domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz ano velho: Luxemburgo e o Fla não aprenderam com os erros do passado


A temporada 2012 se inicia, a diretoria do Flamengo trabalha por negociações, mas o único reforço confirmado é o quase desconhecido lateral Magal, ex-Americana. Até aqui, as principais movimentações de mercado foram as renovações de Felipe e Renato Abreu, além é claro do acerto para a permanência de Ronaldinho. Thiago Neves, autor de 21 gols no ano passado, deve sair. O sonho rubro-negro, adivinhe, é Vagner Love.

Na véspera de se apresentar à pré-temporada e a três semanas de decidir vaga na Copa Libertadores, o Flamengo é mar de incertezas porque, em dezembro, não sabia qual seria seu treinador para 2012. A decisão impacta diretamente no departamento de futebol, no planejamento do ano seguinte e na montagem do elenco. Por isso, o gol de Renato Abreu, contra o Vasco, valeu tanto, mas não serviu para tirar a equipe do atoleiro. Anda, anda e não muda de lugar.

Curioso é notar um grave erro de planejamento de Vanderlei Luxemburgo, cuja montagem de equipe, ao fim da temporada, tinha quatro pilares fundamentais sem a certeza da permanência, o que ainda se estende a Willians, Maldonado e Aírton, entre outros. Mais curioso ainda é o erro partir do mesmo Luxemburgo, que assume papel de gestor e tem carta branca, na Gávea, para cuidar do mercado. Foi por conta de vacilo semelhante que o Palmeiras deixou a briga pelo título brasileiro em 2008.

Naquele ano, líder do Brasileiro no começo de outubro, a equipe despencou nas rodadas finais justamente por conta dos contratos. Titulares importantes como Alex Mineiro, Kléber, Leandro, Martinez e Elder Granja, entre outros, tinham vínculos a vencer, a situação escapou do controle e o time se perdeu. Luxemburgo admitiu o erro na ocasião e remontou um grupo todo novo para 2009, com jovens como Keirrison, Cleiton Xavier, Marquinhos e Willians, e iniciou a temporada sob protestos da Mancha Verde.

Quem chega tarde para comprar, conhece bem Luxemburgo, compra a toque de caixa e, ou paga mais caro, ou contrata pior. O Flamengo se lembra bem do quanto pagou por Diogo e Deivid, no último dia da janela de 2010, porque Zico não teve o traquejo de mercado. Foi assim durante o Brasileiro, com Junior Cesar e Alex Silva. Antes mesmo de 2012 começar, o Fla já é uma sucessão de erros.

Foi em cenário assim, não custa lembrar, que o Corinthians arruinou os primeiros meses de 2011 e despencou contra o Tolima. Liedson, por exemplo, só foi apresentado quando a equipe já havia perdido a vaga na Libertadores. Tudo fruto das mudanças no departamento de futebol e na demora para se reestruturar o clube para encarar o mercado. Por situações mais ou menos como essas é que Vasco, Palmeiras e Santos ainda não têm reforços de verdade confirmados.

Uma temporada de sucesso, muitas vezes, começa muito meses antes da própria temporada. O Flamengo de 2012 tentará mudar essa escrita, mas já está atrasado.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Juvenal, o Sombra e os vaselinas

Eduardo Uram: o dono de três entre os cinco nomes do pacotão são-paulino

Há um motivo de esperança de dias melhores no Morumbi. Não é o trabalho de Emerson Leão, não são os dribles de Lucas, os gols de Luís Fabiano ou as defesas de Rogério Ceni. Também não é a versão 2012 do pacotão de reforços, claro. A esperança é porque Dagoberto já está bem distante, mais precisamente no Beira-Rio. A felicidade é tão grande que a direção fez questão de anunciar os valores: por R$ 2,2 milhões, ele será do Internacional no próximo ano.

Dagoberto é o grande símbolo dos jogadores que, em sua impagável e inflamada entrevista na terça-feira, Juvenal Juvêncio intitulou vaselina. Dagoberto é um vaselina no São Paulo há bastante tempo. Minou treinadores, fez atritos, jogou quando quis, sumiu quando quis. Uma diálogo flagrado por Sérgio Baresi entre ele e Marlos marcou sua passagem pelo time principal em 2010: "não te falei que eu ia dar migué? Ia e dei mesmo", disse Dago no vestiário. Sem retaguarda, Baresi sacou o vaselina, mas o ambiente era terrível e ele terrivelmente cru.

O São Paulo de 2012 não terá um treinador verde, muito pelo contrário. Emerson Leão, sem multa rescisória e sob a sombra de Paulo Autuori para maio, precisará mostrar muito mais do que no último Campeonato Brasileiro. Para isso, terá reforços de personalidade, especialmente Fabrício, que chegam com a missão de mudar o ambiente e a atitude da equipe em campo - sem Dagoberto e certamente sem Marlos, a tarefa fica mais acessível. Juan, Casemiro e Henrique, que também se enquadram no perfil de vaselina, estão na alça de mira.

A incógnita, se já não bastasse os últimos terríveis trabalhos de Leão, é a qualidade do time a se formar. Os reforços chegam com o carimbo de Eduardo Uram, empresário que dominou o futebol carioca no início da década e trabalhava com mais de 15 jogadores do Figueirense. Se o São Paulo de 2005 a 2010 era de Juan Figger, hoje é de Uram. Apelidado de Sombra por sua discrição nos bastidores, ele foi quem intermediou os contratos de Maicon, Edson Silva e Cortês. Eles se juntam a Cícero, Juan, João Filipe e Luiz Eduardo. Sete jogadores do mesmo agente.

Ter muitos nomes do mesmo empresário dentro do elenco, o ex-diretor de futebol Juvenal Juvêncio sabe que é sempre um perigo. Daí sua implicância quando Marlos, Dagoberto e Miranda, de Marcos Malaquias, estavam juntos em campo. A aproximação de Uram se deu na ascensão de Adalberto Baptista, do marketing ao futebol, e já rendeu um fruto. Luiz Eduardo, promessa de Cotia para a defesa, assinou com o agente, que pela segunda temporada consecutiva transformou o Orlando Scarpelli em um grande supermercado da bola.

Cristóvão Borges, que comandou o inesquecível Vasco-2011, costumava dizer na reta final da temporada: o mais difícil não é montar um time forte, mas sim construir um grupo. Desde que Muricy Ramalho deixou o Morumbi, o São Paulo, com seus vaselinas, com os jovens e com os pacotões, reúne bons jogadores, mas nunca tem uma equipe de verdade. A versão 2012, com Emerson Leão, não passa segurança até aqui.

sábado, 17 de dezembro de 2011

O que ensinam os campeões – parte 2


De novo Muricy Ramalho é personagem desse texto como encerramos os comentários sobre a temporada 2010. Na manhã do domingo, quando os brasileiros vão acordar cedo e recordar o pentacampeonato de 2002, Santos e Barcelona entram em campo para decidir o título mundial de clubes. O mesmo Estádio Internacional de Yokohama daquela final vai mostrar um jogo aguardadíssimo entre dois times que, em comum, só têm o fato de ter gênios da bola como protagonistas.

Grandes campeões continentais na temporada, Barcelona e Santos, segundo seus treinadores, enxergam o futebol de forma muito distinta. Curiosamente, são em seus países os times mais elogiados por suas categorias de base, justamente de onde saem todos os craques da decisão: Ganso e Neymar de um lado, Messi, Xavi, Fabregas e Iniesta do outro. Na prática, os times jogam e costumam vencer sob paradigmas opostos.

Em entrevistas, Muricy tem dito que o Santos precisará agredir o Barcelona e tentar equilibrar as ações, mas sequer conseguiu ter mais posse de bola que o atual campeão japonês: 52% para o Kashiwa Reysol, 48% para o time que tem Neymar e Ganso. O Barça, sim, sabe como fazer isso. Jogou com só dois titulares do meio para a frente e, diante do modesto Al Sadd, teve a bola em 75% do tempo.

Muricy diz também que Guardiola só poderia ser chamado de melhor do mundo caso tivesse sucesso no futebol brasileiro. Será que o santista faria o Barcelona jogar como o adversário? Difícil imaginar um centroavante de 1,69 m a serviço de Muricy, um lateral como Daniel Alves ou um time sem zagueiros.

Messi ou Ibra: quem seria seu centroavante, Muricy?

Pep prefere manter a posse e faz seus jogadores mais ofensivos marcarem como volantes carrapatos, o que talvez seja o maior segredo para uma equipe revolucionária. Não é a posse de bola espantosa o diferencial do Barcelona, mas sim a sede por roubá-la e iniciar a jogada seguinte. Muricy a oferece para os adversários e aposta nos passes de Ganso, na individualidade de Neymar e na finalização de Borges. Seu time não tem volume, não controla, não domina. Vence boa parte das vezes, claro.

As discussões em torno do Barcelona, mais uma vez frequentes no Footecon 2011, raramente tocam os pontos mais marcantes. Não é só a posse de bola, mas a capacidade de desmarcação dos jogadores e, essencialmente, como se desarma com sede, organização e facilidade. A bola não fica no pé só porque o passe é qualificado, mas porque é rapidamente recuperada. Muricy, após o jogo contra o Kashiwa, admitiu os problemas em sua defesa porque “Neymar não pode marcar”. Deveria observar o comportamento de Messi sem bola.

No Campeonato Brasileiro de 2011, o campeão Corinthians e os outros quatro melhores colocados (Vasco, Fluminense, Flamengo e Inter) estão entre os sete que mais desarmam na competição. A estatística passa a mensagem de que marcar de forma competente é um princípio quase decisivo para recuperar a posse de bola, jogar, fazer gols e vencer. Líder em roubadas, o Palmeiras teve campanha medíocre porque não basta desarmar, é preciso converter.

A equipe de Tite foi referência pela capacidade em roubar a bola sem cometer faltas e por atacar com intensidade. Inúmeros gols do Corinthians no Brasileiro surgem com desarmes, como nas vitórias sobre Ceará e Atlético-MG, momentos chaves na reta final da Série A. O ponto baixo do campeão foi não controlar os nervos, aflorados pelo início de campanha bem acima da expectativa. Mais frio e consciente, poderia ter vencido sem tantos percalços.

O grande mérito do treinador corintiano, reconhecido por ele próprio, é fazer seu time jogar de maneira coletiva, com e sem a bola. É outro ponto chave do Barcelona e também da Alemanha, seleção do momento até pela estafa natural dos espanhóis. A solidariedade sem a posse, o jogo de passes e as movimentações em campo são de uma equipe que joga em conjunto desde que tinha Fritz Walter como capitão e Sepp Herberger como treinador.


Eles merecem

Atuar coletivamente é muito mais que ter raça e entrosamento e não combina com esse Santos, também merecedor do título porque tem jogadores raros como Ganso e Neymar, trabalhadores como Rafael, Arouca, Danilo, Durval e Léo, líderes como Edu Dracena e Elano. O Mundo Deportivo deste sábado usa o título “maestros do contragolpe”. Mais que um estilo de jogo, uma escolha do treinador.


- Texto de 2010: o que ensinam os campeões

domingo, 20 de novembro de 2011

Flu de Fred e Abel já está entre os maiores


Com a convincente vitória sobre o Figueirense, neste domingo em Florianópolis, o Fluminense confirmou o título do segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2011. Com 37 pontos no returno, o Flu tem seis de vantagem para a própria equipe catarinense, vice-líder da segunda metade da competição.

O aproveitamento atual de 72% pode colocar o time de Fred, Deco e Abel Braga entre os maiores da história do returno do Brasileiro na era dos pontos corridos. Caso vença os últimos dois compromissos (Vasco e Botafogo), o Fluminense sobe sua porcentagem para 75%.

Campeão de 2003, o Cruzeiro levou o segundo turno com aproveitamento de 76% e jamais foi superado. O aproveitamento daquela equipe é também o maior da história de uma time em um turno (seja primeiro ou segundo) do Campeonato Brasileiro. No ano passado, o Grêmio reagiu sob o comando de Renato Gaúcho e chegou perto dos cruzeirenses com aproveitamento de 75% e vaga na Copa Libertadores.

Confira todos os campeões de returno do Campeonato Brasileiro*

1º - Cruzeiro (2003) - 53 pontos em 23 jogos (76%)
2º - Grêmio (2010) - 43 pontos em 19 jogos (75%)
3º - São Paulo (2008) - 42 pontos em 19 jogos (73%)
3º - Fluminense (2011) - 37 pontos em 17 jogos (73%)**
5º - Flamengo (2009) - 40 pontos em 19 jogos (70%)
5º - São Paulo (2006) - 40 pontos em 19 jogos (70%)
7º - Santos (2004) - 48 pontos em 23 jogos (69%)
8º - Inter (2005) - 41 pontos em 21 jogos (65%)
9º - São Paulo (2007) - 37 pontos em 19 jogos 64%

* Considera apenas o período desde a adoção dos pontos corridos
** Ainda tem dois jogos por fazer: Vasco (casa) e Botafogo (fora)

Confira todos os campeões de 1º turno do Brasileiro

1º - Grêmio (2008) - 41 pontos em 19 jogos (72%)
2º - São Paulo (2007) - 40 pontos em 19 jogos (70%)
3º - Cruzeiro (2003) - 47 pontos em 23 jogos (68%)
4º - São Paulo (2006) - 38 pontos em 19 jogos (66%)
4º - Fluminense (2010) - 38 pontos em 19 jogos (66%)
6º - Corinthians (2011) - 37 pontos em 19 jogos (65%)
6º - Internacional (2009) - 37 pontos em 19 jogos (65%)
8º - Corinthians (2005) - 39 pontos em 21 jogos (61%)
9º - Santos (2004) - 41 pontos em 23 jogos (59%)

- Publicado no Terra

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O jogo que escancara virtudes e defeitos do provável campeão


Vencer uma partida com desempenho irregular ou perder com domínio são situações que fazem parte do futebol, mas o líder tem abusado dos opostos. O Corinthians, com tempos absolutamente distintos contra o Ceará na quarta-feira, deu um passo importantíssimo na busca pelo título brasileiro. Mais interessante é que o duelo caldeirão do Presidente Vargas deixou bem escancaradas as virtudes e os defeitos daquele que, se conservar o atual aproveitamento nas três rodadas finais, será o justo campeão brasileiro.

Em 45 minutos, o Corinthians foi lento e dispersivo na frente, o que tem relação direta com o cansaço de Liedson e Danilo, quase sempre os mais prejudicados nos jogos às quartas-feiras, a ausência de Paulinho, tecnicamente muito superior a Edenílson, seu substituto, e do posicionamento de Osvaldo e Felipe Azevedo, que jogaram, com inteligência, em cima de Alessandro e Fábio Santos. Sem equilíbrio para fazer a transição defesa-ataque e sem posse de bola ofensiva, o líder foi dominado. O rojão estourou diversas vezes lá atrás e Júlio César fez milagres e teve sorte.

Tite, o mais subestimado dos bons treinadores deste Campeonato Brasileiro, é o grande responsável pela subida de produção após o intervalo. Mesmo sem Jorge Henrique, Alex e Adriano (pois é), ele tirou um coelho da cartola com a entrada de Morais, o que empurrou Danilo para o corredor esquerdo e Emerson para a função mais avançada. Com paciência para trabalhar a bola, escorada na qualidade do toque de Morais (de 21 passes, acertou 20 e foi o segundo maior passador da etapa final), a equipe controlou o jogo à frente e só não ameaçou tanto a Fernando Henrique em função das atuações tecnicamente muito ruins de Willian e Emerson.

O segundo ato de brilho do treinador foi a entrada de Ramírez para dar novo fôlego ao corredor esquerdo de ataque, que já tinha Danilo sem pernas. Bingo! Na primeira jogada à frente, o peruano recebeu de Ralf (repare como muitos gols do Corinthians começam em seus desarmes), levou o zagueiro com facilidade e chutou por baixo para definir três pontos que são, na prática, a vantagem para o Vasco, com dois pontos e duas vitórias a menos.

O Corinthians tem tudo para ser o justo campeão brasileiro, afinal lidera a competição em 24 das 35 rodadas e é superior nos confrontos diretos contra todos os times do topo da tabela, salvo o Figueirense, mas precisará de muito mais em 2012 na Copa Libertadores - a vitória sobre o Ceará já assegurou presença ao menos na fase qualificatória.

O time de Tite, que tem culpa no cartório também por isso, é excessivamente tenso e muito coração e pouco cérebro em campo, o que se relaciona de forma direta com a perda do título de 2010 e a expectativa criada com o início surreal de 2011. Raramente consegue controlar até partidas teoricamente fáceis, como contra o Atlético-PR no último domingo, e erros desse tipo não são permitidos em jogos de Libertadores. No Brasileiro, não devem ser suficientes para tirar o título do Parque São Jorge.

domingo, 13 de novembro de 2011

Beleza americana


Há times que realmente se preparam para chegar até a Série A: é o caso do Coritiba, de temporada que consolida a evolução de um trabalho com orçamento modesto e de qualidade. Não é o caso do surpreendente Figueirense, todo remodelado em relação a 2010 e, acredite, com força para chegar na Copa Libertadores pela primeira vez na história. Tampouco é o caso do América-MG, que tem entre suas poucas seis vitórias apresenta cartel positivo contra Vasco, Corinthians e, duas vezes, o Fluminense. O último contra o Flu, sábado no Engenhão, foi o primeiro triunfo como mandante.

Graças aos gols do veterano Fábio Júnior e de um time bem arrumado por Mauro Fernandes, o América-MG arrancou na reta final da última Série B e confirmou uma promoção totalmente fora dos prognósticos. Mesmo na calmaria que é disputar o Campeonato Mineiro, a equipe sofreu transformações sucessivas, como na queda de Mauro, na troca de Flávio por Neneca no gol ou na saída de Irênio dos titulares. A trajetória errante ajuda a explicar o rebaixamento 99% certo, mas o Coelho pode dizer que cai de pé.

De longe, o América-MG é quem tem o orçamento mais modesto da elite nacional: é, ao lado de Ceará, Avaí, Figueirense e Atlético-GO, prejudicado pelo abismo das cotas de televisão para não membros do Clube dos 13. Some a isso a renda paupérrima por atuar longe de sua torcida: R$ 1,781.880 de renda em todo o Brasileiro. Mais da metade dessa fatia (R$ 961 mil) foram arrecadados contra o Corinthians em Uberlândia, o que expõe um fluxo de caixa ainda menor durante a competição.

Mesmo sem se planejar devidamente para chegar forte à Série A e com limitações orçamentárias claras, o América-MG deve retornar para a segunda divisão com a ideia de que cumpriu seu dever. Os resultados do time de Givanildo quase sempre são acima das expectativas, como no empate em 2 a 2 contra o Grêmio, com um jogador a menos, ou também em empates contra Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia e Palmeiras, todos de setembro pra cá. Ou até na sofrida derrota de virada, por 2 a 1, contra o Figueirense no Orlando Scarpelli. São 12 jogos em que a equipe americana levou gol quando tinha a vantagem no placar e deixou de pontuar mais.

Givanildo, aliás, tem aproveitamento de 38% após 20 jogos, o que deixaria o América-MG de fora da zona do rebaixamento por uma pequena porcentagem. A grande noite no Engenhão, contra um Fluminense que esperava liderar o Brasileiro (ao menos no sábado), pela primeira vez, ratifica a sensação de dever cumprido para os mineiros.

A defesa a três foi firme, especialmente com Willian Rocha e o ótimo goleiro Neneca. A saída para a frente, com Marcos Rocha inspirado pela direita e Kempes e Rodriguinho na aproximação a Fábio Júnior, levaram perigo ao Flu a todo instante. A vitória foi justíssima. Uma beleza americana.

domingo, 6 de novembro de 2011

Tudo que conspira para o raro equilíbrio do Campeonato Brasileiro


A Bundesliga, quando não tem o Bayern de Munique a 100%, é o campeonato que tem quatro ou cinco candidatos ao título. No Inglês e no Italiano, raramente sai de um grupo de três concorrentes, cenário ainda mais restrito na Espanha. Esqueça a ideia de que o Brasileiro é o melhor do mundo, mas a classificação a cinco jogos do fim mostra que equilíbrio existe mesmo é por aqui. São cinco times separados por uma diferença de três pontos e, embora o Corinthians lidere 22 das 33 rodadas, não há garantias na mesa.

O que ajuda a explicar essa situação tão peculiar do futebol brasileiro é o desequilíbrio cotidiano de nossos clubes. Uma equipe que ontem era presa fácil rapidamente se torna competitiva, como são os casos de Fluminense e Atlético-MG, provavelmente os grandes vencedores da rodada 33. Por sorte, enfrentar os times certos na hora certa ajuda a explicar sequências positivas na competição, caso exato do líder Corinthians.

Um time que teve força e incrível competência para somar 27 pontos em 10 partidas contra uma série de equipes em momentos instáveis, mas é irregular já desde o fim de julho. São mais de três meses sem duas vitórias seguidas e você provavelmente nem se deu conta.

Se não há torneio nacional equilibrado como a Série A, também não há tantos clubes sujeitos a turbulências quanto os grandes brasileiros. Administrações mal estruturadas, sujeitas a interferência de torcidas organizadas e de imprensa nas decisões, sobretudo trocas de treinadores e de jogadores, ajudam e muito a compor esse cenário que resulta na classificação a cinco rodadas do fim. Mesmo o Flamengo, desacreditado em uma semana que pipocaram os inacreditáveis atrasos nos salários de Ronaldinho, tem totais possibilidades e empurrou o Cruzeiro para a zona do rebaixamento.

Contra os cariocas, em tese, pesa a tabela de clássicos nas rodadas finais. O Vasco tem três clássicos, o Flu e o Botafogo têm dois e o Flamengo (atenção ao detalhe) apenas um, contra os vascaínos, em sua última partida. Mas, no dia em que o líder perde para um time virtualmente rebaixado com atuação muito abaixo da crítica, como fazer prognósticos?

Os confrontos diretos entre cariocas podem favorecer, mas a série final do Corinthians (Ceará, Atlético-MG, Figueirense e Palmeiras), que parecia acessível há duas semanas, hoje se anuncia muito dura. É a imprevisibilidade do Campeonato Brasileiro sem favoritos confiáveis.