sábado, 19 de dezembro de 2009

Ingleses e italianos, realidades bem diferentes


Três times italianos chegaram às oitavas da Liga dos Campeões 2008/09 e os três caíram diante de um trio inglês. Pois o sorteio da última sexta-feira, para as oitavas da LC, reservou um ingrediente similar e o favoritismo de Chelsea e Manchester United é evidente sobre Internazionale e Milan.

Na temporada passada, o Chelsea despachou a Juventus, o Arsenal eliminou a Roma e o Manchester United bateu a Internazionale de Mourinho. Foram três confrontos em que os ingleses estiveram com incontestável superioridade e domínio por completo ao longo de 180 minutos. Algo que, de certa forma, ilustra muito a diferença entre o futebol praticado nos dois países.

Não é correto apontar para o equilíbrio para tentar se justificar o Campeonato Italiano como bom neste momento. Entre os cinco melhores colocados na Bola de Ouro da France Football, o único representante que atua na Bota é Eto’o – convenhamos, presente pelo primeiro semestre com o Barcelona. Pior: entre os 30 primeiros, nenhum nasceu na Itália.

Desde 2003, o único time italiano a jogar uma semifinal da Liga dos Campeões foi o Milan, vice em 04/05, semifinalista em 05/06 e campeão em 06/07. Os representantes do país protagonizam vergonhas internacionais, como a Roma caindo de sete contra o Manchester United, em 2006, os oito jogos seguidos da Inter sem vitória na LC ou, ainda, a ausência de qualquer clube do país entre os quadra finalistas da edição 2008/09 - o que pode se repetir.

O momento inglês na competição é completamente diferente. Nas últimas três edições, todas tiveram três representantes do país entre os semifinalistas, com o Big Four se revezando de forma absoluta.

Além da realidade econômica e estrutural, o futebol jogando em campo é bastante diferente entre Premier League e Serie A, fruto também dos treinadores contratados. Milan e Juventus apostam em dois novatos e a Roma optou pelo envelhecido Claudio Ranieri, chutado da Inglaterra há cinco anos. As exceções são o competentíssimo Cesare Prandelli, fazendo mais que o possível na Fiorentina, e Jose Mourinho. Treinador mais bem pago entre os clubes europeus, o português ainda não convenceu em Appiano Gentile. Uma eliminação contra o Chelsea selaria seu destino na Itália, onde nutre forte desgaste com a imprensa.

Enquanto isso, o Arsenal tem Wenger por 13 anos, o United tem Ferguson por 23 anos e Rafa Benítez, em crise mas ainda o melhor treinador espanhol, se sustenta no Liverpool há cinco anos. Para fechar o cerco, o Chelsea tirou Carlo Ancelotti do futebol italiano. Em pouco tempo de Stamford Bridge, Carletto deu vida ao time de melhor desempenho na primeira parte da temporada europeia.

O futebol jogado nos dois países também expõe muitas diferenças táticas e técnicas. O jogo inglês superou a fase da bola aérea há tempos e apresenta um estilo muito rápido, objetivo e atrativo, em que até os pequenos fogem da retranca – basta ver que o Wigan, que levou de 9 do Tottenham, foi o primeiro a bater o Chelsea na Premier League.

Os italianos perderam sua essência competitiva, marca principal para os títulos europeus do Milan e dos bons tempos de Internazionale e Juventus em seus melhores momentos. O jogo é pouco vertical, esboça uma tendência recente por futebol ofensivo, mas sem ter técnica suficiente para tanto. Diego e Samuel Eto’o, as duas principais aquisições de clubes do país, ainda vivem na Itália de apenas alguns raros bons momentos.

Os duelos entre Milan e Manchester United e Internazionale e Chelsea vão dizer muito sobre as diferentes realidades nas duas ligas. Para apostar em surpresa, só os rossoneri parecem capazes de fazer partidas duras, até pela grande competitividade que ainda há na equipe de Leonardo. Em condições naturais, os Blues devem dizer goodbye a Mourinho no Stamford Bridge. Não será nenhuma surpresa.

2 comentários:

diego disse...

Dassler o que está acontecendo com o site do olheiros?
Pq está tanto tempo fora do ar?
Tem previsão de volta ?

Benfica NN disse...

esse BloG ta fixeee (...)
sou visitante xD
parabens