo ataque se justificava. Como contra a Venezuela, porém, faltou mais vontade de convencer. Os três pontos e mais um resultado positivo, porém, abafam as críticas, incapazes de atingir Riquelme, novamente em atuação de gala.

Colômbia 1 x 0 Venezuela

O primeiro gol e a primeira vitória da Colômbia, na terceira rodada, saiu dos pés do gremista Bustos, ausente nas jornadas anteriores. Um dos melhores colombianos em campo, ele fez parte de um esquema tático, mais uma vez, engessado e de pouca criatividade. Nesse sentido, os venezuelanos poderiam até ter tido mais personalidade e trazer, de Bogotá, um resultado melhor que a apertada derrota sofrida.

Fotos: Uol

domingo, 18 de novembro de 2007

Deuses da Euro


Surreal, inacreditável, inesperado. Os adjetivos, nestes casos, podem ser vários. Enquanto a Itália precisava trazer três pontos de Glasgow, a Inglaterra torcia para o já eliminado time israelense segurar a Rússia de Guus Hiddink. Façanhas tidas como improváveis, mas que tiveram, possivelmente, a mãozinha de algum Deus do futebol, daqueles que olham pelas grandes equipes. Ou que, ainda, fazem certas camisas pesar mais que outras.

Em solo escocês, a Itália foi a campo com o mesmo 4-3-2-1 no qual visitou a França, há dois meses atrás. Ainda que tenha contado com o sempre aguçado faro de Luca Toni - responsável por abrir o placar logo no início de jogo, a Squadra Azzurra fez um jogo de pouca inspiração ofensiva e muito espírito de luta. Nesse sentido, vale destacar o empenho e as atuações soberbas de Zambrotta, Gattuso e, especialmente, do sempre criticado Ambrosini - um leão em Glasgow.

Na base do histórico kick and rush, a Escócia tentava, sem muita inspiração, buscar ao menos um empate, embora isso não fosse lá muito suficiente. O time de Alan McLeish, assim, buscou a igualdade através de Barry Ferguson, claramente impedido, mas invisível ao trio de arbitragem.

Desesperados, os italianos foram ao ataque e contaram com um gol milagroso nos acréscimos, feito por Panucci, resgatado para a seleção por Roberto Donadoni. Com a derrota, Hampden Park assistiu à segunda amarelada histórica da Escócia. No mês passado, a seleção britânica havia perdido para a fraquíssima Geórgia, de maneira incrível.



A alegria dos ingleses, porém, ainda não estava completa. Após assistir ao trágico fim da brava vizinha Escócia, o English Team precisa torcer por ao menos um empate entre Israel e a Rússia, concorrente direta na vaga para a fase final da Eurocopa. A missão dos israelenses, já eliminados, era ainda mais complicada pois, Yosi Benayoun, estava lesionado.

A Rússia, que havia vencido a Inglaterra na última rodada, não foi capaz de trazer pontos de Tel-Aviv. Itzhaki, logo aos dez minutos, concluiu jogada de Barda. Só no segundo tempo, com Bilyaletdinov, os russos encontraram a igualdade que, não fosse a trave, teria sido quebrada, nos acréscimos, em lance de Sychev. No lance seguinte, porém, o caixão de Guus Hiddink foi fechado: contra-ataque, gol de Golan e vitória dos anfitriões.

A Inglaterra, que não terá Rooney, Owen e outros jogadores importantes, só precisa de um réles empate com a Croácia, na próxima quarta. Assim, irá garantir sua participação, graças a um resultado que só os Deuses do Futebol poderiam prever.