segunda-feira, 10 de outubro de 2011

No Brasileirão das arrancadas, qual time tem a melhor sequência?


Tamanho equilíbrio no Campeonato Brasileiro faz com que praticamente todos os times tenham ótimos e preocupantes períodos dentro da competição. O momento atual é do Corinthians, que volta a liderar após quatro rodadas, mas principalmente do Flamengo, dono de 9 pontos nos últimos três jogos. Também é do Internacional, que fez 3 a 0 no então líder Vasco, do Coritiba, de boa atuação no sábado, e de Fluminense e Grêmio, derrotados nesse fim de semana.

No Pacaembu, o Corinthians teve 45 minutos fulminantes diante de um Atlético-GO que vinha de apenas uma derrota em 12 jogos. Antes um problema para Tite, a parceria entre Danilo e Alex, falso centroavante com os problemas de outros atacantes, virou o segredo do bom futebol que reapareceu. Com jogos apenas aos fins de semana, os corintianos crescem na parte física e conseguem jogar com a intensidade total, principal característica do time.

Impressionante também os 90 minutos do Internacional no Beira-Rio contra o líder Vasco. D'Alessandro fez a partida de seus melhores tempos da carreira e Ilsinho, contratação que inspirava pouca confiança, foi o terror para os laterais vascaínos Fagner e Jumar. No aguardo pelo retorno de Leandro Damião, o Inter sobe com quatro vitórias e quatro empates nos últimos 9 jogos. Hoje, a diferença para o quinto lugar que deve dar vaga na Libertadores 2012 é de três pontos.

Dono da principal arrancada de um campeão brasileiro na era dos pontos corridos, o Flamengo vai se credenciando novamente a brigar pelo título. São três vitórias em três jogos e uma sequência de tabela interessante (Palmeiras em casa, Ceará fora e Santos em casa) para encostar novamente na liderança. Contra o Flu, Bottinelli salvou a pele de Vanderlei Luxemburgo, infeliz na escalação da primeira etapa e inteligente outra vez nas substituições.

As arrancadas de Corinthians, Internacional e Flamengo no domingo permitem a pergunta: quais as melhores sequências do Campeonato Brasileiro de 2011? Corintianos e flamenguistas, justamente, têm os melhores índices por aqui. A equipe de Tite bateu sete vitórias seguidas no início da competição e o Fla, com nove vitórias e sete empates, somou invencibilidade de 16partidas.

Confira as arrancadas atuais na reta final do Brasileiro:
Coritiba - 6 vitórias, 4 empates e 3 derrotas em 13 jogos
Grêmio - 6 vitórias e 3 derrotas em 9 jogos
Internacional - 4 vitórias, 4 empates e 1 derrota em 9 jogos
Flamengo - 3 vitórias e 2 empates em 5 jogos
Fluminense - 6 vitórias, 1 empate e 2 derrotas em 9 jogos

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A volta ao Brasil: um desafio tão grande quanto a ida à Europa


Não faz tanto tempo assim, Dunga era o treinador da seleção brasileira e Denílson um titular de destaque do Arsenal de convocação constantemente solicitada pela opinião popular. No Campeonato Brasileiro atual, ninguém compromete tanto o setor de meio-campo do São Paulo quanto ele. Entradas bruscas, que no Campeonato Inglês possivelmente passariam despercebidas, já renderam três expulsões ao reforço de salário mais alto para a temporada após Luís Fabiano. A reafirmação de Denílson no futebol brasileiro ainda é uma incógnita, mas não é exclusividade dele.

A diferença de calendário em relação à Europa tem feito com que, novamente, muitos jogadores entrem com a Série A em andamento e sofram com as dificuldades de readaptação. As diferenças são tremendas e já começam no extracampo: uma ou duas concentrações por semana, viagens geralmente mais longas, a relação com a imprensa é diferente, a participação da torcida também não é pequena e a filosofia de treinamento totalmente oposta. A cobrança por desempenho, por outro lado, é enorme.

Por tudo isso, também, é que impressiona a readaptação de Renato ao futebol brasileiro e seu campeonato de alto nível com o Botafogo. Fisicamente bem, ele participou de 17 jogos consecutivos sem se lesionar nem ser suspenso, uma constante na carreira. Em todas as partidas, esteve em campo nos 90 minutos. Renato, o Renatinho para os santistas que não lhe esquecem pelas temporadas 2002, 03 e 04, passou sete anos no Sevilla, foi adiantado para a armação e voltou a ser volante como se nada tivesse acontecido.

No Botafogo que tem Herrera e Maicosuel abertos pelas pontas e Elkeson na armação, além de Loco Abreu enfiado, o trabalho dos volantes é árduo. Renato, com Marcelo Mattos, marca firme, com lealdade e é o homem que dá fôlego para o time sair de trás e chegar à frente com qualidade. Rômulo e Ralf, titulares da seleção na última semana, são os melhores da posição nesta Série A. Renato vem um degrau logo abaixo com gente como Léo Gago, Paulinho e Edinho, por exemplo.

O caso de Renato, mostra 2011 mais uma vez, é isolado. O futebol brasileiro é extremamente competitivo, duro dentro e fora de campo e cheio de particularidades que tornam essa reafirmação um desafio tão grande quanto a ida à Europa. Um caminho em que Denílson, até outro dia respeitadíssimo na Inglaterra, só tem encontrado pedras.

- Confira aqui: entrevista exclusiva com Renato no Portal Terra

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Por que empréstimo não é presente


Jogador emprestado pode ou não enfrentar o clube dono de seus direitos? Essa situação, bastante comum aos clubes brasileiros, foi novamente discutida antes do duelo entre Grêmio e Santos, na noite desta quarta-feira, no Olímpico. No fim das contas, Borges só jogou porque sua negociação com os santistas foi em definitivo, ainda que os gremistas tenham se comprometido a contribuir no pagamento de seus salários até o fim de 2011.

São sete prestações de R$ 50 mil para ajudar a bancar o artilheiro da Série A na Vila Belmiro. Grande negócio para o Santos e nem tão ruim para o Grêmio porque Marquinhos, envolvido na troca, é um dos destaques na grande campanha de reabilitação no returno do Brasileiro. O meia, que já é atleta gremista em definitivo, contribuiu para o êxito gremista com assistência para o único gol, marcado por Brandão.

Mas imaginemos que Marquinhos ainda fosse do Santos, estivesse só emprestado ao Grêmio e participasse de forma decisiva na partida. Que sentido teria os santistas pagarem o salário de um jogador que decidisse uma derrota deles próprios? Friamente, um clube só empresta jogador e contribui nas despesas para que ele possa roubar pontos dos concorrentes. Não faz sentido ser diferente.

Um caso muito curioso é do Corinthians, que tem vários jogadores emprestados em outros times da primeira divisão. Gols de Lulinha já fizeram o Bahia roubar pontos de Flamengo e Avaí, e gols de Souza tiveram o mesmo efeito para os baianos contra Atlético-MG, Flamengo e Fluminense. Bill, cedido ao Coritiba, já ajudou seu time a pontuar contra Fluminense, América-MG, Atlético-MG, Botafogo e Cruzeiro.

Os pontos perdidos sobretudo por Botafogo, Fluminense e Flamengo ajudam na campanha corintiana do Brasileiro e justificam o dinheiro gasto nos três jogadores. Só não faria sentido que eles jogassem contra o próprio Corinthians. Afinal, empréstimo não é presente.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A grande bola da vez no mercado para 2012


Dribles e mais dribles, velocidade e jogo objetivo e vertical. Osvaldo, atacante de 24 anos do Ceará, é uma das grandes novidades do Campeonato Brasileiro e responsável direto pela boa campanha de primeiro turno de seu time. Hoje, o Vozão patina e já não consegue se impor tanto quanto no início, mas a expectativa é de que esteja na Série A de 2012 pelo terceiro ano consecutivo. Nesta temporada, esse mérito pertence muito a Osvaldo.

Só no Brasileiro, o atacante participou com três gols e cinco assistências, a última delas no domingo em empate importante conquistado pelo Ceará diante do Atlético-MG, mas é de seus pés que surgem as jogadas diferentes, acima de tudo. É do tipo ideal para jogar pelas beiradas do campo com recomposição e chegada à frente.

O que mais chama a atenção em Osvaldo, jovem, é sua situação contratual: por descuido da equipe cearense, que conseguiu ampliar o vínculo de quase todos seus outros titulares durante 2011, ele fica livre para assinar com qualquer outra equipe para o próximo ano. Sem custos. A promessa é de que muitos entrem na briga, inclusive Corinthians e Palmeiras.

Osvaldo, curiosamente, é revelação da ótima fase do Fortaleza, hoje em um patamar abaixo e quase rebaixado na Série C. O atacante passou ainda por Al Ahli e pelo Braga, de Portugal. Reserva durante boa parte do Campeonato Cearense, ganhou a posição de Iarley no início do Campeonato Brasileiro e não saiu mais do time. Sua afirmação se deve muito ao treinador Vagner Mancini, que costuma deixar ótimo legado nesse sentido pelas equipes pelas quais passa, casos de Vitória e Santos, por exemplo.

Com pinta de jogador que vai vingar, Osvaldo só precisa se livrar da sombra de Misael, que surgiu em circunstâncias semelhantes pelo mesmo Ceará, em 2010, e fracassou ao se transferir para o Vasco no início desse ano. Não parece ser o caso de Osvaldo: sua personalidade e talento para fugir da marcação são características que chamam e muito a atenção. É a grande bola da vez no mercado de jogadores a custo zero.

Obs.: Confira esse trabalho nosso no Portal Terra com 44 jogadores e seis técnicos em reta final de contrato

Casemiro em xeque


“Ele joga muito. Mas tem que deixar de ser tão vagabundo e começar a marcar”. A frase sobre Casemiro tem um adjetivo forte e foi dita a este colunista por um ex-diretor influente do São Paulo em conversa informal no início de 2011. O que parecia ser um exagero naquele momento, aos poucos, tem se confirmado. A paciência dos tricolores tem sido cada vez mais curta com o volante, que teve contrato renovado recentemente e goza de prestígio de ser um dos principais jogadores da equipe.

Talentoso, de fato, Casemiro é. Tem uma qualidade técnica acima do comum para a posição, um corpo privilegiado que lhe dá condição de proteger a bola dos marcadores e uma arrancada interessante no último terço do campo. Tem faltado para ele, sim, é o mais fundamental para um volante: a marcação. A baixa média de desarmes por partida, de 3,5, fica muito distante dos principais volantes do país. Curioso que o São Paulo, mesmo atuando com três marcadores, tenha apenas o sexto melhor índice de roubadas de bola da Série A.

Detalhes na formação de Casemiro ajudam a explicar sua dificuldade em desarmar – muito mais por falta de empenho e posicionamento correto que por capacidade, aliás. Nos últimos tempos de base no São Paulo, ele era o volante mais defensivo de um time que tinha, à frente, os pegadores Zé Vítor e Jefferson, além de Lucas no papel de armador e Ronieli como atacante solidário na recomposição. Tudo isso somado a uma linha defensiva sólida faziam dele uma figura pouco importante na marcação e fundamental para fazer progredir em campo.

No Sul-Americano Sub-20, Casemiro ganhou ainda mais liberdade de Ney Franco, sobretudo pelo senso de cobertura apurado e a enorme doação de Fernando, seu companheiro no meio com sistema 4-2-3-1 de Lucas, Oscar e Neymar na armação. Para o Mundial, contra equipes mais bem dotadas tecnicamente, Ney se cansou de recuar Casemiro para a linha dos zagueiros e recheou o meio-campo com jogadores mais dinâmicos, caso de Alan. Ali, também pesou a dificuldade de Danilo e Gabriel Silva em marcar.

Recentemente, causou surpresa geral o fato de que Mano Menezes, nos jogos contra a Argentina pela Copa Roca, tenha optado por jogadores menos talentosos, caso de Paulinho na partida de ida e de Rômulo em Belém. Pelo sistema de jogo da equipe brasileira, entretanto, a decisão de Mano tem lógica, já que a marcação à frente da área é fundamental. Se quiser ter futuro na seleção, é bom Casemiro acordar para a realidade.

O que mais preocupa no fiel escudeiro de Lucas, ainda um jogador em formação, é sua aparente pouca preocupação em evoluir. As decisões táticas de Adílson dão mais liberdade que responsabilidades a Casemiro, cuja chegada à frente tem sempre impacto na defesa do rival – mas cuja indisciplina em campo sobrecarrega Wellington ou Denílson.

Essa postura dentro de campo já faz Casemiro, que brigou por meses para receber um aumento que parecia justo, começar a ganhar fama de mascarado. Mais um detalhe que ele terá de resolver para confirmar as expectativas de se tornar um volante de primeira linha internacional.

* Publicado no Olheiros

domingo, 2 de outubro de 2011

Posição: atacante. Principal função: marcar


Curiosa a estratégia de Tite para enfrentar o Vasco em São Januário em jogo crucial para as pretensões dos dois times no Campeonato Brasileiro, mas sobretudo para um Corinthians que poderia ficar a cinco pontos do líder em caso de derrota. Sem um centroavante de ofício disponível, o treinador utilizou seus dois atacantes com condições de jogo (Willian e Jorge Henrique) pelo lado do campo e transformou Alex no homem mais avançado do desenho tático. Não era fundamental ter um homem na área, mas sim marcação firme pelas extremidades para proteger a zaga.

O plano do treinador, de sucesso na somatória dos 90 minutos, tinha um objetivo claro e está perfeitamente alinhado à tendência atual do futebol brasileiro: bloquear os laterais do adversário, origem de boa parte das jogadas de nove entre cada 10 times do país (comprovado matematicamente), e dificultar uma saída de bola limpa. O raciocínio é de que para jogar é preciso roubar a bola e impedir o rival de progredir com tranquilidade. Melhor é ter Willian, que marca tão bem quanto Jorge Henrique e ataca de forma vertical e com qualidade.

No Brasileiro, com a aplicação repetitiva dessa receita de jogo, o Corinthians é líder no ranking de desarmes, com 34,3 em média por jogo, e possui a segunda melhor defesa da competição - à frente, só o Palmeiras, que rouba bolas com competência mas não consegue construir. Em São Januário, a semana de treinamento do treinador corintiana teve reflexo e o time novamente marcou demais. Mesmo sem centroavante, a equipe de Tite conseguiu criar com posse de bola e encaixotou o Vasco (também em 4-2-3-1) na maior parte do tempo, salvo o contragolpe que virou gol de Fagner.

O raciocínio de que desarmar é fundamental é o que explica tantas equipes que atuam no mesmo sistema de jogo, mas nenhuma aplica a receita tão bem quanto o Corinthians de Tite. Há outras fórmulas para vencer: o toque de bola qualificadíssimo do Vasco, o jogo vertical e envolvente do Botafogo ou o São Paulo que é explosivo no último terço do campo. Hoje, a pinta é de que corintianos e vascaínos têm mais time para disputar o título nos jogos finais.

sábado, 1 de outubro de 2011

Dedé, Cortês, Volta Redonda e Nova Iguaçu: a vitória do futebol do Rio


Dedé, na Argentina, e Bruno Cortês, em Belém, estiveram entre os melhores em campo da Copa Roca. Mais do que um par de afirmações para a seleção, o sucesso dos dois jogadores, também os melhores em suas posições no Campeonato Brasileiro, diz muito para o futebol do Rio de Janeiro. Não só pelo fato de serem jogadores de Vasco, também de Rômulo e Diego Souza, e Botafogo, que ainda teve Jefferson na equipe titular e Elkeson entre os reservas. Mas também porque a trajetória de ambos se dá toda no Campeonato Carioca.

Cria da base do Volta Redonda, Dedé subiu aos profissionais com 17 anos. Em 2005, era reserva no bom time do Voltaço que foi vice-campeão carioca. Passou rapidamente pelo Fluminense, fracassou em testes na Udinese e, de volta, foi um dos melhores zagueiros do Estadual de 2009, dali para o Vasco. Cortês pintou no Nova Iguaçu, um dos times do Rio com melhor estrutura para a formação de jogadores, e se afirma com incrível personalidade no Botafogo de Caio Júnior.

Faz tempo que não se via surgir bons jogadores assim nos times menores do Rio. Com Romário, no Olaria da década de 80, e com Ronaldo, pelo São Cristóvão nos anos 90, o futebol carioca se mostrava ainda capaz de prospectar e encontrar os atletas com mais potencial. Fluminenses e revelações recentes do futebol brasileiro como os volantes Ramires, Jucilei e Rafael Carioca, entretanto, surgiram em clubes de outros estados, o que dá a percepção de que o Rio de Janeiro, com quatro times grandes, não encontrou aqueles potenciais.

Cortês e Dedé são casos diferentes e com toda a história percorrida dentro do estado do Rio de Janeiro. Equipes como Tigres, Nova Iguaçu, Volta Redonda e Resende trabalham a formação de atletas em ótimo nível. Deste último, por exemplo, saíram no último Campeonato Carioca os irmãos Guilherme e Gabriel Appelt, que flertou com Flamengo e Corinthians. Ambos acabaram negociados diretamente com a Juventus, de Turim. Têm 17 e 18 anos respectivamente.

Hoje, é possível dizer que os quatro clubes grandes do Rio de Janeiro, inclusive o Botafogo, realizam ótimos trabalhos de formação de atletas, o que vai reduzir a chance de se repetirem casos como os de Ramires e Jucilei. Mas nenhuma vitória é maior que a de Dedé e Cortês, duas realidades e estrelas crescentes do futebol brasileiro em 2011.