sábado, 12 de março de 2011

Com Luís Fabiano, grande reforço, São Paulo quebra seus paradigmas outra vez


Sejamos práticos: Luís Fabiano retorna ao São Paulo para ser o principal camisa 9 do futebol brasileiro. Há grandes nomes, como Fred, Liedson e Loco Abreu, mas o Fabuloso inspira ainda mais confiança por suas características, experiência de Copa do Mundo como titular e por ainda reunir ótimas condições físicas - apesar da temporada prejudicada por lesões - e técnicas. E ainda por que ama os são-paulinos. Ainda tem margem na carreira para fazer valer o investimento, irrecuperável, de 7,6 milhões de euros.

O que chama tanta atenção quanto Luís Fabiano é o dinheiro investido por Juvenal Juvêncio, às vésperas de uma eleição de cartas marcadas, contrariando as próprias convicções. Salvo Cléber Santana, por quem o São Paulo gastou para contratar, a prática são-paulina foi justamente contrária nos últimos anos: contratar jogadores a custo zero, utilizando como tática de sedução boas luvas, salários e a possibilidade de brigar sempre - ou quase sempre - por grandes conquistas. Com essa estratégia, se montou o time campeão mundial de 2005, com Cicinho, Josué, Mineiro, Fabão, Aloísio e Júnior, entre outros.

A direção são-paulina, que também era contrária a hospedar jogadores de fundos de investimentos, já mudou de forma radical sua postura no ano passado. Xandão e Fernandinho (Traffic) e Willian José e Rhodolfo são exemplos de reforços adquiridos por dinheiro de terceiros. Especula-se que o São Paulo não seja o único responsável pela operação que resgata Luís Fabiano das garras de dois ferrenhos rivais de bastidores dos são-paulinos: Corinthians e Internacional.

Apesar do valor incontestável de reforços como Rhodolfo, Willian José, Rivaldo e principalmente Luís Fabiano, o São Paulo também refuta a própria tese de seguir o exemplo do Santos e montar uma equipe forte priorizando as categorias de base. É provável que Bruno Uvini, Wellington, Henrique e Zé Vítor fiquem distante dos planos para o segundo semestre, restringindo a Casemiro e Lucas um papel relevante na equipe principal.

Apesar das mudanças de conceito, Juvenal Juvêncio tem tudo para fazer o São Paulo voltar a ser um time temido pelos rivais. Com Luís Fabiano, pronto para ir atrás da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Valdívia e Neymar: o que significam os primeiros brilhos no ano


Decisivos. É essa a palavra que pode se atribuir a Neymar e Valdívia depois das participações na noite de quarta-feira. Portuguesa e Noroeste, respectivamente, foram derrotados simplesmente por conta da participação dos dois jogadores. Foi exatamente a primeira vez na temporada, por coincidência depois de quatro jogos passando em branco, que eles estiveram intimamente ligado a um gol feito por Santos ou Palmeiras.

Valdívia foi um alento para o pálido time palmeirense em Bauru. Cabe observar que Kléber era a única ausência sentida dos jogadores de linha, mas mesmo assim a equipe de Felipão jogava como se tivesse vários reservas em campo, o que diz muito sobre a falta de qualidade do elenco. Valdívia é essencial para o time e, depois de quatro partidas muito discretas, enfim desencantou. Nem foi uma exibição regular, do início ao fim, mas decisiva em lances individuais. Só mesmo com ele e Kléber jogando em altíssimo nível é que esse Palmeiras conseguirá grandes coisas neste ano.

O caso de Neymar é diferente, já que os dias de descanso foram muito úteis e justos. Depois dos quatro primeiros jogos com o Santos após o Sul-Americano Sub-20, em que parecia se arrastar em campo física e mentalmente, ele voltou leve do Carnaval. Driblou, arrancou na velocidade e na força. Faz a direção santista repensar a conduta de tê-lo em campo a todos os momentos, até os que não são importantes, como na reta final do Brasileiro 2010. Neymar havia sofrido pênalti contra o São Bernardo, mas só desta vez foi efetivamente responsável por gols. Pelos três, diga-se de passagem.

terça-feira, 8 de março de 2011

Carnaval é razão principal por racha na Gaviões


Jucilei não aguentou: de longe, ao ver a Gaviões da Fiel ficar apenas na quinta colocação do Carnaval de São Paulo, provocou no Twitter. Algo surpreendente para um sujeito tão pacato como ele, agora jogador do Anzhi Makhachkala, mas compreensível para quem foi vítima de violentos protestos após a prematura queda na Copa Libertadores. O que Jucilei não saiba, possivelmente, é que protestou contra as pessoas erradas.

Não se sabe exatamente ao certo, mas a impressão geral é de que os atos de vandalismo a jogadores e funcionários do Corinthians não partiram exatamente da Gaviões da Fiel, mas sim de seu movimento dissidente intitulado Rua São Jorge, corrente que cada vez mais cresce dentro dos próprios Gaviões, já tem milhares de membros e se prepara para dar o grito de independência a qualquer momento.

A história de cisão entre a Gaviões e Rua São Jorge tem o Carnaval, a que se referiu Jucilei, como um dos principais motivadores. Membros do movimento paralelo se uniram por contrariar o investimento realizado na festa popular. Em seu site, a Rua São Jorge diz que "internamente, passou-se a pensar muito nos desfiles e cada vez menos no Corinthians". Segundo eles, "o intuito é o fortalecimento da arquibancada".

Foi nos tempos em que Herbert César Ferreira era o presidente, em 2008, que ganhou força o racha dentro da Gaviões da Fiel. Em dezembro, Herbert, por ocasião do programa Troca de Família, da TV Record, chegou a levar uma torcedora da Mancha Verde à sede da facção. Foi na mesma época, em agosto, que membros de Rua São Jorge e da própria Gaviões travaram conflito no Pacaembu.

Protestos como os que geraram a demissão de Adílson Batista ou recentemente na Copa Libertadores, e foram tão incomuns durante a gestão Andrés Sanchez, são atribuídos ao Movimento Rua São Jorge, ala vista como radical e que age com agressividade na caça por mais membros. Durante o processo que gerou a queda de Adílson, se ouviu das arquibancadas: "Alô Andrés, fica ligado. O seu dinheiro só compra mercenário". Curiosamente, o presidente corintiano ajudou a fundar, na década de 70, a organizada Estopim da Fiel.

É sabido que membros da direção corintiana dão auxílio financeiro para a Gaviões, o que ajuda explicar a paz que houve até que o Movimento Rua São Jorge ganhasse força suficiente para ter voz de comando dentro do clube. Os episódios recentes só escancaram uma realidade: as facções não fazem bem ao Corinthians. Nem ao Carnaval.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Um brinde aos Gunners


É difícil entender por que há tantas críticas ao Arsenal e ao modelo de trabalho de seu treinador-bandeira Arséne Wenger. São muitos os detratores do francês que transformou o jeito de se jogar, torcer e contratar dos Gunners. Nesta terça-feira, dia de um imperdível mata-mata de Liga dos Campeões, simplesmente contra aquele que talvez seja o maior time da história, todos os perseguidores de Wenger estarão prontos para repetir o mesmo discurso.

Este blog, por sua vez, propõe um brinde ao Arsenal, independente do que possa acontecer no Camp Nou. Afinal, os Gunners construíram nas últimas duas décadas, graças a seu treinador, uma identidade própria de jogo que encanta qualquer fã de futebol com bom gosto. Nos últimos tempos, inclusive, sem afetar a saúde financeira da Premier League.

Afinal, será que algum dos clubes que competem em alto nível na Inglaterra, nos últimos três anos, arrecadou mais do que gastou em transferências? O Arsenal, que divide a liderança da Premier League em pontos perdidos, é a exceção. Aposta nas categorias de base e possui uma rede de observadores espalhados pelo mundo, capaz de contratar jovens de Camarões, da Polônia ou do Brasil, por exemplo. Não se enfraquece, não deixa de chegar às cabeças e, inclusive, criou uma marca mundial. Falar em Arsenal é lembrar de futebol vistoso e competitivo.

Também é verdade que o Arsenal tira jogadores a custo zero dos outros. É real e irritante a teimosia em contratar grandes goleiros e defensores. É inacreditável a predisposição para lesões que Fabregas, Walcott e Van Persie, moldados para serem os líderes desse projeto, possuem. Os críticos têm razão em apontar para a falta de atitude campeã do time que caiu na decisão da Copa da Liga perante o Birmingham.

Mas, antes de se apontar para um período de baixa dos Gunners na atualidade, é preciso verificar com atenção a própria história dos arsenalistas. Afinal, para quem não sabe, a década que se encerrou foi a segunda mais vitoriosa para o clube que completa 115 anos de vida em 2011 - a melhor desde os anos 30. A única em que a decisão da Liga dos Campeões teve a presença dos "meninos que nunca amadurecem de Wenger". A única com quatro decisões, e três títulos, de FA Cup.

Grandes clubes, além de jogadores e treinadores com história de vitórias, tiveram momentos delicados em que a falta de sorte e a dificuldade em decidir apareceram. O próprio Barcelona, hoje tido como exemplo de tantas coisas positivas, ficou seis anos sem ganhar títulos - entre 1999 e 2005. Paciência também é uma virtude. Um brinde ao Arsenal.

domingo, 6 de março de 2011

Rivais acordam o Arsenal de Wenger


Até outro dia, o Manchester United tinha apenas uma derrota na Premier League. Agora, já são três. Pois na semana seguinte da vitória do Chelsea sobre o United, coube ao Liverpool, em um domingo de plena inspiração, também vencer o time de Alex Ferguson. O cenário é curioso, já que coloca dois dos principais rivais do United juntando forças para reaproximar o Arsenal efetivamente na disputa pelo título. Ironicamente, aliás, no momento mais difícil dos Gunners na temporada.

Incrível notar como o Liverpool é o único clube inglês capaz de enfrentar o Manchester United com o mesmo nível de ambição, personalidade e autoridade nos tempos mais recentes. Não há crise que faça os Reds se fragilizarem diante do United, e foi exatamente o que ocorreu neste domingo. Em Anfield, os liverpuldianos foram superiores do início ao fim, e Luis Suárez ratifica, em um torneio de máximo nível de exigência, as performances a serviço do Ajax nos últimos meses. Com ele e Cavani, o Uruguai sonha longe.

Na incrível vitória do Liverpool, novamente Kenny Dalglish surpreendeu com uma formação tática inusitada, com Raúl Meirelles, meia central por vocação, atuando como externo pela direita e dando calor no setor ocupado por Ryan Giggs e Patrice Evra. Gerrard fechou o meio com Lucas e liberou Maxi Rodríguez preencheu a esquerda. Diante do Chelsea, em mais um choque de autoridade dos Reds, Dalglish lançou mão de um 3-4-2-1 e venceu por 1 a 0.

A menos de 10 rodadas do fim, Arsenal e Manchester United têm o mesmo número de pontos perdidos, e os Gunners podem saltar à frente se vencerem clássico atrasado diante do Tottenham. Anote o dia 30 de abril na agenda: é quando o United vai ao Emirates Stadium, na antepenúltima rodada. O confronto tem tudo para definir a Premier League.

Aqui, leia análise de Liverpool 1 x 0 Chelsea no Olho Tático

sábado, 5 de março de 2011

OLHO GORDO em WELLINGTON

Bruno Uvini, Casemiro, Oscar (hoje já no Inter) e Lucas, quatro nomes revelados pelo São Paulo, ajudaram a formar a espinha dorsal do Brasil que foi campeão sul-americano sub-20. Junto a eles, não fosse uma séria lesão no joelho a serviço da própria seleção, estaria Wellington, um nome que deve voltar aos holofotes nos próximos dias. Em entrevistas, Paulo César Carpegiani já tem o elogiado - e há quem veja no volante até mais potencial que no próprio Casemiro.

Quando despontou nos juvenis do São Paulo, Wellington era campeão da Copa Nike e indicado como a evolução de Mineiro, pois além da condição física, tinha ótima técnica e um senso de liderança acima da média. Mais velho, perdeu o bonde da profissionalização graças aos critérios absurdos de Muricy Ramalho, e porque Ricardo Gomes insistia em colocá-lo como lateral direito.

Na seleção brasileira sub-20, o capitão Wellington sempre foi visto como exemplo por sua dedicação e talento, o que ajudou a lhe manter no elenco do São Paulo, apesar das poucas oportunidades. O destino quis que ele lesionasse o joelho seriamente durante treinos com o Brasil, mas o jovem volante já se prepara para jogar novamente. Neste sábado, contra o São Caetano, ficará no banco de reservas. Se Carpegiani for coerente, aos poucos, arrumará espaço para ele no setor que tem os irregulares Rodrigo Souto e Carlinhos Paraíba como titulares.

Se tudo der certo, Wellington ainda pode recuperar o tempo perdido e jogar o Mundial Sub-20 com a seleção brasileira.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A conquista do Fla ajuda Ronaldinho e Luxemburgo, rei de estaduais


É só o início do que se promete ser um novo Flamengo, com a tentativa de recuperar Vanderlei Luxemburgo e Ronaldinho Gaúcho para o futebol. Começar esse trabalho com o título da Taça Guanabara é fundamental, pois dará tranquilidade para o treinador ajustar pontos falhos da equipe. Imagine como seria tratada uma derrota contra o Boavista? A sorte para o Fla é que Ronaldinho resolveu uma partida que se desenhava enroscada.

Mas há muito trabalho pela frente. Deivid é um jogador importante e seria interessante encontrar uma forma de utilizá-lo nessa equipe. Thiago Neves ainda deve futebol, a lateral esquerda é um ponto falho e até mesmo Ronaldinho não tem um espaço exatamente definido no time, que cada vez mais pede Negueba. A conquista da Taça Guanabara dá mais tranquilidade para Vanderlei Luxemburgo trabalhar e resolver essas questões.

Inegável falar de Luxemburgo e sua vocação para os estaduais. Desde a passagem pelo Real Madrid, ele foi campeão quase todos os anos: dois Paulistas com o Santos (06 e 07), um com o Palmeiras (08) e outro mineiro com o Atlético (10). Com o Flamengo, já se garantiu na decisão.

Foto de divulgação: Maurício Val / Vipcomm