segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Não vai faltar talento

Dupla do Flu: o meia Wellington (/92) e o atacante Wellington Silva (/93)

O drama de que não revelamos mais talentos é constante, mas as últimas semanas têm sido ilustrativas sobre como o futebol brasileiro é uma verdadeira dádiva da natureza. É verdade que nossos jogadores não vivem o ápice na Europa, de forma geral, mas isso se deve a vários fatores que não cabem nesta dicussão. A questão é: o Brasil revela demais.

Após o vice-campeonato mundial sub-20 com os meninos classe /89 e /90, há uma geração formidável a caminho com os /91 e /92, visando a mesma competição em 2011. Os jogadores desta turma disputam um hexagonal em Punta del Este, apenas com seleções continentais. Impressiona a qualidade de gente como o goleiro botafoguense Milton Raphael, o zagueiro gremista Saimon, o volante são-paulino Wellington e o meia santista Alan Patrick. Oscar, em litígio com o São Paulo, então nem se fala.

Em conversa com o blogueiro, Rogério Lourenço, técnico da sub-20, declarou que Oscar é o jogador mais impressionante com quem já trabalhou. Nos compromissos contra Chile e Uruguai, o camisa 10 desequilibrou. Prende a bola ao pé, protege, olha mais que os outros, dribla quando precisa. Acelera e desacelera o jogo com maestria. Um craque.

Nesta mesma época, a Copa São Paulo nos brinda com mais talentos. Crystian, do Santos, e Gabriel Silva, do Palmeiras, /92 e /91 respectivamente, impressionam nas laterais. Bruno Uvine, capitão do São Paulo, um zagueiraço, destaque já na edição de 2009. No meio, olho nos "monstros" Nikão, do Santos, Jonathan, do Vasco, Wellington, do Fluminene, e João Vítor, do Flamengo. À frente, mais gente com grande capacidade: Lucas Gaúcho, outro são-paulino, Sebá, do Cruzeiro, Lucas Roggia, do Internacional.

Merece também mais espaço uma joia chamada Wellington Silva. Acionado quando o Flu perdia por 2 a 0 para o São Bernardo, o atacante mostrou que é diferente de seus pares. Desequilibrou a partida contra jogadores dois anos mais velhos (ele é um /93): fez gol do 1-2, construiu a jogada do empate - um primor! - e sofreu o pênalti da vitória e da classificação - veja o vídeo no fim do post. Em 2011, fará 18 anos e se apresentará a Arséne Wenger. Há dois anos, Wellington brilhou em Old Trafford pela Nike Cup. O treinador francês estava de olho. Azar do Fluminense, que entregou um primor de craque por uma merreca.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O que sobrou do Barueri


A confirmação de Leandro Castan como reforço do Corinthians significou a partida do décimo de 11 titulares do Grêmio Barueri na surpreedente campanha na temporada de estreia na Série A. Como já era previsto desde o fim do primeiro turno, o clube assistiu à debandada de todos os seus destaques, mostrando que a faceta de clube organizado era bem irreal.

Por mais que a direção hesite em admitir, a partida para Presidente Prudente, em definitivo, é uma mera formalidade e deve ser confirmada nos próximos dias. A mudança para Grêmio Prudentino, assim como o nascimento e o crescimento do Barueri, será impulsionada pelo investimento do prefeito Milton Carlos de Mello, do PTB.

Como já demonstrou nos três dérbis entre Corinthians e Palmeiras que recebeu em 2009, a população de Prudente não dá tanta bola assim para o futebol. A estreia de Ronaldo levou 44 mil espectadores, mas os dois jogos do Brasileiro decepcionaram: 29 mil no confronto dos três gols de Obina, pouco além de 15 mil para o empate em 2 a 2.

Pior ainda é o time que o Barueri vai montando para 2010. Os reforços mais conhecidos são Jéfferson, do Palmeiras, e Marcelo Oliveira, do Corinthians, ambos emprestados. Também chegam Carlos Eduardo, do Fluminense, Ji-Paraná, ex-seleção sub-20 e time B do Inter, e outros jogadores obscuros. No comando, Vinícius Eutrópio, que jamais deixou de ser o interino pronto para ajudar enquanto no Flu.

Ou seja: seguirá sendo um time com jogadores de aluguel e patrocinado por uma prefeitura. Enquanto isso, a milionária Arena Barueri ficará jogada às moscas.

ONDE FORAM PARAR OS TITULARES DO BARUERI:
Renê - Mirassol
Xandão - São Paulo
André Luís - São Paulo
Leandro Castan - Corinthians
Marcos Pimentel - permanece
Ralf - Corinthians
Éverton - Fluminense
Márcio Careca - Vasco
Thiago Humberto - Internacional
Fernandinho - São Paulo
Val Baiano - já saiu e negocia com outros clubes

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O que esperar de MARCELINHO PARAÍBA no SÃO PAULO


Já se vão 13 anos que o São Paulo foi buscar Marcelinho Paraíba e Alexandre Rottweiler no Rio Branco de Americana. O jogador que corria e driblava muito mas produzia pouco, logo na chegada ao Morumbi, se tornou o oposto dentro de campo agora na última parte da carreira. Marcelinho trata como poucos a bola, enxerga como ninguém o espaço vazio dentro de campo e aprendeu a finalizar com correção.

Tratado como craque pela direção do São Paulo, Marcelinho precisará dar exatamente essa resposta dentro de campo. Basicamente, brilhar dentro de um conjunto, o que raras vezes ele conseguiu ao longo da carreira. A situação no Coritiba, em que Paraíba jogava sozinho, também aconteceu no Hertha Berlin, onde ele viveu os melhores dias na Europa. Na volta ao Morumbi, precisará novamente ser o diferencial, mas em um time organizado.

Marcelinho gosta de jogar sem posicionamento fixo em campo, flutuando do meio para o ataque no espaço onde enxergue mais produtivo, e se receber essa responsabilidade será peça fundamental na possível mudança de conceito do time são-paulino com Ricardo Gomes.

Em uma equipe solta, certamente Marcelinho Paraíba fará parte desse processo. É até possível imaginar que um fiasco seu dentro de campo, difícil de se imaginar, signifique a repetição do modelo de jogo das últimas quatro temporadas.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Saiu sem mostrar a que veio


Eram justas as expectativas que Douglas Costa criou antes de chegar aos profissionais gremistas. Pela base tricolor, o meia canhoto foi decisivo em competições de base importantes, conquistadas pelo Grêmio. Por exemplo, a Copa Santiago Sub-17 e a Taça BH de Juniores. A estreia, contra o Botafogo, só aumentou o teor dos comentários positivos a respeito da promessa: um jogador canhoto, habilidoso, de grande finalizaçào e mobilidade em campo. Dá para dizer que foi só.

Douglas deixa o Estádio Olímpico como, apenas, uma grande venda da direção gremista. O Shakhtar, famoso por queimar dinheiro em jogadores jovens, como fez com Ilsinho e William, entregou quase 7 milhões de euros aos gremistas, que ainda conservam 20% do valor de uma próxima transferência.

As cifras não podem ser justificadas pelo que ele mostrou no último ano. Douglas Costa sempre foi um jogador de pouca participação tática, de pouco jogo coletivo e com a bola queimando no pé. Mesmo na seleção sub-20, nunca brilhou e decepcionou quando titular.

Para quem precisava de reforço nos cofres, uma boa para o Grêmio, que assim deve manter Réver e Victor no time titular. Para Douglas, a chance de embolsar uma grana e sumir na Ucrânia. Resumindo, mais um caso de jogador diferenciado tecnicamente, mas incapaz de ser produtivo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O que esperar de ROBERTO CARLOS no CORINTHIANS


Por muito tempo, Roberto Carlos foi alvo de críticas. Enquanto comia a bola no Real Madrid, na seleção era visto como mascarado. Saiu chamuscado da Copa de 1998 por declarações mal interpretadas, por uma bicicleta infeliz contra a Dinamarca e pelas críticas de Galvão Bueno - que se repetiriam, oito anos depois, pela postura pra lá de descontraída no banco de reservas contra o Japão e no posicionamento errado no fatídico gol de Henry.

Roberto retorna ao Brasil 14 anos depois de partir para a Europa em busca do reconhecimento que lhe é de direito, mas nem tantos brasileiros são capazes de lhe dar. Sem medo de errar, é possível arriscar que é um dos três melhores da posição na história da seleção. Grande vigor físico, ótimo posicionamento defensivo, poder de fogo invejável na frente.

Se você tem dúvidas porque Roberto Carlos tem 36 anos, se lembre que ele nunca teve uma lesão grave na carreira. Nunca. Não faltou em treinos, não foi visto em baladas e nunca se escondeu em campo. No conturbado e dividido vestiário merengue, sempre foi bem aceito por todas as panelas. É, ao lado dos italianos Maldini e Cannavaro, o único defensor a figurar entre os três melhores da Fifa nas últimas duas décadas.

O acerto em uma contratação é sempre subjetivo. Há as que têm tudo para vingar e não dão certo, como Vagner Love no Palmeiras. Ou o contrário, como Petkovic no Flamengo. A "aposta" em Roberto é certeira. Um nome que se faz respeitar no futebol, algo muito importante quando os assuntos são Corinthians e Copa Libertadores, com um aniversário de três dígitos no meio do caminho.

Foto: Jornal da Tarde

Os preconceitos sobre a Copa São Paulo


Quase todo mundo acha legal quando um time da terceira divisão inglesa enfrenta um gigante e prega uma peça na FA Cup. Quase todo mundo também acha legal quando um time da quinta divisão francesa, com jogadores semi-profissionais, chega até a final da Copa da França. Mas basta ver um time pequeno em ação na Copa São Paulo para começarem os comentários preconceituosos. "Olha lá esse time de empresários. Quem é esse time?", Bla, bla, bla.

As críticas quanto ao grande número de participantes da Copa São Paulo jamais consideram o fato de que a competição oferece oportunidade única para jovens de todo o Brasil. Não são poucos os casos de atletas que se destacaram em um time pequeno do torneio e receberam a chance da vida. A Copinha é, antes de tudo, democrática.

A festa de empresários não é exclusividade da Copa São Paulo, faz parte de todo o contexto em que se inseriu o futebol brasileiro a partir da Lei Pelé. A Federação Paulista, inclusive, tentou artifícios para dar mais identidade aos clubes da Copinha. Por exemplo, cobrando alto pela inscrição e, principalmente, exigindo vínculo contratual dos atletas por um certo tempo precedendo o torneio.

O inchaço de competiçòes, diga-se, também não é exclusividade da Copa São Paulo. Acontece também no Campeonato Paulista, de 20 clubes, o mesmo da Série A. Também na Copa do Brasil, que cumpre seu papel de unir equipes de todo o país. Ocorre na Copa Libertadores, que com sua fase preliminar mobiliza mais de 40 clubes. Na Copa do Mundo, que Blatter abriu para até 32 nações. Infelizmente, são decisões políticas: agrade o maior número possível de filiados e se garanta no cargo por quanto tempo quiser. Daí o reinado de Marco Polo Del Nero, Ricardo Teixeira, João Havelange e etc.

Reduzir essas críticas à Copa São Paulo é antes de mais nada um grande clichê. E ainda há, em meio a tantos clubes pequenos e sem estrutura que viajam até de ônibus para jogar a Copinha, espaço para surpresas. Como o Marília do Maranhão, que em 2008 eliminou os estruturados Barueri e Atlético-MG na primeira fase. E enviando até atletas para Cruzeiro e o próprio Galo em seguida.

A Copa São Paulo é, sim, um grande barato. Une clubes de todos os estados brasileiros, dá margem para grandes revelações e tem dentro dela um enorme caráter democrático e social.

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E aliás, para quem quiser saber tudo sobre o torneio, acompanhe nossa cobertura no Olheiros.net

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Bons e velhos perfis


A Four Four Two brasileira vivia um dilema: usar só o conteúdo internacional da revista seria garantia de qualidade e conteúdo exclusivo por aqui. Por outro lado, difícil uma publicação resistir sem conteúdo nacional. Então, fez um grande negócio: entregou perfis e entrevistas nas mãos do experiente Odir Cunha. O resultado é muito interessante.

Já há algumas edições, Odir escreve perfis deliciosos, faz entrevistas contundentes e curiosas. Na edição de dezembro da 442, ele por exemplo assina matéria bem interessante com Hernanes. Odir esteve no CT Barra Funda e bateu longo papo com o são-paulino, em quem a revista provavelmente apostasse ser o campeão brasileiro. Há trechos muito bons, como em que o camisa 10 e o repórter conversam sobre religião, sem preconceitos nem exageros. Odir aborda o tema com personalidade e isenção.

A Revista Espn apostou em fórmulas similares nas suas duas matérias de capa nas edições iniciais. Primeiro com Pelé e Walterson Sardenberg, depois com Cielo e Thiago Medaglia. As páginas com o herói nacional da natação também são interessantes, agradáveis e trazem situações desconhecidas do grande público.

Apostar em bons textos e longos perfis é uma grande sacada da dupla 442 e Espn. A FutLance! por exemplo segue editorialmente confusa. Não traz entrevistados bons, não encontra pautas interessantes - até tenta, mas tem feito escolhas infelizes -, e aposta na superficialidade. Até abaixou o preço para concorrer com as rivais, mas só se salva pela bela parte gráfica.