quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Entrevista com Marcelo Teixeira


Presente na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro desde a quinta rodada, o Santos Futebol Clube é todo desespero. Após tentativas frustradas com Cuca e Emerson Leão, a efetivação de Márcio Fernandes e o chamado à Serginho Chulapa para auxiliar técnico é o típico recurso de quem está com a corda no pescoço.

Não é só dentro de campo que o Santos vive essa situação. Após faturar valores na casa de 150 milhões de reais com a venda de uma geração premiada, o clube tem dívidas que não param de crescer e que são, na maioria dos casos, fruto de uma administração que não condiz com a era do profissionalismo no futebol.

O último balanço financeiro, referente ao ano passado, registra um déficit na casa dos R$ 33 milhões de reais, ainda superior aos números de 2006. Só neste ano, obrigatoriamente, o clube precisa pagar R$ 48 milhões referentes à empréstimos bancários. Em crise no futebol, é difícil tirar recursos de negociações, e jogadores como Kléber e Rodrigo Souto, supostamente os mais valorizados, não têm penetração no mercado europeu.

Em entrevista exclusiva para a edição de agosto da Revista Trivela, o presidente Marcelo Teixeira explica como o Santos chegou ao atual momento delicado, embora demonstre naturalidade e um suposto equilíbrio com relação à situação santista. O segundo turno no Campeonato Brasileiro pode agravar ainda mais a vida alvinegra.

Há três anos, o Santos via entrar em caixa valores na casa dos 150 milhões de reais em razão da venda de alguns jogadores como Robinho e Elano. Como, em tão pouco tempo, a situação santista atingiu o patamar atual?

Há um grande engano nestes períodos e nos números, pois não entraram em nosso caixa 150 milhões de reais há três anos atrás. Desde 2003, portanto há seis anos, temos tido o privilégio de utilizar bem a Lei Esportiva em vigência na hora de negociar atletas para garantirmos o retorno financeiro ao clube. Neste período, foram feitos muitos investimentos para mantermos a vanguarda e os projetos do clube.

O principal é verificarmos que destes investimentos alcançamos glórias, títulos e aumento patrimonial, o que prova a nossa capacidade e competência em aplicarmos corretamente estes recursos. Venha conhecer o moderno e sofisticado Centro de Treinamento Rei Pelé e seu Complexo Modesto Roma, o Hotel cinco estrelas Recanto Alvinegro, o eficiente Centro de Treinamento Meninos da Vila, a reformada e maravilhosa Vila Belmiro e todos os seus modernos departamentos, o Memorial das Conquistas, um dos principais pontos turísticos da cidade, do estado e do país.

Seria questionável ou reprovável se todos os investimentos destes anos fossem desperdiçados ou mal aplicados, mas provamos pelos excelentes atletas que defenderam nossas cores, pelos títulos e pelas obras e avanços de nossa estrutura que acertamos nas decisões. Caso contrário, não seríamos citados como modelo de gestão e vitoriosos nas urnas em eleições com nossos associados, com uma margem impressionante de 70% de preferência do quadro associativo.

Em relação ao último balanço (2006), as dívidas santistas aumentaram bastante, os resultados em campo não vêm sendo bons e o patrimônio social, também, é cada dia mais baixo. Como a direção vê esse quadro, bastante preocupante?

É muito interessante este assunto. Só analisam um período, quando planejamos investimentos nas mais diversas áreas que nitidamente alcançaram sucessos - quer no setor patrimonial, com obras e aquisições em equipamentos, aperfeiçoamento de nossos profissionais e conquistas de títulos com as equipes de futebol profissional e de base.

Os resultados em campo foram ótimos, com o bicampeonato paulista, que não conquistávamos desde 1984, o vice-campeonato brasileiro e semifinalista da Libertadores de América. A direção está consciente e organizada em suas ações pretendendo manter a política de novos investimentos para mantermos equipes fortes e competitivas para bem representar o clube nas competições para orgulho e honra de nosso torcedor.

Se quisermos recuperar os valores financeiros temos ativos suficientes em nosso elenco que a qualquer instante podem ser transacionados para obtermos novos recursos equacionando as dívidas do clube. O importante é que estamos seguindo rigorosamente os nossos planos, temos nossas contas em dia, todos os impostos e dívidas passadas quitadas ou em fase de liquidação com a Timemania com planos ambiciosos que estão sendo concretizados para os próximos anos.

Segundo também o balanço de 2007, o Santos tem empréstimos a serem pagos com valores na casa dos 41 milhões de reais. Como a direção pretende resolver esse problema?

São empréstimos naturais de um planejamento financeiro, uma vez que não são dívidas de curto prazo. Podem ser amortizadas com uma simples venda de um atleta ou encerrada com as próprias receitas em médio prazo. Neste ano, resolvemos programar ações que estão resultando em economias sem a perda da qualidade do trabalho.

Qual avaliação a direção santista faz especificamente do legado deixado pelo Vanderlei Luxemburgo após dois anos à frente do comando técnico do clube?

Um excelente trabalho, com dois títulos paulistas, duas classificações à Taça Libertadores, um vice-campeonato brasileiro e ainda por um gol não fomos à final do principal torneio continental no ano passado. Apenas não negociamos atletas para melhorar nosso balanço financeiro.

Dia a dia, a média de público santista vem caindo bastante. No último Campeonato Brasileiro, o Santos ficou atrás de praticamente todas as equipes da Série A. Como a direção enxerga essa situação?

Isso é fruto da situação econômica do país. Quando jogamos fora de casa os estádios lotam, sempre foi uma característica de nossa torcida, mesmo nos tempos de ouro da década de 60 e da nova geração de Meninos da Vila neste novo milênio. Temos relatórios e pesquisas que atestam que somos líderes em pacotes de jogos por pay-per-view e televisão fechada, que comprovam o perfil de nosso torcedor. Manteremos as ações para atrair a torcida para a presença no estádio.

A aproximação da Traffic neste momento, em que a situação financeira é bastante delicada, é a única saída para manter uma equipe de alto nível vestindo a camisa do Santos?

Não, porque já temos uma equipe competitiva. Nossos investimentos são feitos internamente no clube e, em breve, teremos novas safras de jogadores oriundos das nossas equipes de base, que melhorarão e qualificarão nosso elenco. A aproximação com a Traffic é muito salutar, porque o J. Havilla é um homem sério, vitorioso e capaz de desenvolver um trabalho de apoio para os clubes, como tem feito com várias entidades no país. Pretendemos manter novas conversações para, quando surgir oportunidades de negócios de interesse entre as partes, concluirmos favoravelmente para o engrandecimento do futebol brasileiro.

- Leia mais sobre o assunto na edição de agosto da Revista Trivela

5 comentários:

Bruno disse...

dass, nunca vi um sujeito enrolar tanto... parabéns pela entrevista.
um abraço

nobreza disse...

Gosto das entrevistas do MT pelo seguinte: leu uma, leu todas. São idênticas as respostas.

E muito engraçadas. Quando ele fala em "planejamento financeiro" e "programar ações sem perder a qualidade do trabalho" é muito cômico, se não fosse trágico.

Tecla SAP: Os cofres 'tavam numa pior, peguei uns empréstimos no banco e vou pagar vendendo o Neymar por US$ 30 milhões. Se não der certo, o próximo que assumir se vire com a bomba.

Enquanto isso, o time via despencando...

abs!
Ministro Veiga
http://espiritosantos.blogspot.com

Luisnissei disse...

Além de incompetente, MT não fala a verdade! Só no ano de 2006, ele gastou mais de R$ 100.000.000,00. Veja o balanco! Não é possível que tenha gasto no Hotel e no Centro de Recuperação e Treinamento! o Departamento Médico, demora uma eternidade para recuperar jogadores, e a preparação física, deficiente! Veja as seguidas contusões dos atletas. Quanto à dizer que se reelegeu com 70% dos associados, é mais um engodo. Condicionou a permanência de Luxermburgo à sua reeleição! Quanto à dizer que: "já temos uma equipe competitiva", só pode ser piada! MT, seja competente, pelo menos prá mentir!!!

Renato Ribeiro disse...

Parabéns Dassler, as perguntas foram sensacionais apesar das respostas "ensaboadas" do presidente...

A parte que eu mais gostei foi a da equipe competitivca e dos "empréstimos planejados"...

Sensacional!

Essa entrevista abriu meus olhos, vi que torço para um clube com administração "oropéia".

Renato
http://blogdorenatoribeiro.blogspot.com

Wilson Hebert disse...

Agora li a entrevista inteira...

Muito boa as questões propostas, Dassler.

Os dirigentes normalmente não revelem algo muito importante quando fazem um péssimo trabalho a frente de um clube.

O continuísmo do Marcelo Teixeira esta fazendo mal ao Santos.

Aliás, não é só no Santos que temos um presidente indo mal. Ziza Valadares, Alvimar Perrela, tinhamos o Dualib fazendo o que fez, mas parece que nos livramos daquele que pra muitos era o maior dos cânceres futebolisticos: Eurico Miranda.

Enfim, algo muito impactante tem que ocorrer no futebol brasileiro para que as administrações de um modo geral, sejam no mínimo aceitáveis por parte da torcida.

Abs......