segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A incrível história de Noventa


O caderno de esportes da Folha de São Paulo, neste domingo, estava daqueles. Dos que "nos fazem queimar as torradas", como diria meu célebre professor Gérson Moreira Lima. Queimamos as torradas porque esquecemos do mundo, porque queremos a próxima linha, o próximo parágrafo. Porque prendemos a respiração por um largo espaço de tempo, ávidos pelo desenrolar dos fatos.

Na edição deste domingo, 24, A Folha brinda o leitor com a célebre história de Noventa. Trata-se de um jogador de média reputação no futebol mineiro dos anos 60 e que pretende acionar a gigante Nike na justiça. Após fazer sucesso com a camisa do Siderúrgica, ele teve uma apagada passagem pelo Atlético Mineiro e foi tentar a sorte em Boston, onde encerrou a carreira. Noventa vive em território norte-americano até os dias de hoje.

Orientado judicialmente, o ex-jogador alega que foi seu nome que batizou a linha de produtos esportivos batizada, pela empresa de material esportivo, como Nike 90. Ao ser questionada, a gigante norte-americana alegou que as reclamações não têm fundamento, que Noventa é praticamente um desconhecido, ao contrário de sua advogada, que o classificou como "lenda viva".

O argumento da Nike, de tão simplista, soa como caricato. Ela diz que Noventa não é citado na internet, e usa o site de busca Google como fonte para tal afirmação. A alegação da empresa, convenhamos, tem certa procedência. Não há como crer que foi o "nome" do atleta - ele se chama José Maria Carneiro - que inspirou a repercutida linha de produtos esportivos.

O mais incrível é que o meia Noventa, ao contrário do que se pode imaginar, tem uma história razoável. Tostão, em um texto naturalmente primoroso, descreve os feitos do jogador que, segundo ele mesmo, mais lhe inspirava na adolescência e no início de carreira. Os detalhes da narrativa são encantadores e exalam um romantismo e uma ingenuidade que faz falta ao futebol de hoje.

A matéria exposta na Folha é uma bela resposta aos que julgam o jornal impresso como fadado ao fim, especialmente em razão da ascensão do jornalismo on-line. Ter o papel em mãos, e nelas uma história assim para ler, é algo único, incomparável e que deve ser buscado de maneira interminável nas redações e reuniões de pauta. Noventa não é uma lenda viva, mas tem muito o que contar. E inspirou Tostão. É mesmo de queimar as torradas!

Foto Folha de SP: Noventa, com chuteira da Nike em mãos.

2 comentários:

Unknown disse...

Putz... se eu sou a Nike contrato o Noventa como garoto propaganda, e assim pago um valorzinho pro Tio...
Imaginem? Total 90 encenado por esse tiozinho? Seria demais. hehehe

Abraços, Dass!
Ótimo texto!
http://pandegosepatuscos.blogspot.com/

Unknown disse...

KKK boa, este tiozinho é meu tio, e realmente,tem muita história para contar... abraço!!!