sábado, 8 de setembro de 2007

Luiz Fernando Bindi


É maravilhoso ver amigos progredindo, atingindo objetivos. Pois Luiz Fernando Bindi, um profundo estudioso das curiosidades do futebol, é um deles. Estará no Loucos por Futebol que vai ao ar às 21h deste sábado na Espn Brasil. Lá, entre outros assuntos, irá falar sobre algo ainda mais importante.

Bindi lança "Futebol é uma caixinha de surpresas", seu primeiro - de muitos, eu espero - livro sobre as curiosidades que os fãs do futebol precisam saber.

O nome é o mesmo de seu quadro, das segundas-feiras, no programa Fanáticos por Futebol, da Rádio Bandeirantes ; e de seu blog, presente entre os favoritos aqui à direita.

Amigo Bindi: meus grandes desejos de sorte e sucesso!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Pitacos da rodada + seleção #21



Com um pouco mais de tempo disponível, volto a dar pitacos sobre a rodada que se encerrou, a 24ª do Campeonato Brasileiro de 2007.

- Botafogo 1 x 1 Palmeiras

O resultado de quinta no Maracanã fecha o insucesso do Palmeiras nas três últimas rodadas: um ponto em três jogos - contra São Paulo, Cruzeiro e Botafogo – derrubaram o time de Caio Júnior do quarto para o sétimo lugar. Já o Fogão, não pode dizer que foi um bom resultado. No jogo, melhor desempenho dos de Cuca, embora, nos contra-ataques, os paulistam pudessem ter ampliado o placar e garantido os três pontos.

Melhor em campo: Edmundo

- Paraná 2 x 4 Náutico

Deu certo a formação ofensiva de Beto Fernandes. Com quatro homens de frente, o Náutico levou perigo a todo instante e fez valer a preocupação em vencer o Paraná Clube, adversário direto pela permanência. Geraldo, Acosta e Júlio César foram muito bem. Lori Sandri, após um início de otimismo, já coleciona resultados ruins e preocupantes para a seqüência dos paranistas na Série A.

Melhor em campo: Acosta

- Sport 0 x 2 Fluminense

Alterações bem pensadas e decisivas de Renato Gaúcho. Cícero, passado o período de lesão, vai mostrando que neste time do Fluminense ele precisa jogar. Seja como meia-ofensivo, seja como vértice de um losango com Arouca. Partida instável de Thiago Silva, assim como do Sport, que não costuma perder pontos assim. O time, aliás, perdeu dois nomes importantes para a Europa: Weldon e Washington, além de Vítor Hugo. Agora, só tem Da Silva.

Melhor em campo: Cícero

- São Paulo 0 x 0 Atlético-Mg

Jogo bastante equiparado, onde o São Paulo poderia ter tido até mais ambição e sair com três pontos na bagagem. As substituições de Muricy Ramalho são quase sempre previsíveis e não mudam o panorama do jogo. O Galo, por sua vez, é outro sem Marcinho e não tem alas ofensivamente soberbos para atuar no 3-5-2. O time de Leão é o mais opaco dentre os grandes do país, neste Brasileiro.

Melhor em campo: Rogério Ceni

- Santos 2 x 1 Internacional

A derrota frente ao Corinthians não serve de argumento para o público desta quarta-feira na Vila Belmiro. Seis dias antes, menos pessoas ainda iam ao estádio para acompanhar a vitória sobre o Atlético Paranaense. O êxito sobre o Inter, que leva o time de Luxemburgo pela primeira vez ao G-4, foi construído pelo talento de Kléber e um ótimo jogo de Renatinho, que completou 90 minutos em campo só agora nesta temporada. Embora o garoto mereça espaço, Marcos Aurélio, que vez ou outra recebe puxão de orelha de Luxa, precisa ser titular.

Melhor em campo: Kléber

- Flamengo 4 x 1 Figueirense

Joel Santana mais uma vez não teve Roger, suspenso. Renato Augusto, jogando mais atrás, também não foi bem e saiu vaiado, mas merece mais carinho na Gávea. Em campo, bem mais volume de jogo para os catarinenses, que esbarraram em bom jogo de Bruno e sofreram, nos contra-ataques, uma derrota por goleada. Mário Sérgio cai com algumas rodadas de atraso, embora as saídas de Henrique e Vítor Simões não tenham sido repostas no Orlando Scarpelli. Menção positiva para o menino Egídio, de bom desempenho.

Melhor em campo: Bruno

- Grêmio 3 x 1 Vasco

Partida violenta no Olímpico, envolvendo duas equipes que notoriamente são adeptas do jogo brusco. O Grêmio, que jogou no sempre eficiente 4-2-3-1 da Libertadores, parece cada dia mais maduro – assim como o Santos - para entrar de vez na briga pelos quatro primeiros lugares. Eduardo Costa foi uma ótima contratação, assim como o peruano Hidalgo. Léo, que vem da base, é um zagueiraço. Olho nos gaúchos e em Mano Menezes, remontando bem o plantel gremista. A derrota vascaína está no script traçado.

Melhor em campo: Eduardo Costa

- Juventude 1 x 0 Cruzeiro

Terceira vitória consecutiva do Juventude, em quatro jogos com Beto Almeida, e assim como o Náutico, não parece totalmente entregue ao rebaixamento. Há coisas boas no time, como o efetivo retorno após grave lesão de Tadeu, oriundo da base são-paulina e emprestado ao clube gaúcho. O garoto fez bem pros dois, São Paulo e Juventude, selando os três pontos com um gol de fora da área. O Cruzeiro acumula assim um resultado trágico para suas pretensões, embora já tenha a volta de Roni e Guilherme seja outro à disposição de Dorival Júnior.

Melhor em campo: Tadeu

- Corinthians 1 x 0 América-Rn

Os três pontos e o ânimo do grupo são ótimos, mas o volume de jogo corintiano, diante de quase 20 mil fiéis, é preocupante. O jogo foi terrível e, não fosse a inspiração de Nílton para armar o jogo lá de trás, nada teria acontecido. Prova de que o time, do jeito que está, pode ter problemas quando ter a responsabilidade. Com Gustavo Nery voltando na próxima rodada, a vocação do onze titular muda bastante. O América, novamente, foi triste. Pior ainda foi o árbitro pernambucano Cláudio Luciano Mercante Júnior, que parece seguir a escola do conterrâneo Wilson Souza de Mendonça.
Melhor em campo: Nílton

- Goiás 2 x 3 Atlético-PR

O time de Paulo Bonamigo, definitivamente, perdeu o encanto de semanas atrás. Se abriu em demasia e deu a vitória, nos contra-ataques, para o Atlético Paranaense. Ao contrário dos tempos de Lopes, os paranaenses já começam a mostrar algum sentido tático. Muito pela presença de Antônio Carlos e Claiton, ambos jogando bem, e amparados por Ney Franco. Seis pontos seguidos levantam qualquer ambiente.

Melhor em campo: Ferreira
Seleção da rodada:
Rogério Ceni
Bustos - Nen - Nílton - Kléber
Eduardo Costa - Leandro Guerreiro
Acosta - Geraldo
Renatinho - Edmundo

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Pérolas do Sub-17 #3


Bojan Krkic tem apenas 17 anos, mas rapidamente será um camisa nove com requintes de World Class. A afirmação é prematura, não há dúvidas. Mas os números, o potencial, e a estrela do garoto espanhol, destaque da Fúria no Mundial Sub-17, são impressionantes e, de certa forma, servem como contraponto à tese de “vamos com calma”.

No atual torneio sub-17, Bojan Krkic tem sido o principal destaque individualmente. Atuando com o respaldo dos ótimos Mérida e Aquino, cumpre com excelência aquilo que dele se esperava. Até aqui, são cinco gols no campeonato, onde alia técnica, potência e oportunismo. O mais importante deles, contra Gana, nos últimos instantes da prorrogação do jogo que levou a Espanha para a final do Mundial Sub-17.

E foi o gol decisivo, também, o lance mais discutido e difundido da competição. Sálvio Spínola Filho, brasileiro que arbitrava a partida, expulsou Bojan Krkic pela comemoração lenta e efusiva. Marcação justa ou não, cabe a interpretação. Mas o fato é que muito do brilho da final foi excluída ali, no cartão vermelho do homem do apito.

Bojan Krkic é tratado como o maior do mundo na categoria sub-17. Tanto é verdade que, o Barcelona, chegou a peitar a Federação Espanhola para não liberar o garoto para a competição. Bojan já treina ao lado de feras como Ronaldinho e Messi, já tendo, inclusive, feito sua estréia entre os profissionais, onde segue os passos de Giovanni dos Santos, pouco mais velho e ganhando seu espaço.

O pai de Bojan é sérvio, e foi inclusive jogador do Estrela Vermelha, de Belgrado. Foi à Espanha e casou com uma catalã, união frutífera para o mundo da bola. Em sete anos nas canteras do blaugrana, fez 889 gols, quebrando recordes possíveis e inimagináveis. Entre outros feitos, para abreviar a história, foi destaque consecutivamente nos últimos dois torneios Europeu Sub-17.

Em 2006, além de bronze pela Espanha, foi artilheiro. Tinha só 15 anos. Neste ano, deu o título aos espanhóis, com atuações decisivas contra Inglaterra, na final, e Bélgica, na semifinal. Suspenso da decisão do Mundial Sub-17, onde seu país defrontará a Nigéria, o menino Bojan Krkic não poderá dar o título, mas até aqui já contribuiu bastante para isso.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Futebol brasileiro

Coluna publicada originalmente na Trivela, às segundas-feiras.

"Contrastes de sábado"

Usar a expressão “nivelado por baixo” tem sido um abrigo seguro e confortável para os que simplesmente não gostam do Campeonato Brasileiro atual. Geralmente, os que são seguidores da linha que preferem ficar no hotel dormindo a ir ao estádio ver um jogo de Copa do Mundo. Pois os jogos do último sábado, especificamente no Morumbi e no Machadão, mostraram que o torneio nacional tem bem mais contrastes do que nivelamento.

A fragilidade do América é, de longe, a situação mais abissal do torneio. Impressiona, negativamente, a forma com que a equipe potiguar caminha a passos gigantescos para a lanterna. Contra o Juventude, dentro do Machadão, parecia o momento propício para três pontos. Pois como havia sido contra o Náutico, também em casa, o Mecão sucumbiu, levou de três.

A forma com que ocorrem os gols do Juventude deixa transparecer uma passividade grande diante dos acontecimentos, o que denota não só aspectos técnicos para explicar a situação potiguar no campeonato, mas também problemas emocionais, já que todos os gols ocorrem no último terço do segundo tempo. Ainda assim, é necessário lembrar do erro gravíssimo da arbitragem ao validar o segundo gol dos gaúchos.

A situação do América, ainda mais que a do Náutico e do Juventude, por exemplo, merece um exercício de análise muito mais profundo do que três parágrafos de coluna. Há erros terríveis de planejamento e montagem do elenco em toda a temporada, agravados por uma infeliz derrota no cenário estadual, decisiva para dar ao clube e sua infeliz direção mais 15 jogos torturantes no ano. Melhor seria acabar já.

Caminhando na direção sul do país, impressiona ainda a forma com que o São Paulo tem liqüidado os adversários. Mesmo sem ter uma parte técnica tão destoante dos demais, a equipe de Muricy Ramalho sobra nos quesitos físicos, táticos e, claro, mentais. A segurança são-paulina dentro de campo, mesmo nos momentos difíceis – como no segundo tempo contra o Palmeiras – é a principal marca do time que possivelmente será bi-campeão brasileiro.

Todos os outros aspirantes ao primeiro lugar, como Cruzeiro, Botafogo, Vasco, Santos, Grêmio e Palmeiras, mostram constantes momentos de oscilação. Talvez um pouco menos os mineiros, que pagam por um início terrível com resultados ruins dentro de casa contra Corinthians, Paraná e Juventude, três times que brigam no último terço da tabela. O São Paulo, mesmo que com tropeços nos primeiros jogos, tem cada vez mais uma margem segura para administrar as próximas rodadas.

No sábado, a vitória ratificada no Morumbi, com goleada, foi mais impressionante pela intensidade física e mental do São Paulo dentro de campo. Nesse sentido, a elogiável presença de público no estádio foi decisiva, o que deixa nítido que, com o torcedor mais assíduo, os resultados podem vir a ser ainda mais positivos. E o Campeonato Brasileiro, bem menos nivelado, como diria o outro.

- Verdades e emoções

A atuação defensiva do Corinthians, no clássico do Pacaembu, transcende a perfeição. Com Vampeta bem protegido para armar e, especialmente, tranqüilidade na linha defensiva, com performances soberbas de Carlos Alberto e Carlão, a equipe da casa anestesiou seus incontáveis problemas na temporada. Cabe ainda ressaltar o desempenho de Nílton à frente da zaga, aliando combatividade e fazendo o onze titular respirar quando com a posse de bola.

Felipe, goleiro de personalidade, operou alguns milagres, dada a incapacidade corintiana de frear o Santos – um oponente de muito valor - no segundo tempo. Foi outro Felipe, o santista, o personagem decisivo do clássico de um ano atrás, no mesmo Pacaembu.

A decisão de efetivar José Augusto foi tomada ainda no vestiário após a vitória – como havia sido a demissão de Carpegiani – e novamente pautada pelo emoção pós-jogo. O treinador, por mais que pareça capaz e boa-praça, não tem a tarimba necessária para um trabalho a médio-prazo, sobretudo no turbilhão do Parque São Jorge.

Efetivar interinos, aliás, não é novidade no Parque São Jorge, assim como pensar com os nervos. Eduardo Amorim, Márcio Bittencourt e Ademar Braga estão aí para provar a veracidade da tese.

- Caça-atacantes

O desequilíbrio na formação do plantel cruzeirense, no início do ano, foi um dos motivos apontados para o fracasso do clube nos primeiros meses. Pois é justamente a riqueza de meias e atacantes que tem salvo a vida de Dorival Júnior e trazido qualidade para o campo.

O primeiro foi Nenê, que repentinamente, após muito tempo de fora, apareceu para buscar um empate contra o Atlético Paranaense. Pois além dos momentos bons de Fellype Gabriel no primeiro turno, foi Alecsandro que apareceu sem alarde para se tornar a principal referência ofensiva do Cruzeiro.

Nos últimos jogos, Marcelo Moreno teve três ótimas exibições. Contra o Corinthians, seu primeiro como titular no campeonato, foi perigoso e tirou o sono de Édson, além de dar um gol a Alecsandro. Neste domingo, contra o Palmeiras, foi novamente decisivo, com dois belos gols. Prova de que, ter elenco forte, nunca é ruim.

Seleções # 19 / #20


Rodada do fim de semana


Felipe
Bruno (Juv) - Nílton - Thiago Sales (Fla) - Fernandinho
Eduardo Costa - Ramires
Souza - Dagoberto
Marcelo Moreno - Tuta
___________

Rodada do meio de semana

Max
Coelho - Thiago Silva - Domingos - Jorge Wagner
Hernanes - Maldonado
Thiago Neves - Marcelinho (Vasco)
Leandro Amaral - Vanderlei

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Corinthians 2 x 0 Santos


O que ocorreu nesse domingo, no Pacaembu, mostra o porquê de nove entre dez comentaristas experientes não palpitarem antes de clássico. A vitória corintiana, construída basicamente por superação defensiva e intensidade física durante os 90 minutos, beira o imponderável. Mas há muitas coisas a serem ponderadas e ressaltadas.

O posicionamento tático do Corinthians em campo foi sob medida. Com dois zagueiros bom no combate – Betão e Zelão, a bem executada sobra realizada por Nílton se sobressaiu, dando também possibilidade do time respirar quando com a posse de bola, já que o garoto rompia a linha defensiva para organizar o time mais à frente. Bruno Otávio e Vampeta conseguiram dar conta dos meias santistas, assim como Carlos Alberto e Carlão, posicionados na linha dos volantes, reduziram a capacidade de ação de Baiano e Kléber.

Por fim, Moradei veio a campo reforçar a marcação, em um momento em que o ímpeto santista era maior, assim como o número de jogadores ofensivos. Jogando como franco-atirador, o Corinthians pôde encontrar brechas no sistema defensivo do Santos. E assim pautou sua trajetória no jogo, permitida também por uma tarde memorável do ótimo Felipe.

É evidente que tudo isso seria diferente a partir de um gol santista para abrir o placar. Em uma bola aérea, uma falta bem cobrada, ou um lance de individualidade de Kléber, Pet ou Marcos Aurélio. Mas não aconteceu. E sim o gol corintiano, em lance feliz do garoto Nílton. E como se sabe, um gol assim muda toda a história do clássico. Desta vez, a favor do Corinthians.

Foto: Uol

domingo, 2 de setembro de 2007

Olho gordo #4


Ramires Santos do Nascimento, 20 anos, Rio de Janeiro-RJ. Tem 1,80 m e 67 kg.

Ramires chegou sem alarde ao Cruzeiro. Pouca gente, além dos catarinenses do Joinville, conhecia o potencial deste que é, até aqui, um dos melhores cabeças-de-área do atual Campeonato Brasileiro. Com fôlego de volante e visão de jogo de meia-armador, o destaque desta seção também se destaca pelos deslocamentos, visto que habitualmente aparece como opção aos homens de frente.

A presença de meio-campistas assim, como é o caso de Charles e também de Léo Silva, é inclusive decisiva para a identidade cruzeirense com Dorival Júnior. Com vocação ofensiva, o Cruzeiro tem sido o mais agradável time de se ver. A performance de Ramires é muito importante nesse sentido, pois dá a cara do meio-campo.

A descoberta de Ramires, inclusive, deixa lições para os clubes brasileiros. Cada vez mais sem opções para contratar - e também poder aquisitivo para concorrer com estrangeiros - buscar outros mercados e privilegiar olheiros capacitados é um caminho interessante. Ramires é prova viva.
As montagens da "Olho Gordo" são feitas por Diego Brito.