terça-feira, 17 de novembro de 2009

A nova reforma de Muricy


Contra o Grêmio, nesta quarta-feira, o Palmeiras tem sua última chance. Não há espaço para qualquer deslize e, mesmo nove pontos, dificilmente, trazem o título brasileiro para o Palestra Itália. Muricy Ramalho sabe disso e possivelmente deixe o conservadorismo de lado, fazendo nova reforma do time que liderou o torneio por 19 rodadas.

A expectativa, além da volta de Pierre, é pela troca de um zagueiro ou volante por Deyvid Sacconi, que entrou bem contra o Sport. Parece tarde demais a tentativa de tornar o Palmeiras um time envolvente, como era com Jorginho, e deixou de ser com Muricy. O técnico reclama a ausência de Cleiton Xavier, mas o fato é que, mesmo antes da derrota contra o Santo André, a equipe jogava mal e acumulava resultados ruins - ou mesmo ganhava sem jogar bem.

Havia, sim, opções para tentar fazer o time andar mais antes. Faltou dar confiança e ritmo a Marquinhos, uma chance real para Deyvid, quem sabe recuperar Willians ou Lenny, e até mesmo experimentar um 4-2-3-1 que ele chegou a anunciar, e poderia ter Armero na meia, mas nunca aconteceu. Cruzando bolas na área, sumiu de vez a chance de fazer Vagner Love desequilibrar.

Hoje, o Palmeiras de Muricy é o espelho do São Paulo que caiu contra o Cruzeiro, na Libertadores. Um rascunho de time, que deve se dar por satisfeito se terminar o Brasileiro em terceiro ou mesmo quarto lugar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

São Paulo ou Flamengo?


Os dois maiores da história do Campeonato Brasileiro devem realmente se dividir na disputa pelo título, ficou concluído após a última rodada, restando apenas nove pontos em jogo. Matéria da Folha de S. Paulo no último sábado mostrou que apenas o Santos, em 2004, na história dos pontos corridos, ganhou a taça em situação idêntica à do Fla em 2009.

É verdade que o Palmeiras possui chances razoáveis, indica a classificação, mas a tabela complicada, os desfalques e principalmente o mau momento indicam essa probabilidade como remota. A tendência é que o time de Muricy brigue com Internacional, Atlético-MG e Cruzeiro por jogar a próxima edição da Libertadores.

1° lugar: São Paulo - 62 pontos - 17V, 11E, 7D - 49 GP, 35 GC
2° lugar: Flamengo - 60 pontos - 17V, 9E, 9D - 54 GP, 43 GC

Nas linhas abaixo, um duelo de cinco fatores decisivos para as rodadas finais:

TABELA - Flamengo

Vantagem leve para o Flamengo, que tem dois jogos no Maracanã, contra os já desinteressados Goiás e Grêmio. No meio do caminho, uma visita ao Corinthians em ritmo de férias. Já o São Paulo tem um jogo duro, no fim de semana, em visita ao desesperado Botafogo. Depois, duas molezas: Sport, talvez no Morumbi ou no interior, mas já rebaixado, e o Goiás, adversário de boas memórias nos últimos dois títulos.

TREINADOR - São Paulo

O equilíbrio também é enorme, mas não há como diminuir a maior experiência de banco de reservas que tem Ricardo Gomes, por mais que Andrade seja o grande técnico do Brasileiro.

CRAQUE - Flamengo

Aqui, de longe, a vantagem é do Flamengo, com o melhor jogador do Brasileiro, Adriano, e um dinossauro juvenil, Petkovic. Até no gol, Bruno vem melhor que Rogério Ceni. O São Paulo aposta justamente no contrário: a força do conjunto, que tem cinco tricampeões no elenco - Ceni, Bosco, Miranda, André Dias e Richarlyson.

EXPERIÊNCIA EM DECIDIR - São Paulo

É o time super acostumado com a situação das rodadas finais. Prova disso é que, em 2006, 07 e 08, jamais o São Paulo perdeu a liderança depois de assumir. O Flamengo conta com o grande embalo e um elenco também experiente, é verdade, com Álvaro, Maldonado e Pet, mas um pouco atrás nesse quesito.

DEFESA - São Paulo

O Flamengo impressiona pela força defensiva: jogou 16 jogos no returno e não tomou gols em 10. Mas a defesa tricolor é, provam os números, a melhor do Brasileiro. Foi assim também em 2006 e 2007. No ano passado, foi a segunda melhor, atrás apenas do Grêmio, com só um gol a menos que os são-paulinos.

O bom técnico faz a diferença


O Grêmio teve cerca de 15 minutos para abrir a defesa do São Paulo, que há duas semanas tinha nove jogadores em campo e segurou um empate dentro do Estádio Olímpico. Ali, ficava clara a forma como o time então com Paulo Autuori era mau treinado, não tinha repertório tático para enfrentar adversários com inferioridade numérica. Bem diferente fez o Avaí, contra o Corinthians, no domingo.

Números atestam a forma como o time de Silas se compactou, trocou passes, inverteu o lado do campo e impediu a bola de chegar em Ronaldo - e o Corinthians ficou 30 minutos sem conseguir uma mísera finalização. Por essas outras que Silas divide com Andrade o posto de melhor técnico do Campeonato Brasileiro. Hoje, o modesto Avaí tem três pontos a menos que o quarto colocado.

- Veja matéria sobre a superiodade do Avaí, com entrevista exclusiva de Silas

Problemas sanados, Portugal perto da Copa


O jogo fora de Bósnia inspira preocupações para Portugal. Afinal, os comandados de Miroslav Blazevic, a despeito das três bolas na trave de Eduardo, tiveram uma postura excessivamente cautelosa na Luz. Mesmo assim, é correto dizer que Carlos Queiroz resolveu alguns dos problemas do time, que venceu cinco e empatou um de seus seis jogos mais recentes pelas Eliminatórias. Hoje, os Tugas estão com um pé na África do Sul.

Portugal tinha problemas antigos a resolver, como o gol e a lateral esquerda. Discretos, Eduardo, o camisa 1 do líder Braga, e Duda, meia de origem, mas cumprindo bom papel mais atrás. Outro ajuste importante foi reposicionar Pepe como o popular “trinco”, o volante mais recuado. Misimovic foi bem neutralizado pelo tradicionalmente zagueiro alagoano. O sistema só funciona porque Bruno Alves cumpre finalidade na zaga ao lado do soberano Ricardo Carvalho.

O jogo de Portugal flui e é seguro, também, pelos bons papéis que fazem Deco, armando pela direita, e Raul Meirelles, cobrindo os avanços de Duda pela esquerda e também acrescentando ofensivamente. Nesse 4-3-3 (desdobrado em 4-1-2-3), resolve e muito ter encontrado um centroavante como Liedson. O brasileiro é o camisa 9 que Portugal não tinha há pelo menos uma década. Se move, arrasta os zagueiros para os do campo, é um terror nas bolas aéreas e a maior novidade no time de Queiroz, hoje perto da Copa do Mundo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A aposta na experiência é correta


O Corinthians pensa em Iarley, Tcheco, Roberto Carlos e Alex Silva como os principais reforços para a Copa Libertadores. A aposta em jogadores experientes é certeira para uma temporada centenária que promete ter a maior pressão por um título nos 100 anos de clube. A competição provoca uma mistura explosiva no Parque São Jorge e, vale lembrar, selou os destinos de Tevez, Liedson, Edílson e Vampeta, todos ídolos, nas três eliminações da década.

Naturalmente, as questões físicas devem ser consideradas. O segundo semestre de 2009 expôs um elenco remendado e com sérias dificuldades de se juntar e ir a campo 100% no Campeonato Brasileiro. Ronaldo, a maior preocupação, só teve uma contusão casual, na mão. Mas Alessandro, Chicão, William, Marcelo Oliveira, Elias, Marcelo Mattos, Edu, Jorge Henrique e Dentinho sofreram com lesões.

A exigência física em Copa Libertadores é altíssima e exigirá um planejamento especial. O Palmeiras de 2009 é a maior lição de como não se conciliar o torneio com o Paulista. O ideal é arrebentar nos primeiros jogos da Libertadores, somar o máximo possível de pontos e encaminhar a vaga para a segunda fase. E, enquanto isso, mesclar os jogadores enquanto o Estadual não vale nada.

Voltando aos reforços, o quarteto parece uma boa escolha. Há dois bons zagueiros no clube, mas de um segundo semestre irregular. Alex Silva, que vem de lesão séria, teria os primeiros meses do ano e o início de Paulista para ganhar ritmo e quem sabe servir de opção no mata-mata. Iarley e Tcheco contribuem com experiência, conhecem a Libertadores como poucos, jogam em várias posições do meio para a frente e, provavelmente, não se importariam com a reserva. Roberto Carlos está em idade avançada, mas justamente sempre primou pela parte física. É a bola de segurança numa posição de poucos nomes.

Você se perguntou sobre Riquelme? Outro nome que sabe tudo de Libertadores. Mas um assunto que merece um só post.

O talento e a irresponsabilidade do jogador brasileiro


O último clássico de Madri, no sábado, teve quatro jogadores brasileiros em campo: além de Kaká e Pepe, jogaram Marcelo, do Real, e Cléber Santana, do Atlético. Os últimos dois são o assunto do post - o jogo teve vitória merengue, como de praxe, por 3 a 2.

Marcelo e Cléber são os retratos da má formação do jogador brasileiro, que naturalmente tem um talento que não se compara a praticamente nenhuma outra escola, mas uma irresponsabilidade tática que muitas vezes também vem de berço.

Cléber Santana, escalado como volante ao lado do bastante móvel Raul Garcia, tinha a missão de iniciar o jogo colchonero. No Santos, ele havia deixado claro que rende melhor quando escalado mais à frente, dada a potência de seu chute. Responsável pela saída de bola, mostrou suas armas aos 4 minutos de jogo. Quis sair driblando na frente da área e perdeu a bola para Lass Diarra. Caído, viu Kaká finalizar e marcar o gol. Ao longo de toda a partida, a irresponsabilidade de Cléber Santana para um jogo seguro foi gritante, errando passes fáceis e passando bolas na fogueira.

Marcelo é um capítulo a parte. Escalado no meio-campo, deu show no primeiro tempo e fez até gol de pé direito. Após a expulsão de Sergio Ramos, outro jogador taticamente irresponsável e indolente, Manuel Pellegrini reorganizou a defesa com Arbeloa na direita e Marcelo na esquerda. O técnico ainda reforçou a marcação com Gago à frente da área, mas pouco adiantou.

Mais uma vez, o brasileiro mostrou que não serve para uma formação defensiva com quatro jogadores e cansou de levar bolas nas costas - uma delas deu origem a gol do Atlético. Cabe lembrar que o brasileiro foi responsável direto pela derrota para o Sevilla, a única do Real no Espanhol, falhando nos dois gols sevillistas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fred é sinistro, muito sinistro


Januário de Oliveira marcou época narrando o futebol carioca na TV Bandeirantes da década de 90. Cheio de bordões, mandava um "Ele é sinistro" para os grandes craques. Se ainda estivesse na ativa, Januário - que batiza o excelente e irreverente blog Yougol -, diria que Fred é sinistro. A volta do atacante é o que dá mais esperança para a salvação tricolor, por mais que a diferença de cinco pontos para o 16 colocado sugira dificuldades.

Impressionam os números de Fred desde a volta após séria lesão muscular. São oito gols em oito jogos, com cinco vitórias e três empates. O matador ainda colaborou com duas assistências, para Alan contra o Santo André e para Mariano contra o Goiás. Também colocou o Fluminense nas semifinais da Copa Sul-Americana, marcando os três gols no duelo contra a Universidad do Chile.

Como mostram números do Footstats, Fred é o terror dos adversários. Recebeu 28 faltas nestes oito jogos, 3,5 por partida. Mais incrível é o aproveitamento em finalizações: são 32 nas oito partidas. Dessas, 19 foram no gol, 13 para fora. Na prática, a cada quatro finalizações, Fred coloca pelo menos duas no gol. E uma na rede.

Sinistro, muito sinistro!

- Antes da volta, Fred inspirou esse texto muito legal do Yougol.