terça-feira, 12 de agosto de 2008

Inacreditável

Grêmio fecha o primeiro turno com aproveitamento recorde e vence seus fantasmas em uma temporada que tinha tudo para ser trágica


O mês de abril foi o mais turbulento no Olímpico desde que o Grêmio, em 2004, foi à segunda divisão nacional. Eliminado na Copa do Brasil e no Campeonato Gaúcho, na mesma semana, os gremistas que haviam se acostumado com grandes façanhas – como o vice da Libertadores de 2007 ou a terceira posição na Série A de 2006 – não admitiram ver seu tricolor naquela situação.

É inacreditável, como o grito épico do narrador gaúcho na Batalha dos Aflitos, mas o Grêmio terminou o primeiro turno na ponta. E com o melhor índice da história dos pontos corridos. A caminhada tricolor na competição já se iniciou com uma façanha. Em pleno Morumbi, com uma atuação rígida e compenetrada, o Grêmio bateu o São Paulo – mais atento à Libertadores - pelo placar mínimo. Desde então, esteve sempre na espreita da liderança, tomada do Flamengo na 14ªrodada após uma estrondosa goleada de 7 a 1 sobre o então entusiasmado Figueirense.

O futebol da equipe de Celso Roth não é impune às tradições do que exige a camisa preta, azul e branca do Grêmio. Muita marcação, dedicação defensiva e força física caracterizam o jogo da equipe de Roth, sempre armada com três zagueiros (Léo, Pereira e Réver), dois volantes (William Magrão e Rafael Carioca), dois alas (Paulo Sérgio e Anderson Pico ou Helder), um meia (antes Roger, hoje Tcheco) e dois atacantes (Marcel e Perea).

Assim, ainda que tenham o time mais faltoso da competição, os gremistas possuem a melhor defesa e o melhor ataque. A prova da lealdade, porém, vem com outro dado: só o tricolor, além do Santos, levou apenas um cartão vermelho – melhor marca do Brasileiro. Por falar em marcas, o Grêmio tem a segunda melhor média de público, só atrás do Flamengo, e continua fazendo suas vítimas no Olímpico.

O grande pilar desse Grêmio, entretanto, é o goleiro Victor. Contratado discretamente junto ao Paulista de Jundiaí no começo do ano, o sereno arqueiro se firmou e jamais perdeu a titularidade. Hoje, além de ser o melhor jogador da posição no Campeonato Brasileiro, é também o que tem a menor média de gols sofridos: apenas 0,63 por jogo. Presença constante nos 19 jogos do turno, Victor só sofreu gols na metade deles, índice que nenhum rival possui na competição.

Hoje, é justo se perguntar se esse Grêmio vai seguir nessa toada incrível. A última derrota foi em 9 de julho, contra o Botafogo, e são sete vitórias e três empates nos últimos dez jogos. É muito de quem se esperava tão pouco, dada a fase complicada, a pressão política, o ambiente interno conturbado e o elenco sem brilhos individuais. Famosos por suas façanhas, os gremistas caminham a passos largos para mais uma delas. Hoje, são cinco pontos de vantagem para o vice-líder. Domingo que vem, contra o São Paulo, o Olímpico estará fervendo.

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2 comentários:

Gustavo disse...

O grêmio ainda não tem a cara de um time campeão! como por exemplo o São paulo campeão nos últimos 2 anos, cruzeiro em 2003 ou até o corinthians em 2005!
mas domingo é uma ótima oportunidade pro Grêmio mostrar sua força e pinta de campeão!

gerson disse...

infelizmente, acho que o grêmio vai levar a taça...