terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Até onde vai a razão do São Paulo


É correto e normal atribuir ao São Paulo a razão nas disputas jurídicas com Oscar, Diogo e Lucas Piazon. O investimento realizado nos atletas é grande e a confiança depositada também. Além disso, todos os contratos, procurações e coisas do gênero foram assinados em circunstâncias legais. Nenhum dos jogadores recebeu ameaçadas para isso. É importante reconhecer, no entanto, alguns vacilos são-paulinos nas histórias.

Oscar certamente se cansou de aguardar uma oportunidade entre os profissionais, que já deveria efetivamente ter acontecido no último segundo semestre. Com o time em crise, ele entrou bem contra o Corinthians e deu passe de calcanhar para Richarlyson. Na pressão dos Aflitos contra o Náutico, também mostrou as qualidades que tem de sobra. Mesmo assim, nunca esteve nos planos efetivos, tanto que a direção apostou nos problemáticos Léo Lima e Carlinhos Paraíba, ambos meias como ele.

Oscar não estava disposto a aguardar as oportunidades que Aislan e Sérgio Mota, destaques de sua geração, até hoje esperam. Sérgio fez grande papel com o pobre Toledo no Campeonato Paranaense do ano passado, mas o São Paulo jamais mostrou ter um plano para ele, o jogador mais talentoso e inteligente entre os /89 e /90 de Cotia.

Diogo, com bem menos pompa que Oscar, estava ainda mais fadado ao obscuro. Lateral esquerdo como ele, Alex Cazumba, um ano mais velho, hoje se esconde no futebol dos Estados Unidos. Bruno Formigoni, capitão do time sub-15 e sub-17, também está emprestado para o Japão.

Qualquer jogador tem o direito de querer o melhor para seu futuro. As leis são inflexíveis, mas o mundo não. A Lei Pelé, todos sabem, deu ao atleta o instrumento de definir qualquer situação diante da Justiça.

Lucas Piazon, por sua vez, também tem lá seu fundo de razão. Deixou o Atlético-PR aos 14 para ser jogador do São Paulo, que em troca fez um contrato de gaveta para ser registrado assim que o jogador completasse os 16 anos pedidos pela Justiça. A prática, vale lembrar, é ilegal. Destaque absoluto na base tricolor em 2009, marcou 10 gols em 7 jogos do Sul-Americano Sub-15. Queria, com razão, um melhor contrato. O São Paulo lhe deu as costas. E tomou um troco.

6 comentários:

Futebol ao Cubo disse...

Fala, cara!

Sou são paulino e, à época do caso Oscar, escrevi um post com o título "Castigo merecido". É inaceitável o que o São Paulo faz, deve ser frustrante jogar na base do clube. Imagine o Aislan, vendo o Breno tendo chances e hoje no Bayern, depois ver o Renato Silva jogando no mesmo nível da "inesquecível" dupla Jean e Júlio Santos, e chega ao clube André Luis.

Imagine o Sérgio Mota, há anos ouvindo que falta um meia no time e ele lá, levando o time nas costas até uma final de Copa SP, com assistências espetaculares.

Se eu ainda tivesse uns 18 anos nem me importaria com isso, mas com 23 a minha vontade é de torcer contra, por justiça aos garotos.


Abraços!
www.papodepubfutebolingles.blogspot.com

Fernando disse...

Não me parece ser tanto por aí, já que, a se acreditar nas palavras do técnico Tricolor, o Diogo seria titular no Paulista e foi informado disso no ano passado.
Me parece muito mais um caso de aparecer logo e ir para o exterior ganhar $$$. E, convenhamos, o caminho adotado parece ser muito arriscado. E se eles perderem? Será que a diretoria do São Paulo irá sentar e conversar e a torcida será compreensiva e perdoará, indicando um caminho para futuros insatisfeitos, ou eles terão uma punição dura para servir de exemplo a outros atletas e empresários? Não nos esqueçamos que há um só nome por trás dos três (por enquanto) casos, e que, pelo comentado em alguns blogs, o mesmo seria ligado ao Kia.
Por fim, se eles assinaram um contrato, que cumpram. Até onde sabemos, o São Paulo não falhou em nenhum momento com eles, embora existam rumores bem estranhos vindos de Cotia.
Enfim, a questão é complexa e o resultado desses casos deve balizar as relações futuras entre clubes e jogadores/empresários.
Na minha modestíssima opinião, os atletas estão saindo muito cedo do Brasil e jovens promissores acabam sumindo porque não passam por todas as etapas de sua formação física, mental e tática. E, para os empresários, isso pouco importa.
Abraço.

Blog do Carlão - Futebol é nossa área disse...

Particularmente não vejo essa bola toda no Oscar.

Felipe disse...

pra mim, assinou por livre e espontanea vontade, tem que cumprir...

Douglas disse...

A questão é que a máfia foi descoberta e logo em seguida o "troco" do empresário foi este.
Porém há jogadores como Henrique e Casimiro que não gostaram da atitude do empresário e estão informando ao São Paulo o que está ocorrendo.
Há clubes que acham isto normal e se tornaram parceiros (Corinthians e Vasco) o São Paulo não quis esta sujeira para o seu lado.
Fato,se o jogador é bom ele vem e arrebenta não vai precisar de tantas oportunidades assim...

musse disse...

Atualmente os jovens jogadores "se acham" demais. Isso é uma vergonha! Eles só são algo hoje porque o São Paulo com toda a sua estrutura de base investiu muito tempo e dinheiro neles. É um absurdo esses muleques de egos inflados entrarem na justiça para quebrar um contrato que quando assinaram aposto que estavam com um sorriso de orelha a orelha. Tem que ter muito mais caráter e vergonha na cara e ser MUITO mais humilde, até porque ainda não provaram nada nem para o público são-paulino.