terça-feira, 11 de setembro de 2007

Talento no lixo


Referir-se a Roger como um jogador que pode decidir um jogo a qualquer momento é habitual. Talentoso, dono de passes milimétricos e técnica acima da média pros atuais padrões brasileiros, sua contratação por parte do Flamengo soava como alento para quem, poucos dias antes, havia vendido Renato para o Oriente Médio. Pois, 44 dias após a estréia do novo reforço, o Fla já se deu conta da bobagem de que fez.

Roger, notoriamente conhecido como um jogador pouco combativo, por vezes indolente, esteve de fora de quatro dos 12 jogos do time no período. Em oito jogos em campo, levou cinco cartões amarelos, um vermelho, teve outra lesão e não fez gols.

Seu estilo lento não combina com o atual dos grandes clubes cariocas, todos velozes e insandecidos dentro de campo. Talvez combinasse há anos atrás, mas hoje, destoa.
Sem Roger, inclusive, o aproveitamento flamenguista sobe de 45 para 58%. Números pequenos, mas que relativizam sua importância para o time, que faz boa parte de seus gols, desde que assumiu Joel Santana, em contra-ataque e sob velocidade.

O último jogo de Roger no Corinthians foi no distante dia de 11 de abril. Cerca de dez dias depois, foi afastado por Paulo César Carpegiani que, posteriormente, alegou mau comportamento do meia, dois anos antes afastado também por Daniel Passarela. O exílio do atleta durou mais de dois meses: sua estréia no Flamengo foi em 29 de julho. Ou seja, mais de dois meses fazendo, supostamente, apenas trabalhos físicos.

E eis que, pouco mais de 40 dias após sua estréia no clube carioca, Roger é afastado com o propósito de aprimorar a parte física. Após cerca de 10 minutos de treino, alegou dores de cabeça e foi embora da atividade. Hugo Colace, fez uma hora e meia de exercícios.Por essas e outras que o meia não vingou no Benfica e por todos os clubes que passou.

Roger é o tipo de jogador que extermina bons ambientes. No Corinthians em 2005, por exemplo, se negou a dividir o quarto na concentração com o garoto Élton, dizendo-se desprestigiado. Com Carpegiani, fez intrigas sobre uma lista de dispensas. O treinador gaúcho nunca mais lhe quis no clube.

Enquanto isso, grandes instituições, como o Flamengo, o contratam sob o rótulo de estrela à salários exorbitantes, desperdiçando a oportunidade de apostar em outro tipo de contratação. Ibson, por exemplo, foi um negócio absolutamente viável e útil para o rubro-negro. Roger seguirá assim, ganhando bem e cavando cartões para ter fins de semana intermináveis regrados por top models apaixonadas. O azar é de quem lhe sustenta.

Foto: Jornal dos Sports (capa)

As pérolas do Sub-17


Com a ajuda das atentas observações do amigo Marcus Alves, separei uma relação de onze nomes a fim de arredondar os textos sobre o Mundial Sub-17, vencido pela Nigéria no último domingo.

Pela ordem: Nome, time que pertence e país que defende.

Seleção do Mundial Sub-17:

David De Gea (Atlético de Madrid) - Espanha

Gani Oseni (Prime) - Nigéria
Nils Teixeira (Bayer Leverkusen) - Alemanha
Kingsley Udoh (Crystal FC) - Nigéria
Fábio (Fluminense) - Brasil

Sebastian Rudy (Stuttgart) - Alemanha
Abeiku Quansah (Windy Professionals) - Gana
Toni Kroos (Bayern de Munique) - Alemanha

Bojan Krkic (Barcelona) - Espanha
Ransford Osei (Kessben) - Gana
Macauley Chrisantus (Abuja) - Nigéria
Obs.: Toni Kroos foi o craque da competição.

Seleção #22


Sâo raríssimos os comentários nestes posts, mas confesso gostar do levantamento dos nomes, embora não sejam escolhas sempre corretas. Enfim, vale a brincadeira. Os 11 melhores do Campeonato Brasileiro no fim de semana.


Rogério Ceni
Wendel - Breno - Chicão - Júlio César (Náutico)
Francis - Roger (Internacional)
Acosta - Edmundo
Somália - Marcelo Moreno

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Pérolas do Sub-17 #5


Ligar a camisa verde da Nigéria ao futebol talentoso e irresponsável é prática recorrente na análise de boa parte dos especialistas. De fato, há verdades nesse sentido, mas o atual onze nigeriano, campeão no Mundial Sub-17, prova que é possível aliar qualidade e responsabilidade no mesmo time ao se falar de África. Macauley Chrisantus, artilheiro e terceiro melhor jogador do torneio, personaliza o ótimo conjunto campeão.

Chrisantus, ao contrário dos já citados Krkic e Osei, é o típico camisa nove fadado para as trombadas e o jogo brusco que sugere uma grande área. Não que seja um perna de pau ou meramente panzer, mas o camisa 9 dos “eaglets” é um centroavante forte, técnico, e oportunista. Rabiu Ibrahim, Oseni, Udoh, Osanga e Alfa são outros nomes do time pra se anotar e cobrar no futuro.

Ser campeão e artilheiro, aliás, não é novidade para Chrisantus. Meses antes, já havia feito a dobradinha, com quatro gols, no Africano Sub-17. Jogador do Abuja FC, o centroavante nigeriano diz, ao site da Fifa, não ver limites para si. Além de confiança, também tem ambições: sonha em jogar no Arsenal. Qualidades para isso não faltam a Macauley Chrisantus.

domingo, 9 de setembro de 2007

Pérolas do Sub-17 #4


[Minutos antes da final entre Espanha x Nigéria. À tarde, posto sobre a grande decisão]]

Encontrar mobilidade e senso de oportunismo, aliadas na mesma intensidade, no mesmo atacante, não é uma tarefa das mais fáceis. Pois o ganês Ransford Osei, vice-artilheiro do Mundial Sub-17, preenche as lacunas com sobras. Foram seis gols em sete jogos do torneio, onde formou com Sadick Adams, quatro gols, uma dupla com margem de crescimento para os próximos anos.

Outro a ser observado é o meia-direita Quansah, de muita força física. Kelvin Bossman, bem falado por já pertencer ao inglês Wigan, acabou ofuscado e praticamente não jogou.

Adams e Osei já haviam feito bonito durante o Africano Sub-17. Titulares, fizeram quatro e dois gols, respectivamente, na campanha que deu o terceiro lugar para Gana. No torneio, disputado em março, a Nigéria foi campeã, enquanto Togo surpreendeu e ficou com o vice.

Osei, capitão do time, foi, mais que Adams, o nome alardeado dentre os ganeses, quarto colocados no Mundial. Demonstrou, ao longo da disputa, naturalidade para finalizar de cabeça, como no gol contra a Alemanha na briga pelo terceiro lugar. Por baixo, tem o talento nato dos bons atacantes africanos. E mais: deu três passes precisos para gol de companheiros.

Cogitado nos últimos dias por Manchester United, Tottenham e Lyon, o garoto Ransford Osei, adversário direto do nigeriano Chrisantus na briga pela artilharia do Mundial, deve rapidamente deixar o Kessben, de Gana, clube desconhecido – sequer está na primeira divisão local - de onde provém. Ainda que sejam necessárias as ressalvas que mereça qualquer jovem sub-17, Osei parece fadado aos grandes palcos da bola.

sábado, 8 de setembro de 2007

Luiz Fernando Bindi


É maravilhoso ver amigos progredindo, atingindo objetivos. Pois Luiz Fernando Bindi, um profundo estudioso das curiosidades do futebol, é um deles. Estará no Loucos por Futebol que vai ao ar às 21h deste sábado na Espn Brasil. Lá, entre outros assuntos, irá falar sobre algo ainda mais importante.

Bindi lança "Futebol é uma caixinha de surpresas", seu primeiro - de muitos, eu espero - livro sobre as curiosidades que os fãs do futebol precisam saber.

O nome é o mesmo de seu quadro, das segundas-feiras, no programa Fanáticos por Futebol, da Rádio Bandeirantes ; e de seu blog, presente entre os favoritos aqui à direita.

Amigo Bindi: meus grandes desejos de sorte e sucesso!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Pitacos da rodada + seleção #21



Com um pouco mais de tempo disponível, volto a dar pitacos sobre a rodada que se encerrou, a 24ª do Campeonato Brasileiro de 2007.

- Botafogo 1 x 1 Palmeiras

O resultado de quinta no Maracanã fecha o insucesso do Palmeiras nas três últimas rodadas: um ponto em três jogos - contra São Paulo, Cruzeiro e Botafogo – derrubaram o time de Caio Júnior do quarto para o sétimo lugar. Já o Fogão, não pode dizer que foi um bom resultado. No jogo, melhor desempenho dos de Cuca, embora, nos contra-ataques, os paulistam pudessem ter ampliado o placar e garantido os três pontos.

Melhor em campo: Edmundo

- Paraná 2 x 4 Náutico

Deu certo a formação ofensiva de Beto Fernandes. Com quatro homens de frente, o Náutico levou perigo a todo instante e fez valer a preocupação em vencer o Paraná Clube, adversário direto pela permanência. Geraldo, Acosta e Júlio César foram muito bem. Lori Sandri, após um início de otimismo, já coleciona resultados ruins e preocupantes para a seqüência dos paranistas na Série A.

Melhor em campo: Acosta

- Sport 0 x 2 Fluminense

Alterações bem pensadas e decisivas de Renato Gaúcho. Cícero, passado o período de lesão, vai mostrando que neste time do Fluminense ele precisa jogar. Seja como meia-ofensivo, seja como vértice de um losango com Arouca. Partida instável de Thiago Silva, assim como do Sport, que não costuma perder pontos assim. O time, aliás, perdeu dois nomes importantes para a Europa: Weldon e Washington, além de Vítor Hugo. Agora, só tem Da Silva.

Melhor em campo: Cícero

- São Paulo 0 x 0 Atlético-Mg

Jogo bastante equiparado, onde o São Paulo poderia ter tido até mais ambição e sair com três pontos na bagagem. As substituições de Muricy Ramalho são quase sempre previsíveis e não mudam o panorama do jogo. O Galo, por sua vez, é outro sem Marcinho e não tem alas ofensivamente soberbos para atuar no 3-5-2. O time de Leão é o mais opaco dentre os grandes do país, neste Brasileiro.

Melhor em campo: Rogério Ceni

- Santos 2 x 1 Internacional

A derrota frente ao Corinthians não serve de argumento para o público desta quarta-feira na Vila Belmiro. Seis dias antes, menos pessoas ainda iam ao estádio para acompanhar a vitória sobre o Atlético Paranaense. O êxito sobre o Inter, que leva o time de Luxemburgo pela primeira vez ao G-4, foi construído pelo talento de Kléber e um ótimo jogo de Renatinho, que completou 90 minutos em campo só agora nesta temporada. Embora o garoto mereça espaço, Marcos Aurélio, que vez ou outra recebe puxão de orelha de Luxa, precisa ser titular.

Melhor em campo: Kléber

- Flamengo 4 x 1 Figueirense

Joel Santana mais uma vez não teve Roger, suspenso. Renato Augusto, jogando mais atrás, também não foi bem e saiu vaiado, mas merece mais carinho na Gávea. Em campo, bem mais volume de jogo para os catarinenses, que esbarraram em bom jogo de Bruno e sofreram, nos contra-ataques, uma derrota por goleada. Mário Sérgio cai com algumas rodadas de atraso, embora as saídas de Henrique e Vítor Simões não tenham sido repostas no Orlando Scarpelli. Menção positiva para o menino Egídio, de bom desempenho.

Melhor em campo: Bruno

- Grêmio 3 x 1 Vasco

Partida violenta no Olímpico, envolvendo duas equipes que notoriamente são adeptas do jogo brusco. O Grêmio, que jogou no sempre eficiente 4-2-3-1 da Libertadores, parece cada dia mais maduro – assim como o Santos - para entrar de vez na briga pelos quatro primeiros lugares. Eduardo Costa foi uma ótima contratação, assim como o peruano Hidalgo. Léo, que vem da base, é um zagueiraço. Olho nos gaúchos e em Mano Menezes, remontando bem o plantel gremista. A derrota vascaína está no script traçado.

Melhor em campo: Eduardo Costa

- Juventude 1 x 0 Cruzeiro

Terceira vitória consecutiva do Juventude, em quatro jogos com Beto Almeida, e assim como o Náutico, não parece totalmente entregue ao rebaixamento. Há coisas boas no time, como o efetivo retorno após grave lesão de Tadeu, oriundo da base são-paulina e emprestado ao clube gaúcho. O garoto fez bem pros dois, São Paulo e Juventude, selando os três pontos com um gol de fora da área. O Cruzeiro acumula assim um resultado trágico para suas pretensões, embora já tenha a volta de Roni e Guilherme seja outro à disposição de Dorival Júnior.

Melhor em campo: Tadeu

- Corinthians 1 x 0 América-Rn

Os três pontos e o ânimo do grupo são ótimos, mas o volume de jogo corintiano, diante de quase 20 mil fiéis, é preocupante. O jogo foi terrível e, não fosse a inspiração de Nílton para armar o jogo lá de trás, nada teria acontecido. Prova de que o time, do jeito que está, pode ter problemas quando ter a responsabilidade. Com Gustavo Nery voltando na próxima rodada, a vocação do onze titular muda bastante. O América, novamente, foi triste. Pior ainda foi o árbitro pernambucano Cláudio Luciano Mercante Júnior, que parece seguir a escola do conterrâneo Wilson Souza de Mendonça.
Melhor em campo: Nílton

- Goiás 2 x 3 Atlético-PR

O time de Paulo Bonamigo, definitivamente, perdeu o encanto de semanas atrás. Se abriu em demasia e deu a vitória, nos contra-ataques, para o Atlético Paranaense. Ao contrário dos tempos de Lopes, os paranaenses já começam a mostrar algum sentido tático. Muito pela presença de Antônio Carlos e Claiton, ambos jogando bem, e amparados por Ney Franco. Seis pontos seguidos levantam qualquer ambiente.

Melhor em campo: Ferreira
Seleção da rodada:
Rogério Ceni
Bustos - Nen - Nílton - Kléber
Eduardo Costa - Leandro Guerreiro
Acosta - Geraldo
Renatinho - Edmundo