segunda-feira, 16 de novembro de 2009

São Paulo ou Flamengo?


Os dois maiores da história do Campeonato Brasileiro devem realmente se dividir na disputa pelo título, ficou concluído após a última rodada, restando apenas nove pontos em jogo. Matéria da Folha de S. Paulo no último sábado mostrou que apenas o Santos, em 2004, na história dos pontos corridos, ganhou a taça em situação idêntica à do Fla em 2009.

É verdade que o Palmeiras possui chances razoáveis, indica a classificação, mas a tabela complicada, os desfalques e principalmente o mau momento indicam essa probabilidade como remota. A tendência é que o time de Muricy brigue com Internacional, Atlético-MG e Cruzeiro por jogar a próxima edição da Libertadores.

1° lugar: São Paulo - 62 pontos - 17V, 11E, 7D - 49 GP, 35 GC
2° lugar: Flamengo - 60 pontos - 17V, 9E, 9D - 54 GP, 43 GC

Nas linhas abaixo, um duelo de cinco fatores decisivos para as rodadas finais:

TABELA - Flamengo

Vantagem leve para o Flamengo, que tem dois jogos no Maracanã, contra os já desinteressados Goiás e Grêmio. No meio do caminho, uma visita ao Corinthians em ritmo de férias. Já o São Paulo tem um jogo duro, no fim de semana, em visita ao desesperado Botafogo. Depois, duas molezas: Sport, talvez no Morumbi ou no interior, mas já rebaixado, e o Goiás, adversário de boas memórias nos últimos dois títulos.

TREINADOR - São Paulo

O equilíbrio também é enorme, mas não há como diminuir a maior experiência de banco de reservas que tem Ricardo Gomes, por mais que Andrade seja o grande técnico do Brasileiro.

CRAQUE - Flamengo

Aqui, de longe, a vantagem é do Flamengo, com o melhor jogador do Brasileiro, Adriano, e um dinossauro juvenil, Petkovic. Até no gol, Bruno vem melhor que Rogério Ceni. O São Paulo aposta justamente no contrário: a força do conjunto, que tem cinco tricampeões no elenco - Ceni, Bosco, Miranda, André Dias e Richarlyson.

EXPERIÊNCIA EM DECIDIR - São Paulo

É o time super acostumado com a situação das rodadas finais. Prova disso é que, em 2006, 07 e 08, jamais o São Paulo perdeu a liderança depois de assumir. O Flamengo conta com o grande embalo e um elenco também experiente, é verdade, com Álvaro, Maldonado e Pet, mas um pouco atrás nesse quesito.

DEFESA - São Paulo

O Flamengo impressiona pela força defensiva: jogou 16 jogos no returno e não tomou gols em 10. Mas a defesa tricolor é, provam os números, a melhor do Brasileiro. Foi assim também em 2006 e 2007. No ano passado, foi a segunda melhor, atrás apenas do Grêmio, com só um gol a menos que os são-paulinos.

O bom técnico faz a diferença


O Grêmio teve cerca de 15 minutos para abrir a defesa do São Paulo, que há duas semanas tinha nove jogadores em campo e segurou um empate dentro do Estádio Olímpico. Ali, ficava clara a forma como o time então com Paulo Autuori era mau treinado, não tinha repertório tático para enfrentar adversários com inferioridade numérica. Bem diferente fez o Avaí, contra o Corinthians, no domingo.

Números atestam a forma como o time de Silas se compactou, trocou passes, inverteu o lado do campo e impediu a bola de chegar em Ronaldo - e o Corinthians ficou 30 minutos sem conseguir uma mísera finalização. Por essas outras que Silas divide com Andrade o posto de melhor técnico do Campeonato Brasileiro. Hoje, o modesto Avaí tem três pontos a menos que o quarto colocado.

- Veja matéria sobre a superiodade do Avaí, com entrevista exclusiva de Silas

Problemas sanados, Portugal perto da Copa


O jogo fora de Bósnia inspira preocupações para Portugal. Afinal, os comandados de Miroslav Blazevic, a despeito das três bolas na trave de Eduardo, tiveram uma postura excessivamente cautelosa na Luz. Mesmo assim, é correto dizer que Carlos Queiroz resolveu alguns dos problemas do time, que venceu cinco e empatou um de seus seis jogos mais recentes pelas Eliminatórias. Hoje, os Tugas estão com um pé na África do Sul.

Portugal tinha problemas antigos a resolver, como o gol e a lateral esquerda. Discretos, Eduardo, o camisa 1 do líder Braga, e Duda, meia de origem, mas cumprindo bom papel mais atrás. Outro ajuste importante foi reposicionar Pepe como o popular “trinco”, o volante mais recuado. Misimovic foi bem neutralizado pelo tradicionalmente zagueiro alagoano. O sistema só funciona porque Bruno Alves cumpre finalidade na zaga ao lado do soberano Ricardo Carvalho.

O jogo de Portugal flui e é seguro, também, pelos bons papéis que fazem Deco, armando pela direita, e Raul Meirelles, cobrindo os avanços de Duda pela esquerda e também acrescentando ofensivamente. Nesse 4-3-3 (desdobrado em 4-1-2-3), resolve e muito ter encontrado um centroavante como Liedson. O brasileiro é o camisa 9 que Portugal não tinha há pelo menos uma década. Se move, arrasta os zagueiros para os do campo, é um terror nas bolas aéreas e a maior novidade no time de Queiroz, hoje perto da Copa do Mundo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A aposta na experiência é correta


O Corinthians pensa em Iarley, Tcheco, Roberto Carlos e Alex Silva como os principais reforços para a Copa Libertadores. A aposta em jogadores experientes é certeira para uma temporada centenária que promete ter a maior pressão por um título nos 100 anos de clube. A competição provoca uma mistura explosiva no Parque São Jorge e, vale lembrar, selou os destinos de Tevez, Liedson, Edílson e Vampeta, todos ídolos, nas três eliminações da década.

Naturalmente, as questões físicas devem ser consideradas. O segundo semestre de 2009 expôs um elenco remendado e com sérias dificuldades de se juntar e ir a campo 100% no Campeonato Brasileiro. Ronaldo, a maior preocupação, só teve uma contusão casual, na mão. Mas Alessandro, Chicão, William, Marcelo Oliveira, Elias, Marcelo Mattos, Edu, Jorge Henrique e Dentinho sofreram com lesões.

A exigência física em Copa Libertadores é altíssima e exigirá um planejamento especial. O Palmeiras de 2009 é a maior lição de como não se conciliar o torneio com o Paulista. O ideal é arrebentar nos primeiros jogos da Libertadores, somar o máximo possível de pontos e encaminhar a vaga para a segunda fase. E, enquanto isso, mesclar os jogadores enquanto o Estadual não vale nada.

Voltando aos reforços, o quarteto parece uma boa escolha. Há dois bons zagueiros no clube, mas de um segundo semestre irregular. Alex Silva, que vem de lesão séria, teria os primeiros meses do ano e o início de Paulista para ganhar ritmo e quem sabe servir de opção no mata-mata. Iarley e Tcheco contribuem com experiência, conhecem a Libertadores como poucos, jogam em várias posições do meio para a frente e, provavelmente, não se importariam com a reserva. Roberto Carlos está em idade avançada, mas justamente sempre primou pela parte física. É a bola de segurança numa posição de poucos nomes.

Você se perguntou sobre Riquelme? Outro nome que sabe tudo de Libertadores. Mas um assunto que merece um só post.

O talento e a irresponsabilidade do jogador brasileiro


O último clássico de Madri, no sábado, teve quatro jogadores brasileiros em campo: além de Kaká e Pepe, jogaram Marcelo, do Real, e Cléber Santana, do Atlético. Os últimos dois são o assunto do post - o jogo teve vitória merengue, como de praxe, por 3 a 2.

Marcelo e Cléber são os retratos da má formação do jogador brasileiro, que naturalmente tem um talento que não se compara a praticamente nenhuma outra escola, mas uma irresponsabilidade tática que muitas vezes também vem de berço.

Cléber Santana, escalado como volante ao lado do bastante móvel Raul Garcia, tinha a missão de iniciar o jogo colchonero. No Santos, ele havia deixado claro que rende melhor quando escalado mais à frente, dada a potência de seu chute. Responsável pela saída de bola, mostrou suas armas aos 4 minutos de jogo. Quis sair driblando na frente da área e perdeu a bola para Lass Diarra. Caído, viu Kaká finalizar e marcar o gol. Ao longo de toda a partida, a irresponsabilidade de Cléber Santana para um jogo seguro foi gritante, errando passes fáceis e passando bolas na fogueira.

Marcelo é um capítulo a parte. Escalado no meio-campo, deu show no primeiro tempo e fez até gol de pé direito. Após a expulsão de Sergio Ramos, outro jogador taticamente irresponsável e indolente, Manuel Pellegrini reorganizou a defesa com Arbeloa na direita e Marcelo na esquerda. O técnico ainda reforçou a marcação com Gago à frente da área, mas pouco adiantou.

Mais uma vez, o brasileiro mostrou que não serve para uma formação defensiva com quatro jogadores e cansou de levar bolas nas costas - uma delas deu origem a gol do Atlético. Cabe lembrar que o brasileiro foi responsável direto pela derrota para o Sevilla, a única do Real no Espanhol, falhando nos dois gols sevillistas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fred é sinistro, muito sinistro


Januário de Oliveira marcou época narrando o futebol carioca na TV Bandeirantes da década de 90. Cheio de bordões, mandava um "Ele é sinistro" para os grandes craques. Se ainda estivesse na ativa, Januário - que batiza o excelente e irreverente blog Yougol -, diria que Fred é sinistro. A volta do atacante é o que dá mais esperança para a salvação tricolor, por mais que a diferença de cinco pontos para o 16 colocado sugira dificuldades.

Impressionam os números de Fred desde a volta após séria lesão muscular. São oito gols em oito jogos, com cinco vitórias e três empates. O matador ainda colaborou com duas assistências, para Alan contra o Santo André e para Mariano contra o Goiás. Também colocou o Fluminense nas semifinais da Copa Sul-Americana, marcando os três gols no duelo contra a Universidad do Chile.

Como mostram números do Footstats, Fred é o terror dos adversários. Recebeu 28 faltas nestes oito jogos, 3,5 por partida. Mais incrível é o aproveitamento em finalizações: são 32 nas oito partidas. Dessas, 19 foram no gol, 13 para fora. Na prática, a cada quatro finalizações, Fred coloca pelo menos duas no gol. E uma na rede.

Sinistro, muito sinistro!

- Antes da volta, Fred inspirou esse texto muito legal do Yougol.

O que precisa o Vasco em 2010


O Vasco, que confirma o acesso a quatro rodadas do fim com 68% de aproveitamento, cumpriu as expectativas para a temporada 2009. Sobrou na Série B, fez um Campeonato Estadual de bom nível para um início de ano pautado por reformulação e foi a equipe mais perigosa no caminho do título corintiano na Copa do Brasil, em que caiu nas semifinais. Dorival Júnior, Rodrigo Caetano, Carlos Alberto, Elton, Ramon, Fernando Prass, os jovens da base...há muitos responsáveis por este sucesso.

Vitoriosos como são, certamente Dorival Júnior e Rodrigo Caetano já pensam no que fazer para o famoso salto de qualidade do Vasco em 2010. O atual time não faria papel além de mediano na Série A e, portanto, precisa melhorar. A começar, claro, pela renovação do contrato de Dorival, que já tem salário alto, na casa de R$ 280 mil mensais em São Januário.

Conseguir manter Elton e Ramon é um segundo passo decisivo. Ambos foram fundamentais na temporada e negociar algum tipo de parceria com São Caetano e Internacional é possível, já que atualmente os dois jogadores não interessam aos elencos de seus clubes. Ampliar o contrato de Carlos Alberto, que vai até o meio do ano, é um desafio. Manter Phillipe Coutinho, que passa a ser da Inter de Milão em 2010, pode ser também uma aposta arrojada.

O Vasco precisa de reforços pontuais, como foram Ronaldo e Jorge Henrique para o Corinthians. Keirrison pode ser esse craque: se o declínio do jogador se ampliar no Benfica, a amizade com Dorival pode ajudar a trazê-lo como a estrela da companhia. No futebol brasileiro, ainda garantiria muitos gols.

Para a posição de Rafael Carioca, já sondado, é preciso mesmo outro reforço. Um volante de primeira linha é essencial e Léo Gago, do Avaí, pode auxiliar. Mas não é o cara - Rafael é. Falta ainda ao menos um zagueiro de ponta para um elenco de bons zagueiros médios. Nenhum nome foi sondado. São poucas boas opções disponíveis.

A tranquilidade para os vascaínos é que a direção do clube também parece pensar dessa forma. Mantendo seus principais jogadores e com bons reforços, o Vasco será definitivamente grande em 2010.

Matérias:

- Vasco deve ser terceiro melhor grande da década na Série B
- Vasco movimenta o sentimento e sobra na Série B
- Keirrison some no Benfica e Barcelona desconfia