terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Os preconceitos sobre a Copa São Paulo


Quase todo mundo acha legal quando um time da terceira divisão inglesa enfrenta um gigante e prega uma peça na FA Cup. Quase todo mundo também acha legal quando um time da quinta divisão francesa, com jogadores semi-profissionais, chega até a final da Copa da França. Mas basta ver um time pequeno em ação na Copa São Paulo para começarem os comentários preconceituosos. "Olha lá esse time de empresários. Quem é esse time?", Bla, bla, bla.

As críticas quanto ao grande número de participantes da Copa São Paulo jamais consideram o fato de que a competição oferece oportunidade única para jovens de todo o Brasil. Não são poucos os casos de atletas que se destacaram em um time pequeno do torneio e receberam a chance da vida. A Copinha é, antes de tudo, democrática.

A festa de empresários não é exclusividade da Copa São Paulo, faz parte de todo o contexto em que se inseriu o futebol brasileiro a partir da Lei Pelé. A Federação Paulista, inclusive, tentou artifícios para dar mais identidade aos clubes da Copinha. Por exemplo, cobrando alto pela inscrição e, principalmente, exigindo vínculo contratual dos atletas por um certo tempo precedendo o torneio.

O inchaço de competiçòes, diga-se, também não é exclusividade da Copa São Paulo. Acontece também no Campeonato Paulista, de 20 clubes, o mesmo da Série A. Também na Copa do Brasil, que cumpre seu papel de unir equipes de todo o país. Ocorre na Copa Libertadores, que com sua fase preliminar mobiliza mais de 40 clubes. Na Copa do Mundo, que Blatter abriu para até 32 nações. Infelizmente, são decisões políticas: agrade o maior número possível de filiados e se garanta no cargo por quanto tempo quiser. Daí o reinado de Marco Polo Del Nero, Ricardo Teixeira, João Havelange e etc.

Reduzir essas críticas à Copa São Paulo é antes de mais nada um grande clichê. E ainda há, em meio a tantos clubes pequenos e sem estrutura que viajam até de ônibus para jogar a Copinha, espaço para surpresas. Como o Marília do Maranhão, que em 2008 eliminou os estruturados Barueri e Atlético-MG na primeira fase. E enviando até atletas para Cruzeiro e o próprio Galo em seguida.

A Copa São Paulo é, sim, um grande barato. Une clubes de todos os estados brasileiros, dá margem para grandes revelações e tem dentro dela um enorme caráter democrático e social.

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E aliás, para quem quiser saber tudo sobre o torneio, acompanhe nossa cobertura no Olheiros.net

6 comentários:

Filipe Lima disse...

Assino embaixo.

E este preconceito não é só na Copinha: o que se falou de Barueri e Santo André na Série A de 2009 foi brincadeira, também.

Se o objetivo da Copa SP é revelar jogadores, é bom mesmo que ela seja democrática. Dá chance a mais gente de tentar aparecer.

Um campeonato elitizado revelaria menos, e revelaria aqueles jogadores que, mesmo sem a Copa SP, teriam chances de aparecer nas equipes principais de grandes clubes.

Abraços!

André Augusto disse...

Falou tudo. Empresários infestam o futebol brasileiro como um todo. Talvez eles se "evidenciem" na Copinha pelo fato do grande número de clubes. E realmente é legal democratizar, dar chance a todos, sem atropelar o regulamente desta tradicional competição, peculiar no planeta em se tratando de base.

Abs!

Papo de Pub - Futebol Inglês disse...

Fala, cara!

Concordo, adoro a Copa SP, eu só faço uma crítica: o período em que se disputa. São em gramados que, naturalmente, já não são dos melhores, e ainda disputada no mês mais chuvoso do estado de São Paulo. É cruel imaginar um garoto de 16 anos jogando 90 minutos num campo pesadíssimo.

Isso à parte, a Copa SP é demais, só não gosta quem tem a mente fechada e só quer ver jogo bonitinho.


Abraços! E ah, valeu pela visita e comentário, cara!

Roberto disse...

Parabéns, Dassler. É bem por ai mesmo.

Todo ano a ladainha dos críticos é a mesma. O disco velho e riscado toca sempre o mesmo discurso. Só existe o lado ruim e bizarro.

Não é o ideal, longe disso, mas é uma competição altamente útil para a maioria dos interessados. Clubes, empresários, jogadores e até as mídias que fazem a cobertura.

Mozart Maragno disse...

O Neto falou que Copinha boa era a que ele disputou na década de 80. Era mais "charmosa". A Copinha vinha tendo tanta importância que senil do Jânio Quadros nem a realizou em 87.

A realidade é a seguinte: nunca a Copinha revelou tanto e foi tão bem organizada como agora. Oito emissoras transmitindo. E Wellington Silva vale pela década de 80 inteira.

Alexandre disse...

Não acho a Copinha ruim. A única coisa na qual eu não concordo muito é em relação a parte da organização. Por exemplo: os times são convidados e pagam a sua inscrição (que não deve ser barata). Depois, o clube é que dê o seu jeito de levar o time para disputar a competição. E então vemos alguns casos bizarros como um time de Rondônia que por falta de recursos, levou os jogadores de ônibus para a disputa. E mesmo para jovens atletas, é uma distância torturante demais. E devido a essa distância, acaba que os atletas não se preparam da melhor maneira e vemos casos como no jogo Grêmio x Confiança-SE onde oito jogadores do Confiança sofriam de cãibras aos 12 minutos do segundo tempo da partida.