quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Tamanho não é documento


Entre os cinco reforços confirmados para 2010, o São Paulo parece ter elegido uma prioridade: atletas altos e fortes. Xandão e André Luís, os dois zagueiros trazidos do Barueri, têm mais de 1,90m. Léo Lima, um dos meias, 1,85m. André, aliás, se define como um jogador com perfil de Libertadores. Tente entender o que isso significa...

Não é de hoje que o São Paulo utiliza desse recurso para montar seus elencos. A prioridade é a jogadores fisicamente fortes, resistentes e, se possível, muito altos. Zagueiros em geral têm acima de 1,85m e atacantes como Washington, André Lima, Adriano e Aloísio são muito bem-vindos.

É importante salientar que esse tipo de formação também contribui para um time mecânico, que insiste nas bolas aéreas e sempre procura seu atacante de referência, que pouco “lateraliza” as suas ações até a linha de fundo e não envolve os adversários na base da tecnicamente. Segundo o Footstats, o time de Ricardo Gomes foi apenas o nono que mais driblou no último Campeonato Brasileiro.

Uma ideia do time que pode ser titular na Libertadores, em que André Luís está suspenso por seis jogos, aponta para uma média de altura em 1,82m. O Corinthians, por exemplo, teria três centímetros a menos em uma estimativa de seu onze inicial. Foi exatamente com um time de 1,79m que o Estudiantes levou a competição no último ano, em um ataque de média de 1,75m.

SÃO PAULO/10
Rogério Ceni (1,88m); Xandão (1,93m), André Dias (1,84m) e Miranda (1,85m); Jean (1,70m), Léo Lima (1,85m), Hernanes (1,80m) e Jorge Wagner (1,78m); Marcelinho Paraíba (1,75m); Dagoberto (1,75m) e Washington (1,89m) = Média: 1,82m

CORINTHIANS/10
Felipe (1,90m); Alessandro (1,79m), Chicão (1,81m), William (1,89m) e Roberto Carlos (1,68m); Elias (1,73m) e Marcelo Mattos (1,79m); Tcheco (1,80m), Danilo (1,86m) e Jorge Henrique (1,69m); Ronaldo (1,83m) = Média: 1,79m

ESTUDIANTES/09
Andujar (1,94m); Cellay (1,73m), Schiavi (1,89m), Desábato (1,86m) e Ré (1,77m); Pérez (1,77m), Verón (1,82m), Braña (1,67m) e Benítez (1,80m); Fernández (1,70m) e Boselli (1,83m) = Média: 1,79m

domingo, 27 de dezembro de 2009

A base do Birmingham


Alex McLeish foi contratado para o comando técnico do Birmingham em novembro de 2007, substituindo Steve Bruce, e não conseguiu tirar o clube do rebaixamento. Mesmo assim, foi mantido no cargo. E no momento em que a Premier League discute a invasão dos técnicos estrangeiros no Reino Unido, o trabalho do escocês é notável no St Andrews. Oitavo lugar da primeira divisão menos de dois anos após a queda, os Blues brilham com muito do que foi mantido do ano do rebaixamento.

Justiça seja feita, o time rebaixado não era exatamente fraco. Tinha técnica e vibração, mas faltava mais concentração para preservar vantagens e personalidade para se impor. Perdeu muitos pontos por isso em jogos importantes. E esse raciocínio fica provado pela base que brilha nessa temporada, com quatro titulares do time que caiu: o lateral Ridgewell, os meias Sebastian Larsson e McFadden e o atacante Jerome.

Base, aliás, é o forte do Birmingham. Já são oito partidas consecutivas com a mesma escalação: Joe Hart, Carr, Dann, Johnson e Ridgewell; Larsson, Bowyer, Ferguson e McFadden; Jerome e Benítez. O resultado é uma sequência de cinco vitórias e três empates (contra Chelsea, Liverpool e Everton). Um time que não levou gol em oito dos 19 jogos que fez, que vende caro as derrotas que sofre, quase sempre por um só gol de vantagem.

Pensar em vaga para competições europeias parece duro ao se olhar os adversários à frente do Birmingham, como Aston Villa, Manchester City e Liverpool. Com um time de super heróis, como McLeish chamou seus titulares que não se machucam e não são suspensos, até isso pode ser possível. E imaginar que tudo poderia ser diferente se houvesse o tradicional desmanche pós-rebaixamento...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Os jogos beneficientes

Os jogadores dizem estar cansados ao fim da temporada. Basta os torneios acabarem e eles vão...jogar mais partidas! Os jogos beneficientes viraram febre, são legais, ajudam a quem precisa, mas há um porém: Dentinho, por exemplo, que terminou 2009 no banco de reservas, lesionou o ombro e não estará em condições físicas ideais para a reapresentação do time em 4 de janeiro.

Quem paga esse prejuízo?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Porto x Benfica e os sul-americanos


O grande jogo no primeiro turno da Liga Sagres foi no último domingo. Na Luz, o Benfica recebeu o Porto, que poderia ultrapassá-lo em caso de vitória, neste que foi o último compromisso dos dois times no primeiro turno. Visto por um brasileiro, o duelo impressionou sobretudo pela quantidade de sul-americanos dentro de campo, provocando uma disputa técnica e física em grandes escalas.

Dos 22 titulares, nada menos que 15 eram sul-americanos. No Benfica, desfalcado de Aimar e Di María, jogaram: Quim, MAXI PEREIRA, LUISÃO, DAVID LUIZ e César Peixoto; RAMIRES, Javi Garcia, Carlos Martins e URRETAVIZCAYA; SAVIOLA E CARDOZO. E no Porto: HELTON, FUCILE, Rolando, Bruno Alves e ALVARO PEREIRA; FERNANDO; GUARÍN e Raul Meireles; HULK, FALCAO GARCIA e CRISTÍAN RODRÍGUEZ. Contou? 15 nomes em maiúscula.

A tendência do mercado português ir atrás dos sul-americanos prova uma crise de identidade, já que os dois principais clubes lusos cedem apenas dois titulares da seleção de Carlos Queiroz, ambos portistas, Raul Meireles e Bruno Alves. Pior, porque a maioria é formada por jogadores baratos, o que ilustra o quão defasados estão os clubes sul-americanos na busca por talentos.

Quatro grandes exemplos são David Luiz, Urretavizcaya, Fernando e Hulk. Ambos deixaram o continente como desconhecidos e hoje são nomes de grande relevo no futebol português, alguns até europeu. David, que brilhou com o Vitória na Série C de 2006 ao lado de Marcelo Moreno, é um zagueiraço. Rápido, inteligente, canhoto, atua inclusive de lateral esquerdo. E qual brasileiro conhece seu futebol? Bem poucos.

Se serviu para ressaltar a invasão sul-americana na Cidade do Porto e em Lisboa, o duelo do último domingo também mostrou a força do Benfica. Muito mais maduro que os Dragões, o time do técnico Jesus massacrou em boa parte do confronto, mantendo o adversário em sua trincheira durante o primeiro tempo, controlando o jogo em momentos que poderiam ser delicados. Com Ramires jogando demais aberto pela direita e Cardozo e Saviola inspirados na frente. Há todo o returno pela frente, mas o título português já caminha para os encarnados.

As seleções da década


O visionário blog Yougol, dentre outros, feito por Eduardo Zobaran e Raphael Zarko, seleciona os melhores da década em cada grande clube brasileiro.

E este blogueiro teve a honra de apontar os 11 maiores do Corinthians, com uma pitada de bom humor e irreverência, marca número 1 do Yougol, nome em homenagem ao grito do inesquecível Januário de Oliveira nas transmissões da década passada.

Passe por lá e confira: Yougol

PS.: O blog Red Pass reproduziu texto aqui publicado sobre Alan Kardec. Grato pela honra.

Olheiros.net de volta e o Brasileiro Sub-20


Após vários problemas técnicos nas últimas duas semanas, o Olheiros voltou. Fica então a dica pra quem quiser se informar sobre o melhor da base. Vale pontuar, aliás, um acontecimento importante desta semana - o bicampeonato do Grêmio no Brasileiro Sub-20.

A agradável competição gaúcha, em 2009, demonstrou um nível técnico muito baixo, dado o desfalque de vários bons jogadores nos elencos das equipes. Seja porque já estão com os profissionais, seja porque vão se dedicar à Copa São Paulo, valores importantes não atuaram. O próprio campeão Grêmio, por exemplo, é um time limitado especialmente no ataque. Atuou três jogos no mata-mata e fez um gol apenas.

Claro que ainda sobrou coisa boa: do Grêmio, o goleiro Busatto, bom nos pênaltis, Spessato, lateral firme e Saimon, zagueiro de futuro. Do Atlético-MG, o zagueiro Sidimar, os meias Wendel e João Pedro. Do Fluminense, o quarteto ofensivo Wellington Nen, Raphael Augusto, Bruno Veiga e Dori.

Bons links:

O título do Grêmio
Apresentação do campeonato
Os problemas de organização
Tabela do campeonato
Coluna sobre o limite de idade

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

100 anos de um clube de torcida fiel

Calma leitor, este não é um post sobre o Corinthians. O clube a completar 100 anos no último domingo foi o Borussia Dortmund, cuja maior marca é a força de sua torcida no Westfalenstadion. Somando todas as torcidas da Europa nos últimos dois anos, apenas o Manchester United levou mais torcedores a seu estádio que os Schwarzgelben.

Foram 72.500 em média na temporada 2007/08 e 74.748 em 2008/09. A torcida do Dortmund também é famosa por preferir assistir aos jogos de pé, o que precisou ser autorizado após uma espécie de plebiscito. Comparecer ao Westfalenstadion é conviver com uma atmosfera única entre os estádios alemães.

O mais impressionante é notar como a força de um clube e sua torcida foram capazes de superar gravíssimas crises econômicas. No início da década de 70, o Dortmund foi rebaixado para a segunda divisão e ficou à beira da falência, sobrevivendo apenas com a construção do Westfalenstadion para a Copa de 74. Ainda assim, amargou um jejum de 23 anos sem títulos, que perduraria até 1989.

Os anos 90, no entanto, foram de glórias. Primeiro com o time montado pelo até então desconhecido Ottmar Hitzfeld. O agora técnico da seleção suíça, campeão de tudo também com o Bayern, recebeu seis ótimos jogadores que atuavam na Itália: Sammer, Moeller, Reuter, Riedle, Koehler e o português Paulo Sousa. Bicampeão da Bundesliga, o belo time do Dortmund ainda venceria a Juventus, com Zidane e Del Piero, por 3 a 1, conquistando sua primeira e única Liga dos Campeões. E também o Mundial Interclubes, contra o Cruzeiro, no fim de 97.


No início da década seguinte, o Borussia conseguiu investir mais um bom dinheiro e montar uma equipe forte, ganhando a sexta e última Bundesliga em sua história. Com quatro brasileiros (Evanílson, Dede, Ewerthon e Amoroso), superou o Bayern e o Leverkusen, vice-campeão europeu, em uma conquista marcante. Nos anos seguintes, a direção quis aumentar o nível de investimento, comprou atletas caros e o time não se encontrou, abrindo uma nova crise financeira sem precedentes.

Já há cinco anos, o Borussia Dortmund vive com elencos modestos e coleciona posições no meio da tabela da Bundesliga - o melhor resultado foi o sexto lugar da temporada passada. Em 2006/07, brigou contra a queda, teve três técnicos diferentes e ainda viu Metzelder, seu melhor jogador, sair de graça. Ainda assim, a torcida sorriu: na reta final, uma vitória por 2 a 1 tirou o Schalke 04 da briga pelo título, que acabaria com o Stuttgart, aumentando um jejum do maior rival que vem desde 1958.

Hoje, o Dortmund tem um time modesto, mas em que tem brilhado intensamente o argentino Lucas Barrios, ex-Colo-Colo. Os Schwarzgelben (preto e amarelos) parecem preparados para melhores dias com o ótimo trabalho do técnico Juergen Klopp e completando 100 anos de vida no quinto lugar do primeiro turno. E claro, com uma torcida fabulosa.

O campeão europeu de 1997:
Klos; Koehler, Sammer e Kree; Reuter, Paulo Sousa, Paul Lambert e Heinrich; Moeller; Riedle e Chapuisat. Técnico: Ottmar Hitzfeld

O campeão alemão de 2002:
Lehmann; Evanílson, Worns, Metzelder e Dede; Kehl; Lars Ricken e Rosicky; Ewerthon, Koller e Amoroso. Técnico: Sammer

- Dica do amigo Roberto Piantino
- Bom texto sobre o BVB