quinta-feira, 10 de junho de 2010

Se Suazo não jogar, Paredes é um bom plano B


Quase não há seleção às vésperas da Copa que tenha um desfalque ou uma dúvida sequer. No Chile, o problema de Marcelo Bielsa é saber se poderá, ou não, escalar Humberto Suazo, seu camisa nove mais efetivo, já na estreia contra Honduras, dia 16. El Loco acompanha bem a recuperação do Chupete, como o atacante é chamado, e acredita que poderá utilizá-lo. Se Suazo falhar, também não há tantos motivos para se preocupar. Esteban Paredes, seu reserva direto, já se mostrou muito útil.

Atacante do Colo-Colo, Paredes tem no currículo o fato de ter substituído à altura o grande ídolo Lucas Barrios - curiosamente, o substituto de Suazo. O hoje reserva de La Roja, que marcou na vitória por 2 a 0 sobre a Nova Zelândia, sempre entrou bem quando Bielsa precisou dele. São 6 gols em 11 jogos disputados nos últimos dois anos pelo Chile, alguns deles importantes, como na vitória sobre o Paraguai em Assunção.

É indiscutível a importância de Suazo, que adicionou experiência internacional ao seu currículo de goleador ao fazer boa temporada em um semestre emprestado ao Zaragoza, onde foi um dos heróis da permanência no Espanhol. Absoluto na Era Bielsa, ele pode precisar de um substituto até ficar 100% e não há ninguém mais apropriado que Paredes.

Para vencer a Honduras na estreia está mais que suficiente. O Chile vem em boa fase, com quatro triunfos seguidos e um entrosamento e opções de jogo que poucas seleções possuem. Vidal e Alexís Sanchez, titularíssimos, vivem momentos especiais. La Roja pode ser a zebra do Mundial.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Na volta do blog, os problemas de Fossati e dos treinadores estrangeiros que passam pelo Brasil


O tempo de pausa foi além dos 30 dias prometidos, portanto o primeiro post dessa volta precisa trazer de cara um pedido de desculpas. Como estamos nas portas da Copa do Mundo, e o Papo de Craque trará muitos textos a partir de agora, vamos pular alguns assuntos importantes que ocorreram no período.

Já não vale mais falar da convocação de Dunga, da eliminação corintiana na Libertadores e do ressurgimento no Brasileiro, dos promissores confrontos de reta final da Copa do Brasil e da mesma Libertadores e de como o Cruzeiro vai se desfazendo de suas boas peças. Entre tantos temas perdidos pela parada, vamos pescar apenas um: a dificuldade que Jorge Fossati teve em se adaptar ao futebol brasileiro, algo bastante comum aos treinadores estrangeiros que têm passado por esses campos.

Analisando apenas de forma objetiva, os defensores de Fossati poderão dizer que ele não foi mal no Beira-Rio. Afinal, o objetivo era chegar até a semifinal da Libertadores, e isso ele fez, e no Gauchão ficou a um gol do título e venceu dois dos três Gre-Nais que jogou. A questão é que, na prática, o uruguaio fracassou, sim, no futebol brasileiro.

Teve momentos críticos no Estadual, como derrotas contundentes para São José e Caxias, e só venceu a Taça Fábio Koff com uma virada inacreditável contra o Pelotas. Fora do país, foi incapaz de vencer os medíocres Cerro-URU, Emelec e Deportivo Quito, sempre empatando. No mata-mata, foi duas vezes até a Argentina e perdeu para Banfield e Estudiantes. No Brasileiro, fez quatro jogos e foi batido em três, fechando a trajetória de 33 partidas com uma humilhante virada imposta por um Vasco, se prova dia após dia, muito enfraquecido.

Fossati, ao contrário do que se pode pensar, não é treinador ruim. Só não serve ao futebol brasileiro. Por que o treinador, antes de tudo, precisa entender a alma do jogador, e o uruguaio não entendia bem sobre o nosso jogador ainda que tivesse cinco estrangeiros no elenco. Suas preleções eram longas e enfadonhas, a pré-temporada foi quase toda preenchida por treinos táticos e ele impunha métodos por aqui incomuns como acordar cedo no dia de jogo e realizar longas sessões de aquecimento às 9h da manhã.

Não foram também poucas as ocasiões em que Fossati perdeu a linha diante da imprensa gaúcha e isso certamente arrasou a imagem do uruguaio. Só na reta final de sua passagem pelo Brasil é que o treinador contratou uma empresa para cuidar de sua reputação e orientar por trás das câmeras, mas a caveira já estava pronta. Ele jamais se conformou com o tom provocador e que sempre lhe questionava por mais resultados, em que pese seu trabalho ainda estivesse na fase de curto prazo. O que se vê e se pensa do futebol no Brasil, não compreendeu o ex-técnico do Inter, é diferente de toda a cultura dos outros países latinos.

Como se não bastasse o extracampo, Fossati também se perdeu na arrumação da equipe. A cada vez que tentou recuar o time e jogar pelo resultado, geralmente atuando com três homens atrás, não atingiu objetivos. Não faz parte da cultura brasileira se defender e conseguir resultados dessa forma, por mais que o futebol gaúcho tenha suas peculiaridades e uma disciplina tática superior ao resto do país.

Variações de três para quatro defensores não são assimiladas com tanta facilidade e o uruguaio também tentava isso com naturalidade. Na frente, variou entre 4-2-2-2, 4-2-3-1 e 4-3-1-2, mas o sistema ofensivo jamais se mostrou suficientemente mecanizado para envolver os rivais.

No fim das contas, acertou e teve sorte o Internacional ao mantê-lo até onde manteve, situação idêntica a de Tite em 2009. A parada para a Copa do Mundo é tempo de encontrar um treinador que extraia o máximo do ótimo elenco. Se fechar com Adílson Batista, o Colorado acerta em cheio.

NÚMEROS DE FOSSATI NO INTER
33 jogos
18 vitórias
6 empates
9 derrotas
Gols pró: 59 / gols contra: 37
Artilheiro: Alecsandro, 13 gols em 26 partidas
Esquema tático mais utilizado: 3-4-1-2

quarta-feira, 28 de abril de 2010

30 dias

O blogueiro está de férias. Sim, não são apenas o PVC, o Mauro Beting e o Mauro Cezar Pereira que param nas férias...o Papo de Craque fará sua pausa de 30 dias. Mas assume o compromisso de um blog totalmente novo e com postagens mais frequentes após esse período.

Estaremos às portas da Copa do Mundo, no início do Brasileiro, e você certamente irá se animar com um ritmo que sempre marcou o Papo de Craque, mas que não se manteve nos últimos meses.

Até breve!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

As conquistas não fazem bem ao Flamengo


O título brasileiro do Flamengo, completamente atípico pelo baixo aproveitamento e pela campanha de início ruim, deram sustentação a vários argumentos que não fazem bem ao futebol sério e profissional. Entre eles, o de que craques podem ter privilégios, que o treinador detalhista e bem preparado é desnecessário e que veteranos sem qualquer condição física podem ser a solução. O sucesso que Adriano, Andrade e Petkovic tiveram em 2009 é diametralmente oposto ao fracasso de 2010. O discurso dos defensores do planejamento nas coxas ruiu.

Ainda em campanha, Patrícia Amorim cobrava que o Flamengo recuperasse sua credibilidade institucional. Foi assim, por exemplo, que o Corinthians aumentou sua receita em R$ 89 milhões em dois anos. O Fla não é um clube organizado e essa imagem afasta investimentos. Não à toa, o Santos de 2010, da gestão mais transparente de Luis Alvaro, ganhará R$ 1 milhão da Herbalife por uma mera consultoria e para ceder espaço em seu banner de coletivas.

Patrícia parece ter ficado transtornada com a perda do Campeonato Carioca e com a forma como as coisas acontecem no Fla. Ela, que confessava se dedicar mais a outros esportes e setores do clube e deixou o departamento de futebol intacto e nas mãos de Marcos Braz, agora arregaça as mangas. A troca de Andrade é questão de tempo e muito mais precisa mudar na Gávea. Um treinador como Muricy, que exige seriedade do porteiro ao capitão, seria um ótimo impulso. Não espere privilégios a quem seja o sucessor de Adriano como craque do time.

O desenho para as oitavas de final da Libertadores já não é animador para o Flamengo, que pode até mesmo dar adeus com um novo Maracazo nesta quarta-feira contra o eliminado Caracas. Seria a senha para a reconstrução rubro-negra.

O fracasso de Luiz Alberto e os brasileiros na história do Boca Juniors


Soou como inacreditável o Boca Juniors contratar Luiz Alberto no início do ano. Descartado no Fluminense, não teve mercado entre os grandes clubes brasileiros, mesmo no fervente mês de janeiro. Na verdade, também mostrou o momento de desespero e crise técnica e institucional dos Xeneizes.

Mesmo vencendo o River e convencendo contra o Estudiantes, aos poucos Luiz Alberto mostrou sua insegurança. Foi dispensado definitivamente nesta terça e já surgiu o boato inacreditável de um possível retorno ao Santos - verdade seja dita, onde foi muito bem. Parece do tipo que se solta para pipocar algum interessado.

A presença de um personagem controvertido como Luiz Alberto dificilmente poderia ser positiva para um ambiente tão complicado quanto o do Boca Juniors atual. Em crise financeira, o clube vê Palermo não se dar com Riquelme, Riquelme não se dar bem com La 12, a torcida organizada.

Na história do Boca, Luiz Alberto foi o 25º brasileiro a atuar, segundo a Revista El Gráfico. Definitivamente, entrou para o rol de micos como Baiano e Jorginho Paulista. Os grandes nomes são Domingos da Guia, Paulinho Valentim, ídolo também do Botafogo (fez 67 gols, incluindo 10 no River Plate, em 109 jogos) e Orlando Peçanha. Campeão do mundo em 1958, foi três vezes vencedor na Argentina, mas por atuar no exterior perdeu a chance de defender o bi no Chile, motivo de lamento do elegante quarto-zagueiro até o fim de seus dias.

Os brasileiros do Boca em ordem cronológica:

Martín Silveyra
Moisés
Bibí
Domingo da Guia
Heleno de Freitas
Amalfi Yesso
Paulinho Valentim
Orlando Peçanha
Dino Sani
Edson Dos Santos
Maurinho
Almir Pernambuquinho
Walter Da Silva
Del Vecchio
Ayres Moraes Albuquerque
Eduardo Texeira Lima
Heraldo Bezerra
Rodrigues Neto
Gaúcho
Charles
Jorginho Paulista
Edilio Cardoso
Iarley
Baiano
Luiz Alberto

sábado, 17 de abril de 2010

Não é fácil ser grande


Não se pode dizer que o United, com medianos como Gary Neville, Evans, Gibson, Fletcher (em grande fase) e Valencia, tinha mais potencial que o milionário elenco do City. A história recente dos dois clubes na temporada também apontava para um grande equilíbrio, sobretudo pelos problemas físicos de Rooney. O fato de o jogo ser no City of Manchester Stadium, com 95% de presença de torcedores dos Citizens, fazia pender um certo favoritismo para os donos da casa.

Nada disso aconteceu quando a bola rolou. Em 90 minutos de dérbi, o Manchester United foi quem controlou o adversário durante boa parte do tempo. Não teve uma exibição tecnicamente boa, mas marcou quase sempre no campo de ataque, impediu o adversário de se aproximar e flertou com a vitória em chances perdidas por Rooney e Giggs. Até Paul Scholes, o dono do jogo, aparecer na área e usar a cabeça após belo centro de Evra para confirmar os três pontos.

O Manchester United se impôs como um clube gigantesco dentro de campo, mesmo com jogadores tecnicamente inferiores em sua maioria. Não foi por acaso que, pelo segundo dérbi consecutivo, os Red Devils venceram com gols no fim. A grandeza de uma camisa, de um técnico e de um clube se leva para dentro de campo e isso o City ainda não tem.

Cabe se recordar que o Chelsea passou por um processo semelhante na primeira metade da década. Mesmo gastando aos montes, teve um desempenho bastante lamentável sob o comando de Claudio Ranieri na temporada de estreia com o dinheiro de Abramovich. Foi necessário um treinador como José Mourinho e um mercado repleto de jogadores vencedores para pôr a mão nas taças.

Quebrar a grandeza do Big Four, ameaçado também agora por um intrépido Tottenham de vitórias em dois dérbis londrinos, não é fácil para o City. Astutos, os Citizens enfraqueceram concorrentes como Everton, Arsenal e Aston Villa, mas só no meio do caminho se convenceram de que esse processo passava também pelo comando técnico.

Mark Hughes, de mentalidade pobre, deu lugar a Roberto Mancini, cuja trajetória é marcada por grandes conquistas. É bem possível que o italiano ainda não tenha tempo suficiente, nesta temporada, para colocar o Manchester City na Liga dos Campeões. Os investidores que gastam aos tubos se darão conta de que não se vira grande do dia para a noite.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O tempo para Antônio Carlos vai se esgotando


É verdade que pouca coisa ajuda Antônio Carlos: o ambiente político é terrível, a fase de Diego Souza não é boa, a lesão de Cleiton Xavier é crucial, a contratação de reforços em má forma atrasa a montagem da equipe, o astral do elenco anda baixo...mas já passou da hora do ainda iniciante treinador encontrar um padrão de jogo e fazer o Palmeiras crescer. A tímida vitória sobre o Atlético-PR por 1 a 0 sugere que a equipe vá as quartas da Copa do Brasil, mas a produção em campo é ainda muito fraca.

Contra o Furacão no Parque Antártica, Zago montou sua estratégia em cima de Márcio Azevedo: em um 4-2-3-1, o Palmeiras teve Márcio Araújo fixo na lateral direita, para pegar o ala atleticano, e Figueroa como meia externo para ajudar na marcação e jogar às costas do adversário - pouco fez, no fim das contas, o chileno, que volta de lesão. Pior é que Diego Souza foi muito mal, Lincoln ainda não engrenou e os laterais e volantes não apoiaram.

Por enquanto, a única notícia boa é o faro de gol aguçado de Robert. No ano, sua participação em gols do Palmeiras beira os 40%. Contra o Atlético-PR, voltou às redes e dá a vantagem para ir até a Arena da Baixada em boa condição. Ainda assim, o tempo corre contra Antônio Carlos, que insatisfeito com os jogadores já até ameaçou pegar o boné.